Conforme já referi, Portugal não precisa de mais análises, não precisa de mais diagnósticos, nem precisa de mais palcos onde se fala muito e se decide pouco. Portugal precisa de pulso, de determinação. Precisa de uma vontade profunda e genuína de fazer acontecer. De quem olhe para um desafio e diga, “Vamos a isto”, com sentido de urgência, com sentido de compromisso. Falta-nos arrojo. Falta-nos coragem. Falta-nos fogosidade. Não como palavras num discurso de abertura, nem usado em campanhas eleitorais, mas, sim, como atitude genuína. Como uma cultura partilhada. Como forma colectiva de estar. E é precisamente aqui que reside um dos nossos maiores desafios. Não apenas nas estruturas ou nas lideranças, mas na cultura, naquilo que valorizamos, naquilo que celebramos, naquilo que toleramos. Uma cultura onde o risco é olhado com reserva, onde a mudança é recebida com cautela, onde falta essa sede interior de querer mais, de ir mais longe, de fazer melhor, essa cultura tem um custo. Um custo silencioso, mas bem real, medido em oportunidades que não aproveitámos, em investimentos que não chegaram, em tempos perdidos. Somos um povo com uma história extraordinária de ousadia e visão. Esse capital existe. Está na nossa memória colectiva. Está no nosso carácter. Precisa, isso sim, de ser reactivado, de ser alimentado, de se tornar, de novo, o nosso modo natural de estar. O “Plano Executar” de que tanto precisamos não é apenas um exercício de gestão. É, antes de tudo, um exercício de vontade colectiva, com metas, com prazos, com responsabilidades claras. Mas, acima de tudo, com a convicção inabalável de que é possível, e necessário, ser diferente. Portugal tem todas as condições para ser extraordinário. Falta decidirmos todos em conjunto, com vontade expressa e determinação, que chegou a hora.
Editorial publicado na revista Executive Digest nº 243 de Junho de 2026












