O mais recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) voltou a fazer um sério aviso à humanidade relativamente à gravidade da crise climática. O painel das Nações Unidas alertou que mesmo se o mundo deixasse de emitir carbono seria demasiado tarde para travar as transformações do clima que já se estão a verificar, com secas severas, ondas de calor extremo ou violentos fogos florestais.
No entanto, ainda há coisas que o mundo pode fazer para aligeirar o impacto das alterações climáticas. O relatório do IPCC compilou décadas de pesquisa sobre como a espécie humana pode adaptar-se às alterações climáticas. As propostas que constam no relatório podem tornar o futuro mais tolerável e reduzir o custo humano e financeiro dos desastres naturais.
“Agora temos de adaptar-nos ou morrer”, advertiu Patrick Verkooijen, CEO do Center on Global Adaptation, em declarações concedidas à Bloomberg.
Estas são algumas das decisões que os governos podem tomar de forma a serem evitadas catástrofes provocadas pelas alterações climáticas, como informa o Business Insider.
Reforçar a rede de energia
Alguns dos desastres naturais que o mundo enfrentou recentemente demonstraram a fragilidade da rede de energia. Por exemplo, os furacões que assolam com cada vez mais frequência os Estados Unidos causam apagões em diversas cidades e afetam milhares de pessoas, que ficam vulneráveis e expostas aos elementos durante vários dias.
“Não há um local onde possam ser instaladas linhas de eletricidade no qual não estejam sujeitas às ameaças da interação com o ambiente. Aquilo que se pode escolher é a ameaça que tememos menos”, realçou Ted Kury, diretor de estudos de energia do Public Utilities Reserach Center da Universidade da Flórida.
Kury sugere que em locais onde o vento e o fogo representam a maior ameaça a solução pode passar por instalar as linhas de eletricidade debaixo do solo. Já em locais do globo onde a ameaça das cheias é maior a solução é construir estações de energia em pontos mais elevados, acima das linhas de cheias.
O especialista admite que muitas destas soluções são caras, mas são concretizáveis. E acrescenta que cada cidade tem de decidir quanto está disposta a gastar para proteger os seus cidadãos.
Aproveitar as vantagens da natureza
Embora não seja possível evitar que as cidades sejam impactas por fenómenos naturais, a forma como são construídas e as suas características podem limitar o quão letais esses fenómenos podem ser. Incorporar elementos da natureza pode, por exemplo, reforçar a proteção da população em caso de cheias. Plantas e relva são excelentes a absorver água, podendo ser mais efetivas face às cheias do que diques e barragens.
A aposta em florestas urbanas também pode ter um contributo importante para arrefecer as cidades, perante as vagas de calor extremo que têm surgido cada vez mais nos últimos anos.
Proteger o gado e as colheitas
As alterações climáticas estão a penalizar a produção alimentar. O gado sofre cada vez mais com o calor e as colheitas enfrentam secas graves. O fornecimento de carne e de cereais vai registar instabilidade de estes problemas não forem resolvidos.
Os produtores de bens alimentares podem responder a estes problemas através de melhores investimentos em infraestruturas e de melhorias na estratégia para proteger os animais do calor que tanto os afeta. No caso do gado, a instalação de sistemas de ventilação nas quintas pode ser essencial para combater as vagas de calor. Já no caso das colheitas uma opção passa por cultivar plantas mais resistentes à seca, outra é criar mini bacias de irrigação. Em qualquer dos casos isto requer investimento significativo, que pode ser subsidiado pelos governos.
Preparação para a próxima pandemia
Como a pandemia de Covid-19 demonstrou, é fundamental preparar a próxima pandemia. As alterações climáticas estão a levar vários insetos portadores de doenças a migrarem para outras regiões do planeta e a estabelecerem-se lá, quando anteriormente essas regiões tinham temperaturas demasiado frias para que pudessem sobreviver.
Stavana Strutz, uma investigadora que foi coautora de um dos capítulos do relatório do IPCC, refere que a expansão destes insetos torna ainda mais urgente o investimento em medidas de saúde pública, que podem ajudar a travar surtos antes de se descontrolarem. Strutz também defende a necessidade de reforçar as instalações de saúde, para evitar que fiquem sob o nível de pressão registado durante a pandemia.













