O futuro eólico de Portugal

Opinião de Luís Machado, Diretor Executivo da Etermar Energia

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Luís Machado
Luís MachadoDiretor Executivo da Etermar EnergiaSetembro 18, 2026 12:03

Por Luís Machado, Diretor Executivo da Etermar Energia

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Portugal encontra-se numa encruzilhada histórica. Ao entrarmos numa fase de desenvolvimento industrial e tecnológico, nos próximos anos, o país acolherá alguns dos maiores investimentos privados da sua história, todos com uma característica semelhante, elevada intensidade energética.

Estes investimentos representam uma oportunidade única para a economia portuguesa, mas também trazem um grande desafio: o aumento significativo do aumento do consumo de eletricidade, que poderá superar os 15% ao longo da próxima década.

Perante esta realidade, a resposta pareceria evidente, temos de acelerar o investimento em projetos de energia. Contudo, os últimos sinais do Governo vão precisamente no sentido contrário, quando assume que colocou em espera os projetos de energia eólica offshore, por não serem economicamente viáveis.

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Durante os últimos anos, acreditámos que tínhamos perante nós uma oportunidade única de nos afirmarmos como líderes na transição energética europeia através do desenvolvimento da indústria eólica offshore. Os nossos recursos naturais são inegáveis e temos uma indústria nacional robusta, experiente e pronta para investir. Mas esta ambição empresarial esbarra agora num derradeiro travão, e para agravar, por tempo indeterminado. Ao mesmo tempo que indica que, por ora, não haverá eólicas offshore, o governo diz continuar a apoiar o setor, “mas de uma forma mais dilatada no tempo”.

Esta situação cria um paradoxo. Por um lado, o país procura atrair grandes consumidores de eletricidade, mas por outro, limita ou atrasa os investimentos que irão produzir a energia necessária para alimentar esses mesmos consumidores.

Ora, a indústria portuguesa já deu provas da sua capacidade e ambição. Com experiência consolidada em setores como a metalomecânica, a engenharia marítima e a construção, as nossas empresas não só estão a participar em projetos eólicos de grande escala noutros mares europeus, mas também já investiram milhões em território nacional, preparando-se para a expansão. A mensagem do setor privado é inequívoca: queremos e estamos prontos para avançar, para expandir a capacidade de fabrico, para adquirir tecnologia de ponta e para criar uma cadeia de valor que seja, simultaneamente, tecnológica e industrial. E isto também é, em certa medida, garantia de sustentabilidade económica, designadamente ao representar um investimento decisivo na economia do mar.

Este não é um problema de capacidade ou de vontade do setor privado. É um impasse estratégico e falta de clareza. Sem um plano nacional consolidado, de longo prazo e que transcenda ciclos políticos, as empresas não têm a segurança e previsibilidade necessárias para realizar os investimentos que esta indústria exige.

O momento de agir é agora. Aliás, era ontem. Não basta considerar uma tecnologia economicamente inviável, é necessário procurar soluções e os grandes projetos industriais e tecnológicos podem ser precisamente a oportunidade para viabilizar uma nova geração de investimentos no setor da energia.

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Corremos o risco real de perder esta oportunidade para outras nações que se movem com maior agilidade.  Liderar o setor da energia renovável não trará apenas benefícios económicos, criação de empregos qualificados, e contribuirá para reter talento em Portugal. Numa conjuntura de grandes investimentos industriais a acontecer em Portugal e num contexto geopolítico volátil, o maior ganho será, sem dúvida, o reforço da nossa autonomia energética e ainda a contribuição decisiva para a segurança e independência de toda a Europa.

Mais do que um desafio energético, esta é uma oportunidade de política económica. Se conseguirmos alinhar o crescimento da procura com o desenvolvimento de nova capacidade de produção renovável, Portugal poderá transformar uma pressão sobre o sistema elétrico numa vantagem competitiva para as próximas décadas.

É tempo de dar este passo decisivo, de acender o farol que dará confiança aos investidores e permitirá à nossa indústria e ao nosso país navegar rumo a um futuro mais próspero, sustentável e autónomo.

 

 

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