O Butterworth, um restaurante em Capitol Hill atrás do Congresso, tornou-se o local de encontro em Washington DC, capital dos EUA, do mundo MAGA (‘Make America Great Again’) desde o regresso do seu líder, Donald Trump, à Casa Branca.
De acordo com a publicação ‘El Español’, o espaço já recebeu ocasiões especiais, como a festa oferecida por Steve Bannon – um dos maiores aliados do movimento político -, que ofereceu um ambiente incomum para a cidade democrata: bonés e cartazes a pedir um terceiro mandato de Trump; a política Kari Lake – e antiga responsável do programa ‘Voice of America’ – a tomar o microfone para recordar aos homens presentes que só a sua virilidade vai salvar o país; ou vários ex-presos do 6 de janeiro recém-indultados por Trump.
A festa talvez tenha sido o maior símbolo de quem agora manda em Washington, que deu 92,5% dos seus votos a Kamala Harris e que agora viu regressar, quatro anos depois, os participantes do ataque ao Capitólio, em particular Enrique Tarrio, líder dos Proud Boys, condenado a 22 anos de prisão.
De acordo com Raheem Kassam, coproprietário do restaurante, Trump “no seu primeiro mandato, descobriu que a cidade não o queria. Sentiu-se atacado”. Trump ‘entrincheirou-se’ no hotel que o presidente possuía na cidade e que teve de vender depois de deixar a Casa Branca. Nunca mais foi visto, mas os seus aliados sentiram a hostilidade.
Nas seis semanas em que está no cargo, Trump colocou várias parte da vida americana – assim como na ordem mundial – ‘de pantanas’, mas em particular Washington, tanto a cidade como a ideia do poder político que ela representa. Lançou um ataque sem precedentes às suas instituições culturais, ao seu templo da música e artes cénicas, o Kennedy Center, aos museus, que ordenou que encerrassem as suas políticas de inclusão.
Hostilizou cerca de 373 mil funcionários públicos que vivem na região: pulverizou as regras da imprensa que cobre a Casa Branca e questionou a arquitetura civil, que exige agora que atenda a critérios “neoclássicos, regionais ou tradicionais”. Ameaçou até controlar o Distrito de Columbia (DC) porque, assegurou, “há muito crime e acampamentos de indigentes”. Pode fazê-lo: o Governo de DC, uma vez que não é um estado, depende de quem domina a Câmara dos Representantes – neste caso, os republicanos.
“O seu cálculo é que tomar a capital pode dar-lhe bons resultados politicamente no resto do país”, explicou Mark Leibovich, jornalista da publicação ‘The Atlantic’. “Ambos os partidos estão há anos a fazer campanha com a ideia de a mudar, embora ninguém tenha vendido melhor [do que Trump] a ideia de que é um lugar podre”.
Leibovich, que viveu várias mudanças administrativas, diz que desta vez há mais pessoas do que nunca afetadas pelo novo regime, que, de acordo com os especialistas, pode contribuir para uma recessão, com tantas demissões e contração do consumo.
Primeiro, Trump dirigiu-se – com a ajuda de Elon Musk – aos funcionários: insultou-os, humilhou e despediu, perante os tímidos protestos contra estas medidas, na esperança que os tribunais consigam impedi-los. Na mira desta ‘resistência’ está o homem mais rico do mundo e os seus colaboradores no Departamento de Eficiência do Governo (DOGE).
Noutra amostra de um vasto repertório de crueldade laboral. os trabalhadores demitidos da agência dedicada à cooperação internacional, USAID, tiveram 15 minutos para recolher as suas coisas.














