Vladimir Putin terá ordenado aos serviços de informações e às forças militares russas que trabalhem, ao longo de 2026, para “destruir a NATO e a União Europeia por dentro”, através de uma estratégia que poderá passar por testar diretamente a capacidade de resposta da Aliança Atlântica e aumentar a pressão sobre a Moldávia.
A informação é avançada pelo ‘Kyiv Post’ com base numa investigação do ‘The New York Times’, que cita responsáveis de dois países com conhecimento de uma reunião secreta realizada em dezembro de 2025. Segundo essas fontes, Moscovo estará a atuar em pelo menos duas frentes: testar até onde os aliados estão dispostos a cumprir os compromissos de defesa coletiva e desestabilizar a Moldávia.
A avaliação dos serviços de informações dos EUA vai mais longe: a Rússia poderá tentar testar a determinação da NATO já neste outono.
De um ciberataque a uma incursão limitada
Um eventual teste não teria necessariamente de assumir a forma de uma invasão convencional. Entre os cenários considerados estão ciberataques, operações de sabotagem, ações protagonizadas por grupos armados sem identificação ou mesmo uma incursão militar limitada num país da NATO situado no flanco oriental da Aliança.
O objetivo poderia passar por criar uma situação suficientemente ambígua para provocar divisões entre os aliados sobre a origem do ataque e, sobretudo, sobre a necessidade de responder coletivamente.
O general Carsten Breuer, chefe das Forças Armadas alemãs, tem alertado precisamente para esta estratégia, defendendo que a Rússia já conduz operações híbridas diariamente contra países da NATO, sobretudo no flanco oriental.
Moldávia será a segunda prioridade de Putin
Mas é a Moldávia que surge como um dos elementos centrais da alegada estratégia do Kremlin. Responsáveis dos serviços de informações ocidentais disseram ao ‘New York Times’ que conquistar a Ucrânia continua a ser a principal prioridade de Putin, mas estabelecer controlo sobre a Moldávia estará imediatamente a seguir.
O objetivo atribuído ao Kremlin ultrapassa a simples influência política sobre Chisinau. Segundo as mesmas avaliações, Putin continuará a pretender conquistar o sul da Ucrânia e estabelecer um corredor terrestre que permita ligar território controlado pela Rússia à Moldávia.
Esse cenário alteraria profundamente o equilíbrio na região. Com cerca de 2,4 milhões de habitantes e situada entre a Ucrânia e território da NATO e da União Europeia, a Moldávia ficaria numa posição particularmente vulnerável.
Transnístria dá à Rússia uma presença militar
Há ainda um fator que distingue a Moldávia: a Transnístria. A região separatista pró-russa situada em território moldavo alberga há décadas tropas russas, dando a Moscovo uma presença militar junto à fronteira ucraniana.
Um maior controlo sobre a Moldávia poderia, desta forma, proporcionar ao Kremlin uma nova plataforma para pressionar a Ucrânia e aumentar simultaneamente a tensão no flanco oriental da NATO e da União Europeia.
Moscovo, contudo, não precisaria de avançar com uma invasão para provocar instabilidade.
Guerra na Ucrânia já está a atingir a Moldávia
A vulnerabilidade ficou demonstrada nos últimos meses. Em março, um ataque russo contra uma central hidroelétrica ucraniana provocou um derrame de petróleo que contaminou o rio Dniestre e perturbou o abastecimento de água na Moldávia, incluindo na terceira maior cidade do país.
Posteriormente, drones russos atingiram uma linha de alta tensão no oeste da Ucrânia responsável por fornecer uma parte significativa da eletricidade consumida na Moldávia.
A pressão estende-se à política. Enquanto Chisinau prossegue a aproximação à União Europeia, Moscovo tem sido acusado de explorar divisões internas, recorrer à desinformação e aproveitar vulnerabilidades económicas para tentar enfraquecer a orientação pró-europeia do país.
NATO protege infraestruturas críticas
Perante o aumento da ameaça híbrida, Polónia e países bálticos estão a reforçar a segurança de barragens, centrais elétricas, instalações de gás e outras infraestruturas críticas.
Entre os cenários que preocupam os serviços de informações está uma eventual operação de falsa bandeira realizada com drones de fabrico ucraniano.
Um responsável dos serviços de informações de um país báltico explicou à ‘Reuters’ que uma operação deste género poderia nem sequer ter como principal objetivo provocar grandes danos materiais. O verdadeiro efeito pretendido seria político: instalar confusão dentro da NATO, obrigando Washington e as capitais europeias a discutir quem realizou o ataque e se existe fundamento para uma resposta coletiva.
É precisamente essa ambiguidade que torna a estratégia atribuída a Moscovo particularmente difícil de enfrentar: em vez de atacar frontalmente a NATO ou a União Europeia, o objetivo seria explorar vulnerabilidades, alimentar divisões e testar progressivamente os limites da resposta ocidental.



















