A pergunta aparece quase sempre depois de uma comissão. Alguém abre o extrato, encontra uma linha de manutenção de conta que não reconhece, faz a soma do ano e percebe que está a pagar algumas dezenas de euros por um serviço que julgava gratuito. A partir daí, a conversa divide-se em duas partes que convém não misturar: se vale a pena ter outro banco, e se vale a pena deixar este.
Convém começar pelo que é uma conta bancária em termos de custo. Uma conta à ordem tem uma comissão de manutenção que pode ser mensal, trimestral ou anual, e que na maioria dos casos é isentável se o cliente cumprir condições: domiciliar o salário, ter um número mínimo de débitos diretos, deter um cartão de crédito ativo, subscrever um seguro. Ou seja, o preço nominal raramente é o preço pago, e o preço pago depende de comportamentos. Duas pessoas com a mesma conta no mesmo banco podem pagar valores muito diferentes, e a diferença não está na tabela de preços.
A favor de mudar há três argumentos com peso real. O primeiro é que a concorrência pelo cliente novo é muito mais agressiva do que a retenção do cliente antigo, portanto as melhores condições estão quase sempre à entrada e não a quem já está. O segundo é que a conta bancária é o centro de gravidade de tudo o resto: onde está o salário, tendem a estar o crédito, os seguros e as poupanças, e mudar a conta abre a possibilidade de repor a concorrência nesses produtos também. O terceiro é o custo de oportunidade dos saldos, porque uma conta que remunera zero num contexto em que a poupança sem risco paga 2,5% tem um custo silencioso proporcional ao dinheiro que lá fica parado.
Contra, há também três realidades que os simuladores não mostram. A primeira é a fricção operacional, e ela é maior do que se antecipa: não é abrir uma conta, é mudar a domiciliação do salário, transferir débitos diretos de água, luz, telecomunicações, seguros e quotas, atualizar dados fiscais e refazer autorizações. A segunda é que sair de um banco onde tenha crédito à habitação, se for o caso. Isso raramente é possível sem mexer no próprio crédito, porque as condições contratadas costumam estar ligadas à manutenção da conta e à domiciliação do vencimento. A terceira é que muitas isenções se ganham com o tempo e com o volume, e um cliente novo começa do zero num escalão que já tinha subido.
Compensa, com clareza, em três situações concretas. Quando não há crédito à habitação naquele banco, porque nesse caso o único laço é operacional e a comparação é direta entre tabelas de comissões. Quando o cliente já paga comissões sem cumprir nenhuma das condições de isenção, o que acontece sobretudo a quem tem o salário domiciliado noutro lado. E quando a conta serve de depósito passivo de poupança: aí a decisão não é sobre comissões, é sobre onde o dinheiro está a render.
Pode não compensar em três outras situações. Quando existe crédito à habitação naquele banco com condições negociadas que dependem da conta, porque o que se ganha em comissões perde-se em spread. Quando as comissões efetivamente pagas são nulas, situação mais frequente do que se pensa, e nesse caso não há problema a resolver. E quando o motivo da mudança é uma campanha de captação temporária, porque a condição promocional caduca e o cliente fica com o custo da mudança e sem a vantagem que a justificou.
A resposta honesta é portanto que vale a pena, mas quase nunca pela razão que leva as pessoas a perguntar. O ganho relevante não está na comissão de manutenção, que se mede em dezenas de euros por ano. Está no que a conta arrasta consigo, que se mede em centenas. Um agregado com crédito à habitação, dois seguros associados e uma conta poupança tem, nesse conjunto, uma margem de negociação muito superior à que tem na comissão da conta, e a mudança de banco é sobretudo a alavanca que obriga essa negociação a acontecer.
Há por isso uma ordem sensata para tratar o assunto. Primeiro, confirmar quanto se paga de facto em comissões nos últimos doze meses, número que está no extrato e que surpreende em ambos os sentidos. Segundo, verificar se as condições do crédito à habitação estão ligadas à conta, informação que consta do contrato. Terceiro, pedir ao banco atual a revisão das condições antes de abrir conta noutro lado, porque a proposta de saída é o instrumento que existe para isso. Só depois, se a resposta não chegar, se muda.
Quem estiver a fazer estas contas por causa da prestação da casa, e não por causa das comissões, tem um ponto de partida melhor na comparação de condições de crédito habitação, porque é aí que a diferença entre o que foi assinado e o que o mercado oferece hoje se mede em euros por mês e não em euros por ano.














