Área de formação pesa mais no emprego do que tipo de instituição – estudo

 (REPETIÇÃO) Lisboa, 03 set 2026 (Lusa) — A área de estudo é mais determinante do que o tipo de instituição para evitar o desemprego e conseguir um bom trabalho, segundo um estudo que mostra que metade dos diplomados em Humanidades desempenha funções abaixo do seu nível de estudos.

Executive Digest com Lusa

 (REPETIÇÃO) Lisboa, 03 set 2026 (Lusa) — A área de estudo é mais determinante do que o tipo de instituição para evitar o desemprego e conseguir um bom trabalho, segundo um estudo que mostra que metade dos diplomados em Humanidades desempenha funções abaixo do seu nível de estudos.

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Num momento em que ainda há alunos a candidatar-se ao ensino superior, um estudo da Edulog sublinha que tem mais impacto para fugir ao desemprego a área que escolhem do que se é uma universidade ou politécnico, se é uma instituição pública ou privada.

“O determinante mais importante para a taxa de desemprego é a área científica do curso, e não a instituição onde este é tirado”, afirmam os autores do estudo “Resultados no Mercado de Trabalho dos Diplomados do Ensino Superior Português”, divulgado hoje pelo Edulog.

Após analisar o que estavam a fazer os diplomados que tinham terminado o curso em 2016/17 e aqueles que tinham concluído em 2020/21, os investigadores verificaram que o que mais influenciou a entrada no mercado de trabalho foi a área de estudo e que Portugal continua a ter dificuldades em colocar os seus diplomados mais qualificados em funções que correspondam ao seu nível de estudos.

Os diplomados de Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas têm muito menos probabilidade de ficar desempregados quando comparados com os formados em Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção.

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Mas como “conseguir emprego não significa necessariamente ter um emprego de qualidade”, a equipa avaliou também salários, estabilidade contratual, satisfação profissional, sobrequalificação e adequação entre formação e emprego.

Também aqui, a área de formação continuou a ser o fator com mais impacto nas cinco dimensões analisadas, embora os investigadores reconheçam que existem características individuais, como a média final de curso, e do agregado familiar que são relevantes.

Os alunos com melhores notas têm menores probabilidade de ficar desempregados, refere o estudo, que aponta também vantagens para quem trabalha enquanto estuda.

Voltando às áreas de formação, os alunos das áreas de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e Engenharia têm melhores salários e revelam maior satisfação profissional, por oposição aos formados nas áreas de Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços.

Mas o mais grave parece ser a incapacidade de conseguir colocar os diplomados mais qualificados em funções que correspondam ao seu nível de estudos. Um problema que afeta metade dos formados em Humanidades e Serviços e 46,3% dos formados em Artes, que estavam a desempenhar funções para as quais tinha sobrequalificações.

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Por oposição, a sobrequalificação atingia apenas 6,2% dos formados em Medicina e Medicina Dentária.

Em pleno século XXI, o estudo confirma que as mulheres continuam a receber salários mais baixos, a correr mais riscos de ficar desempregadas e de sobrequalificação e a ter menor satisfação profissional.

Também os diplomados com pior desempenho académico, percursos não universitários e trabalhadores a tempo parcial têm maior probabilidade de acumular várias desvantagens, segundo o “Índice de Desvantagem Cumulativa”, que analisa as cinco dimensões do trabalho.

O estudo mostra ainda que a situação dos jovens se agravou: a percentagem de diplomados sem qualquer desvantagem caiu de 14,1% para 7,8%, enquanto a proporção que acumula as cinco desvantagens aumentou de 1% para 2,8%.

Consciente de que “a área escolhida pelos estudantes tem um peso muito significativo nos seus resultados profissionais e que esse efeito vai muito para além de conseguir ou não um emprego”, o coordenador do estudo, Ricardo Biscaia, defende que é preciso dar mais informação aos alunos e famílias sobre os cursos, acompanhando uma preocupação expressa também pelo Tribunal de Contas.

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Os investigadores alertaram para os dados do Infocursos, a plataforma do ministério da Educação que disponibiliza informações variadas sobre os diferentes cursos superiores, defendendo que o indicador baseado no desemprego não capta “diplomados inativos ou não inscritos, podendo criar diferenças artificiais entre áreas de formação”.

Para Ricardo Biscaia, é preciso disponibilizar também os “critérios da qualidade do emprego, como os salários, a estabilidade contratual, a satisfação e para a adequação entre formação e trabalho” para que os jovens e famílias possam decidir com mais informação o caminho seguir.

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