Os Estados Unidos garantem ter capacidade para manter por tempo indeterminado o bloqueio naval ao Irão e preparam novas medidas económicas contra Teerão, numa altura em que as negociações para um cessar-fogo continuam sem avanços e as tensões no Estreito de Ormuz voltam a aumentar.
Segundo a Reuters, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a Marinha americana pode sustentar a operação através da rotação de navios na região, mantendo assim o bloqueio aos portos e à navegação iraniana.
A pressão deverá também aumentar no plano financeiro. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que Washington prepara novas medidas para a próxima semana e prometeu um nível de isolamento económico sem precedentes contra o Irão.
Estreito de Ormuz continua no centro da tensão
Com o entendimento provisório alcançado em junho praticamente desfeito, Teerão tem procurado aumentar a pressão sobre Washington através do controlo do Estreito de Ormuz.
Antes do início da guerra, em fevereiro, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente passava por esta rota estratégica.
O Irão tem atacado alguns navios que tentam atravessar a zona. Na quinta-feira à noite, dois navios pertencentes à estatal Abu Dhabi National Oil Company foram atacados durante a passagem pelo estreito, segundo a agência estatal dos Emirados Árabes Unidos, que atribuiu a responsabilidade a Teerão.
Donald Trump tem insistido que os Estados Unidos mantêm “controlo total” sobre a passagem marítima, uma versão rejeitada pelo Irão.
Teerão diz que não permitirá a reabertura plena da rota enquanto não forem satisfeitas algumas condições, entre elas o levantamento de sanções económicas e a libertação de ativos iranianos congelados.
Tráfego marítimo caiu drasticamente
De acordo com a Reuters, apenas oito navios atravessaram o Estreito de Ormuz na terça-feira, abaixo da média de cerca de 12 registada nos dez dias anteriores.
Antes da guerra, circulavam pela zona entre 130 e 140 embarcações.
Os Estados Unidos chegaram a suspender o bloqueio aos portos e à navegação iraniana durante um mês, em meados de junho, mas acabaram por repô-lo.
A medida cortou uma das principais fontes de divisas de Teerão e agravou o impacto provocado pelos ataques às infraestruturas energéticas iranianas.
Washington tinha anteriormente indicado que poderia levantar o bloqueio caso o Irão e Omã chegassem a um acordo que permitisse restabelecer a navegação comercial.
Oferta mundial de petróleo pode cair 4%
A tensão já está a ter impacto no mercado energético.
A Agência Internacional de Energia prevê uma queda de 4,3 milhões de barris por dia na oferta mundial de petróleo em 2026, o equivalente a cerca de 4%.
Há apenas um mês, a previsão apontava para uma redução de 3,7 milhões de barris diários.
Apesar deste cenário, os preços do petróleo recuaram mais de 2% na quinta-feira, depois de uma semana de ganhos, com os investidores concentrados nas perspetivas de menor procura mundial e no forte aumento das reservas de crude dos EUA.
Novos receios surgiram, contudo, após relatos de que os Houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, terão atacado com drones uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan.
Economistas citados pela Reuters antecipam ainda um forte abrandamento do crescimento mundial devido à guerra, admitindo mesmo riscos de recessão em algumas regiões caso o conflito se prolongue.
Trump tem ameaçado intensificar os ataques militares e atingir duramente o Irão, mas até agora evitou enviar tropas terrestres, ocupar ilhas estratégicas ou atacar instalações de dessalinização. Nos últimos dias, o presidente dos EUA tem indicado que pretende privilegiar a pressão económica.
Hegseth recusou comentar se foi um erro declarar um cessar-fogo em abril, numa fase em que os bombardeamentos mais intensos foram suspensos em troca de negociações de paz que acabaram por não resolver o conflito.
O secretário da Defesa limitou-se a afirmar que os Estados Unidos estão a fazer o necessário para impedir que o Irão venha a possuir uma arma nuclear.













