XLIX BARÓMETRO: Empresas querem crescer, investir e transformar-se, mas precisam de melhores condições

A análise de Vítor Ribeirinho, CEO e Senior Partner da KPMG Portugal

Executive Digest

As empresas portuguesas entram na segunda metade de 2026 com perspetivas globalmente positivas e vontade de continuar a crescer, investir e inovar, apesar da incerteza provocada pelo contexto geopolítico internacional. Ao mesmo tempo, deixam um sinal claro de exigência quanto às condições necessárias para reforçar a competitividade: menos burocracia, maior previsibilidade e um enquadramento mais favorável ao desenvolvimento dos negócios.

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A leitura é de Vítor Ribeirinho, CEO e Senior Partner da KPMG Portugal, a propósito dos resultados da XLIX edição do Barómetro da Executive Digest, que mostram uma tendência de confiança empresarial que se tem mantido nos últimos meses.

De acordo com os dados, 46% das organizações preveem aumentar o investimento durante o segundo semestre deste ano, enquanto 59% antecipam um crescimento do negócio até ao final de 2026, comparativamente com os resultados alcançados em 2025.

Expansão de mercado continua no topo das prioridades

A confiança manifestada pelas empresas traduz-se também nas prioridades definidas para os próximos meses. A expansão de mercado e o crescimento económico ocupam o primeiro lugar, indicados por 36% das organizações.

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Logo depois surge a digitalização e a implementação de inteligência artificial, apontadas por 33% das empresas, num sinal de que a transformação tecnológica está a ganhar espaço nas estratégias empresariais e nos planos de crescimento.

Para Vítor Ribeirinho, estes resultados mostram que as empresas estão simultaneamente focadas em reforçar a presença nos mercados e em transformar os respetivos modelos de negócio.

Empresas entram numa nova fase da inteligência artificial

A evolução da inteligência artificial é outro dos pontos destacados pelo responsável da KPMG Portugal.

Vítor Ribeirinho refere os resultados do estudo “AI Pulse”, da KPMG, para defender que muitas empresas estão já a ultrapassar uma primeira etapa centrada na adoção desta tecnologia.

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O desafio passa agora pela capacidade de transformar a utilização da inteligência artificial em resultados concretos e mensuráveis para o negócio, colocando o foco na criação de valor e não apenas na implementação tecnológica.

Esta evolução ajuda a explicar o peso crescente da digitalização e da IA nas prioridades identificadas pelas empresas portuguesas para os próximos meses.

Fiscalidade ultrapassa burocracia entre os principais entraves

Apesar das perspetivas positivas para o crescimento e o investimento, o Barómetro revela também preocupações relevantes quanto às condições em que as empresas operam em Portugal.

A fiscalidade é apontada por 41% das organizações como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento empresarial, enquanto a burocracia é referida por 36%.

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Para Vítor Ribeirinho, estes números ajudam a explicar a importância atribuída pelas empresas à criação de um enquadramento mais simples, previsível e favorável à atividade económica.

As organizações consideram que a capacidade para competir, investir e expandir depende não apenas das decisões tomadas dentro das próprias empresas, mas também das condições estruturais existentes no país.

Empresas deixam prioridade clara para o Orçamento do Estado de 2027

Com a preparação do Orçamento do Estado para 2027 no horizonte, a simplificação administrativa e a redução da burocracia surgem destacadas entre as exigências do tecido empresarial.

Segundo o Barómetro da Executive Digest, 69% das organizações identificam estas áreas como grandes prioridades para o próximo Orçamento do Estado.

A leitura de Vítor Ribeirinho aponta, assim, para um tecido empresarial que mantém confiança na sua capacidade para crescer, investir e transformar os negócios, mas que exige simultaneamente condições mais favoráveis para concretizar essa ambição.

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A expansão para novos mercados, o investimento em inteligência artificial e a transformação dos modelos de negócio deverão continuar a marcar a estratégia das empresas durante a segunda metade de 2026. Do lado das políticas públicas, fiscalidade e burocracia permanecem entre os principais fatores apontados como condicionantes da competitividade.

Este testemunho de Vítor Ribeirinho, CEO e Senior Partner da KPMG Portugal, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do Barómetro.

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