Associação Comercial do Porto indignada com Christine Ourmières-Widener: “TAP devia ser extinta”

A Associação Comercial do Porto – Câmara do Comércio e Indústria (CCI) enviou hoje um comunicado à Executive Digest, onde “manifesta a sua preocupação relativamente às recentes declarações da nova presidente-executiva da TAP”, sobre a impossibilidade de “lançar mais rotas” a partir do Porto.

Para a organização, “as afirmações de Christine Ourmières-Widener reproduzidas pela comunicação social reforçam a ideia, já diversas vezes manifestada por esta Associação, de que a intervenção do Estado na TAP é um processo mal conduzido e que não vai resolver os problemas estruturais que, há décadas, tornam a companhia aérea numa empresa inviável”.

“Há mais de um ano que a Associação Comercial do Porto – CCI tem alertado para a irracionalidade que este processo TAP representa, quer ao nível político, quer sobretudo no âmbito económico. Em julho de 2020, interpusemos uma Providência Cautelar contra a injeção de 1,2 mil milhões de euros na TAP, que, mesmo não tendo sido aprovada, alertou os portugueses para a necessidade de um maior escrutínio sobre esta aplicação de dinheiro público”, acrescenta a nota.

Mais recentemente, a associação remeteu um documento à Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia, no qual defende que a melhor solução para este processo passa pela extinção da TAP e a criação de uma nova companhia aérea. “Uma empresa de “base zero”, que conserve os ativos estratégicos existentes – hub da Portela e ligações ao Brasil, EUA e África lusófona – e assegure as rotas intercontinentais a partir de Lisboa”, explica a estrutura comercial.

A Associação Comercial do Porto – CCI recusa “qualquer tentativa de menorização do seu papel. A intervenção que tem mantido sobre este tema, e da qual não abdica, obedece ao cumprimento dos seus estatutos e à defesa dos interesses dos seus associados. Por outro lado, acompanha uma longa tradição de promoção das infraestruturas aeroportuárias da Região Norte, indispensáveis ao respetivo desenvolvimento económico”.

“A atual TAP devia ser extinta e, no seu lugar, criada uma nova companhia aérea, que salvaguardasse os ativos existentes e prestasse um melhor serviço ao país, em linha com as opções tomadas noutros países europeus, como Suíça (Swissair), Bélgica (Sabena) e Itália (Alitalia), este último caso com a particularidade de ter sido hoje decretada a extinção da companhia aérea”, remata a Associação.

Em entrevista ao Expresso, Christine Ourmières-Widener manifestou-se surpresa face à indignação de algumas organizações da região e do próprio Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira: “entendo a frustração, mas honestamente fiquei um pouco surpreendida com a magnitude da reação. É óbvio que é impossível ter dois ‘hubs’”, afirmou Christine Ourmières-Widener, avisando desde que “vai ser difícil lançar mais rotas” a partir do Porto.

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