Onde ainda é difícil levantar dinheiro no nosso país? Banco de Portugal explica

Os pagamentos digitais fazem cada vez mais parte do dia a dia, mas o dinheiro físico continua a ser essencial para muitos portugueses

Executive Digest

Os pagamentos digitais fazem cada vez mais parte do dia a dia, mas o dinheiro físico continua a ser essencial para muitos portugueses. E embora levantar notas seja uma operação simples na maior parte do país, ainda existem zonas onde chegar ao ponto de acesso ao numerário mais próximo implica percorrer distâncias consideráveis.

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Onde estão essas zonas e quantos portugueses são afetados? É uma das questões analisadas num novo episódio do BdP Podcast, no qual Henrique Lemos e Ana Loureiro, do Departamento de Emissão e Tesouraria do Banco de Portugal, explicam como está distribuído o acesso ao dinheiro físico no território nacional, onde persistem as principais fragilidades e que soluções podem ser consideradas.

A conversa parte da “Avaliação da cobertura da rede de pontos de acesso ao numerário em Portugal”, referente a 2025 e publicada pelo Banco de Portugal em julho.

67 freguesias estão a mais de 15 quilómetros do dinheiro

A fotografia nacional é positiva. Cerca de 95% da população portuguesa tem um ponto de acesso ao numerário a menos de cinco quilómetros por estrada da residência. Alargando o raio para 10 quilómetros, a cobertura chega aos 98,7% e, até aos 15 quilómetros, aos 99,6%.

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Mas há exceções importantes.

O Banco de Portugal identificou 67 freguesias, cerca de 2% do total nacional, onde a distância média por estrada até ao ponto de acesso ao numerário mais próximo ultrapassa os 15 quilómetros.

Nestas freguesias vivem aproximadamente 16 mil pessoas. Representam apenas 0,2% da população portuguesa, mas enfrentam uma realidade muito diferente daquela que existe nos principais centros urbanos.

Bragança é o caso mais evidente

É no distrito de Bragança que a dificuldade de acesso ganha maior expressão. Segundo os dados do Banco de Portugal, 18% das freguesias do distrito encontram-se a mais de 15 quilómetros do ponto de acesso ao numerário mais próximo, uma situação que abrange cerca de 8% da população.

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Vila Real surge também entre os territórios onde o problema é mais visível: 7% das freguesias encontram-se a mais de 15 quilómetros de um local onde é possível obter dinheiro físico, afetando aproximadamente 2% da população do distrito.

As diferenças territoriais são igualmente visíveis quando se observa a distribuição da própria rede. Lisboa, Porto, Faro e Setúbal concentram 53% dos pontos de acesso ao numerário existentes em Portugal, apesar de representarem apenas 17% da área do território nacional.

No outro extremo, 23 municípios dispunham de menos de oito pontos de acesso no final de 2025, sobretudo no interior do continente e em territórios insulares de menor densidade populacional. Concelhos como Manteigas, Barrancos, Freixo de Espada à Cinta ou Castanheira de Pêra tinham apenas quatro ou cinco locais onde era possível aceder a numerário.

E se a rede encolher ainda mais?

O Banco de Portugal considera que a atual cobertura é globalmente elevada, mas está também a tentar perceber o que aconteceria se o número de pontos de acesso diminuísse.

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Num exercício prospetivo, analisou nove municípios num cenário extremo em que restaria apenas um ponto de acesso ao numerário, localizado na freguesia mais populosa. Nesse caso, cerca de 77 mil residentes poderiam enfrentar um aumento significativo da distância necessária para levantar dinheiro.

É precisamente esta combinação entre uma boa cobertura nacional e fragilidades muito localizadas que está em análise no novo episódio do BdP Podcast.

Henrique Lemos e Ana Loureiro abordam as zonas onde o acesso continua mais difícil e as soluções que poderão ser necessárias para garantir que a crescente utilização de cartões, aplicações e outros meios digitais não deixa para trás quem continua a depender de notas e moedas.

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