As imagens da seca extrema na Europa: rios recuam, relíquias emergem e parques perdem o verde

A seca prolongada e as temperaturas elevadas fizeram cair fortemente os níveis dos rios na Alemanha, Hungria e Roménia, enquanto no Reino Unido a falta de chuva deixou parques, pastagens e campos habitualmente verdes cobertos por vegetação seca

Francisco Laranjeira

A água está a desaparecer de alguns dos grandes rios europeus e as imagens começam a revelar uma paisagem difícil de associar a cursos de água como o Reno e o Danúbio.

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A seca prolongada e as temperaturas elevadas fizeram cair fortemente os níveis dos rios na Alemanha, Hungria e Roménia, enquanto no Reino Unido a falta de chuva deixou parques, pastagens e campos habitualmente verdes cobertos por vegetação seca.

As consequências já vão muito além da paisagem. Há embarcações encalhadas, dificuldades na navegação, problemas no abastecimento de instalações industriais e energéticas e até objetos históricos que estavam escondidos debaixo de água a reaparecer.

Segundo o ’20 Minutos’, algumas das imagens mais impressionantes chegam do Danúbio e do Reno, dois dos rios mais importantes da Europa.

É possível caminhar pelo leito do Danúbio

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Em Budapeste, o recuo do Danúbio deixou a descoberto extensas zonas do leito do rio junto à Ponte Margarida, no centro da capital húngara.

As imagens mostram pessoas a caminhar por bancos de areia, cascalho e pedras que normalmente estariam submersos.

O Danúbio atravessa ou delimita dez países e desempenha um papel fundamental no transporte de mercadorias, produção de energia e abastecimento de várias regiões europeias.

Os níveis extremamente baixos já estão a afetar a navegação e outras atividades económicas. Dados recentes indicam que uma grande proporção das estações de medição ao longo do Danúbio registou níveis classificados como extremamente baixos no final de julho.

Uma mota da II Guerra Mundial reaparece

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Mas a descida das águas também está a revelar objetos escondidos há décadas.

Na Hungria, foi encontrada no leito do Danúbio uma DKW NZ 350-1, uma mota militar alemã utilizada durante a II Guerra Mundial.

O veículo ficou exposto devido ao nível excecionalmente baixo das águas e foi posteriormente levado para o depósito do Instituto e Museu de História Militar do Ministério da Defesa húngaro.

É uma das imagens mais simbólicas desta seca: à medida que o rio recua, começa literalmente a devolver objetos do passado.

No Reno reaparece uma “pedra da fome”

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Na Alemanha, a situação também está a deixar marcas históricas à vista.

Em Worms, no Reno, voltou a ficar visível uma chamada “Hungerstein” — ou “pedra da fome” — datada de 1857.

Estas pedras funcionavam como marcos dos períodos de águas excecionalmente baixas e, historicamente, o seu aparecimento estava associado a secas severas, más colheitas e dificuldades económicas.

O Reno está agora a registar níveis extremamente baixos em vários pontos, condicionando uma das mais importantes rotas comerciais fluviais da Europa. A redução da profundidade obriga os navios de carga a transportar menos mercadoria para conseguirem navegar em segurança.

Barcos encalhados e reservatórios vazios

As consequências são igualmente visíveis longe dos grandes rios.

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No reservatório de Sylvenstein, perto de Lenggries, na Baviera, enormes extensões do fundo ficaram expostas devido à falta de água.

As imagens mostram margens que recuaram dezenas de metros e embarcações rodeadas por zonas onde normalmente existiria água.

No material divulgado pelo 20 Minutos, o nível do reservatório é referido como estando 5,7 metros abaixo do nível normal de armazenamento no verão.

Também no Reno há embarcações encalhadas ou impossibilitadas de utilizar determinados braços do rio devido à pouca profundidade.

Nota importante sobre estas duas: a imagem de Sylvenstein que encontrei é útil como imagem contextual, mas não corresponde necessariamente à fotografia AP citada pelo 20 Minutos; e a imagem do Reno acima é de 2022. Portanto, eu não usaria a segunda como se documentasse a seca de 2026. Para BO, tentaria prioritariamente obter as fotografias AP/EFE originais mencionadas no texto.

Roménia chegou a dinamitar uma rocha

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Na Roménia, a escassez de água levou as autoridades a uma intervenção muito mais invulgar.

O Exército realizou uma explosão subaquática controlada para remover uma formação rochosa e permitir que um maior volume de água do Danúbio chegasse à central nuclear de Cernavoda.

A operação destinou-se a assegurar água suficiente para o sistema de refrigeração e evitar problemas de funcionamento de um dos reatores.

A seca está, de resto, a criar dificuldades à produção energética em vários países da região, devido à dependência de rios para refrigeração de centrais e para produção hidroelétrica.

Inglaterra troca o verde pelo castanho

O contraste também é impressionante no Reino Unido.

Em Hampstead Heath, um dos grandes espaços verdes de Londres, extensas áreas de relva adquiriram uma tonalidade castanha devido à falta prolongada de precipitação.

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A mesma paisagem repete-se em explorações agrícolas nos arredores da capital, onde o gado procura alimento em terrenos fortemente afetados pela seca.

Mais de metade de Inglaterra encontra-se em situação de seca, segundo a informação reproduzida pelo 20 Minutos, num contexto de precipitação muito reduzida e temperaturas excecionalmente elevadas.

Uma seca que começa a atingir a economia

O problema já não se limita, portanto, às imagens impressionantes de rios vazios.

Reno e Danúbio são duas artérias económicas europeias e a redução da profundidade obriga os navios a diminuírem significativamente a quantidade de carga transportada. Há também impactos na produção energética, agricultura, turismo fluvial e indústria.

E talvez seja precisamente essa a imagem mais reveladora da atual seca europeia: em Budapeste, onde habitualmente estaria o Danúbio, há agora pessoas a caminhar.

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