Baleias mortas dão à costa após tsunami devastador no Japão

O fenómeno, amplamente divulgado nas redes sociais e meios de comunicação locais, está a gerar forte preocupação quanto ao impacto nos ecossistemas marinhos.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um violento terramoto submarino com magnitude 8,8, registado ao largo da costa oriental da Rússia, provocou esta quarta-feira um tsunami com repercussões em várias regiões do Pacífico, incluindo o Japão, onde pelo menos quatro baleias foram encontradas encalhadas numa praia da cidade costeira de Tateyama, na província de Chiba. O fenómeno, amplamente divulgado nas redes sociais e meios de comunicação locais, está a gerar forte preocupação quanto ao impacto nos ecossistemas marinhos.

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O vídeo que mostra os cetáceos mortos na praia foi partilhado na plataforma X (antigo Twitter), com a localização identificada como a praia de Hirasuna, e foi também transmitido por canais de televisão japoneses. A presença de baleias arrastadas para terra foi associada às alterações bruscas no nível da água e nas correntes marítimas provocadas pelo tsunami.

O sismo, registado nas primeiras horas de quarta-feira, teve origem a uma profundidade de cerca de 20,7 quilómetros, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Inicialmente classificado como um 8,0, foi posteriormente revisto para 8,8, sendo considerado um dos mais fortes desde o devastador terramoto de Tohoku, em 2011, que provocou o acidente nuclear de Fukushima.

As ondas de tsunami atingiram várias regiões, incluindo as ilhas Curilas, território russo agora sob estado de emergência, e a ilha japonesa de Hokkaido. No Japão, as autoridades emitiram avisos de evacuação para cerca de dois milhões de residentes em mais de 220 municípios costeiros, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Ondas com mais de 1,3 metros foram registadas na província de Iwate, segundo a BBC.

De acordo com a estação News 18, foram ainda registadas ondas anómalas em pelo menos 16 outros pontos ao longo da costa pacífica do Japão, incluindo áreas a norte de Tóquio.

O impacto do sismo não se fez sentir apenas no Japão. Outros países do Pacífico — como as Filipinas, Indonésia, Guam, Peru e as ilhas Galápagos (Equador) — também emitiram alertas de tsunami. Nos Estados Unidos, o Havai e o estado da Califórnia foram colocados sob elevada vigilância. O governador do Havai, Josh Green, confirmou à BBC que algumas ilhas do arquipélago foram já atingidas por ondas com cerca de 1,2 metros de altura.

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Especialistas explicam que os animais marinhos, como as baleias, são muitas vezes apanhados na violência dos tsunamis. A deslocação brusca de grandes volumes de água após o movimento sísmico altera significativamente as correntes oceânicas e pode arrastar a fauna marinha para terra.

O utilizador da plataforma X identificado como @TPV_John, com mais de 160 mil seguidores, escreveu: “As baleias começaram a dar à costa no Japão como resultado do MASSIVO tsunami. Isto NÃO É BOM. Não é de todo um fenómeno comum e indica que este sismo foi absolutamente DEVASTADOR para a vida marinha.” Já Massimo, com o perfil @Rainmaker1973, seguido por mais de dois milhões de utilizadores, comentou: “Baleias encalhadas em Tateyama, Japão, possivelmente devido à rápida descida do nível da água provocada pelo tsunami. Outra explicação poderá estar relacionada com as fortes ondas do tufão.”

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