Num esforço para melhorar a imagem da cidade, Amesterdão quer restringir uma atração turística chave: as cafetarias que vendem marijuana. Uma proposta da presidente da câmara, Femke Halsema, prevê que apenas os residentes holandeses sejam autorizados a entrar nos pontos de venda de canábis.
O plano, que é apoiado pela polícia e procuradores locais, visa combater o fluxo de drogas duras e o crime organizado ligado ao comércio de marijuana. “O mercado da canábis é demasiado grande e exagerado”, explicou a autarca de Amesterdão em declarações à Bloomberg. “Quero encolher o mercado de canábis e torná-lo controlável. A condição de residência tem na mesma um longo alcance, mas não vejo outra alternativa”, acrescentou.
Femke Halsema afirmou que a medida dá início a um debate político, incluindo discussões sobre um acordo de transição com os proprietários das lojas. A autarca espera que a política entre em vigor no próximo ano.
É a última iniciativa de Amesterdão para reduzir, por um lado, o fluxo de visitantes e melhorar, por outro, a qualidade de vida dos residentes. Centenas de turistas afluíram à cidade desde que os voos mais baratos fizeram do centro histórico da capital um destino popular de fim-de-semana.
Antes do confinamento, o famoso Red-Light District, as lojas de marijuana e os canais pitorescos atraíam mais de 1 milhão de visitantes por mês – mais do que a sua população permanente, segundo a Bloomberg.
“As cafetarias, especialmente no centro, são em grande parte geridas por turistas”, disse Halsema. “O aumento do turismo aumentou a procura e atraiu a criminalidade associada às drogas duras”, sublinhou a autarca.
Enquanto a paragem do turismo devido à pandemia atingiu a economia da cidade, a presidente da câmara de Amesterdão está determinada a remodelar o setor assim que a crise se atenuar.
Uma viagem a uma cafetaria foi uma razão “muito importante” para 57% dos turistas visitarem a área que inclui o Red-Light District, de acordo com uma pesquisa encomendada pelo governo da cidade.
Halsema espera ter o apoio da comunidade empresarial, já que muitos empresários no centro da cidade não são a favor da reputação de Amesterdão de acesso sem restrições à droga. “Podemos ser uma cidade aberta, hospitaleira e tolerante, mas também uma cidade que dificulta a vida aos criminosos e abranda o turismo de massas”, concluiu.
Restrições semelhantes já foram aplicadas em Maastricht e Den Bosch, na Holanda, que reagiram a cafés sobrecarregados por visitantes da Alemanha, França e Bélgica.














