Quase um terço dos europeus paga por serviços de streaming: Quais os países com mais subscrições?

uase um em cada três utilizadores de internet na União Europeia pagou, em 2025, por subscrições online de filmes, séries ou transmissões desportivas.

Pedro Zagacho Gonçalves

Quase um em cada três utilizadores de internet na União Europeia pagou, em 2025, por subscrições online de filmes, séries ou transmissões desportivas. Os dados mostram, contudo, diferenças muito acentuadas entre os Estados-membros, com os países do norte e do oeste da Europa a apresentarem taxas de adesão muito superiores às registadas em várias nações do leste europeu.

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Os dados divulgados pelo Eurostat, e analisados pela Euronews, mostram que 32,7% dos utilizadores de internet da União Europeia tinham, em 2025, uma subscrição paga de serviços de streaming. Portugal surge no 19.º lugar, com 21,98% dos utilizadores de internet a terem pago, nos três meses anteriores, por serviços de streaming de filmes, séries ou desporto. O contraste entre os países é expressivo: enquanto alguns mercados apresentam taxas superiores a 60%, outros não chegam sequer aos 10%.

A Irlanda lidera o ranking europeu, com 63,9% dos utilizadores de internet a pagar por serviços de vídeo ou desporto, seguida de perto pela Dinamarca, com 61,1%, e pelos Países Baixos, com 59,2%. Nestes países, serviços como Netflix, Amazon Prime, Disney+ ou plataformas de transmissão de eventos desportivos têm uma presença particularmente forte nos hábitos de consumo digital das famílias. No extremo oposto está a Bulgária, onde apenas 9,3% dos utilizadores de internet tinham uma subscrição paga deste tipo. A Eslovénia, com 13,7%, a Letónia, com 16,7%, e a Lituânia, com 17,4%, também apresentam valores bastante abaixo da média comunitária.

Portugal fica a meio da tabela europeia
Com 21,98%, Portugal encontra-se significativamente abaixo da média da União Europeia, fixada em 32,7%, ocupando a 19.ª posição entre os países analisados. O valor significa que pouco mais de um quinto dos utilizadores portugueses de internet pagou por serviços de streaming de filmes, séries ou desporto no período considerado em 2025. A posição portuguesa contrasta com os valores registados no topo da tabela, mas também fica distante dos países com as taxas de adesão mais baixas.

Os dados mostram, assim, uma forte divisão geográfica no recurso a subscrições digitais dentro da União Europeia. Os consumidores dos países do norte e do oeste europeu apresentam uma maior propensão para pagar regularmente por conteúdos digitais, enquanto vários Estados-membros do leste registam níveis de adesão bastante inferiores.

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A diferença não se limita ao entretenimento audiovisual. O levantamento do Eurostat revela também padrões distintos consoante o tipo de serviço digital pelo qual os utilizadores estão dispostos a pagar. As plataformas de música em streaming e podcasts, incluindo serviços como YouTube Premium e Spotify, tinham 23,0% dos utilizadores de internet da União Europeia como subscritores pagos em 2025.

Notícias digitais e videojogos ficam muito atrás
As subscrições de conteúdos noticiosos digitais apresentam uma adesão consideravelmente mais reduzida. Apenas 7,2% dos utilizadores de internet da União Europeia pagavam por websites de notícias, jornais digitais ou revistas online, uma percentagem muito inferior à registada nos serviços de filmes, séries e desporto.

Ainda mais abaixo encontram-se as subscrições relacionadas com cloud gaming, como o Xbox Game Pass. Este segmento representava apenas 6,1% dos utilizadores de internet da União Europeia, surgindo como a categoria com menor penetração entre as modalidades de subscrição digital analisadas.

Os números revelam, por isso, que o modelo de pagamento recorrente por conteúdos digitais está longe de ter a mesma expressão em todos os setores ou em todos os países. O streaming audiovisual destaca-se como a modalidade mais disseminada, enquanto a música e os podcasts apresentam uma adesão relevante, mas inferior, e os conteúdos noticiosos e os serviços de jogos na nuvem permanecem bastante mais limitados.

Subscrições de streaming enfrentam contestação dos consumidores
A expansão dos serviços de subscrição não tem, contudo, impedido o aparecimento de conflitos entre plataformas e consumidores. Nos últimos meses, algumas empresas de streaming foram alvo de processos judiciais relacionados, nomeadamente, com aumentos dos preços das subscrições.

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Nos Países Baixos, um grupo de defesa dos consumidores processou a Netflix, contestando aumentos de preços que terão chegado aos 75% desde 2017. A organização estima que os potenciais danos possam atingir 673 milhões de euros.

A Netflix também enfrenta contestação judicial noutros países europeus. Em abril, um tribunal de Roma considerou ilegais as subidas de preços praticadas pela plataforma em Itália. A empresa recorreu dessa decisão.

Na Alemanha, vários tribunais também decidiram a favor dos consumidores em processos relacionados com as condições das subscrições. Existem ainda processos em curso noutros países: em Espanha, uma ação judicial permanece pendente, enquanto na Áustria um processo terminou através de um acordo extrajudicial relativo a compensações.

Os dados de 2025 mostram, desta forma, um mercado europeu de subscrições digitais em forte expansão, mas profundamente desigual. Se na Irlanda, Dinamarca e Países Baixos a maioria dos utilizadores de internet já paga por serviços de filmes, séries ou desporto, em países como a Bulgária, a Eslovénia, a Letónia e a Lituânia esse comportamento continua a ser minoritário. Portugal, com 21,98% e a 19.ª posição, encontra-se abaixo da média comunitária e mais próximo da metade inferior da tabela do que dos países onde o streaming pago já faz parte dos hábitos digitais de uma maioria dos utilizadores.

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