Madeleine McCann desapareceu há mais de 7000 dias — e o mistério continua sem resposta

Madeleine tinha três anos quando desapareceu do quarto onde dormia com os irmãos gémeos, Sean e Amelie, então com 18 meses.

Executive Digest

Passaram mais de 7000 dias desde que Madeleine McCann desapareceu do apartamento 5A do Ocean Club, na Praia da Luz, no Algarve, a 3 de maio de 2007. Quase duas décadas depois, o caso continua sem resposta definitiva e mantém investigações abertas em Portugal, no Reino Unido e na Alemanha.

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Madeleine tinha três anos quando desapareceu do quarto onde dormia com os irmãos gémeos, Sean e Amelie, então com 18 meses. Os pais, Kate e Gerry McCann, tinham saído para jantar com amigos num restaurante do empreendimento e foi Kate quem deu o alerta depois de encontrar a cama vazia e a janela aberta.

Desde então, o caso gerou milhares de pistas, falsos avistamentos, várias linhas de investigação, livros, séries, processos judiciais e até tentativas de usurpação de identidade, mas nenhuma explicação conclusiva sobre o que aconteceu à criança.

Investigação começou marcada por dúvidas e suspeitas

Logo após o desaparecimento, familiares e amigos procuraram sinais no apartamento, num cenário que ficou rapidamente condicionado pela presença de várias pessoas.

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Meses depois, cães especializados enviados do Reino Unido detetaram sinais que apontavam para possível presença de cadáver, sangue e fluidos corporais no apartamento e num automóvel alugado pelos McCann.

Esses elementos levaram a Polícia Judiciária portuguesa a investigar os pais como suspeitos. Em setembro de 2007, Kate e Gerry McCann foram interrogados e constituídos arguidos.

Segundo o El País, a investigação dirigida por Gonçalo Amaral chegou a considerar a hipótese de Madeleine ter morrido acidentalmente e de o corpo ter sido posteriormente ocultado.

Os pais regressaram ao Reino Unido poucos dias depois de serem formalmente considerados suspeitos. Gonçalo Amaral acabaria por ser afastado da investigação e deixou mais tarde a Polícia Judiciária.

Pais acabaram ilibados

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Gonçalo Amaral publicou depois livros sobre o caso, nos quais manteve a tese de negligência dos pais.

O primeiro, Maddie: a verdade da mentira, foi alvo de ações judiciais intentadas pelos McCann, mas acabou por ser autorizado pelas várias instâncias judiciais.

Em 2022, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos também deu razão às decisões que permitiram a publicação.

Apesar disso, Kate e Gerry McCann acabaram por ser afastados de qualquer suspeita pela investigação portuguesa.

Caso tornou-se também problema diplomático e mediático

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O desaparecimento de Madeleine rapidamente ultrapassou a esfera policial e transformou-se também numa questão política e diplomática entre Portugal e o Reino Unido.

A enorme pressão mediática levou dezenas de jornalistas de vários países ao Algarve e criou suspeitos que mais tarde foram ilibados.

Um dos casos mais conhecidos foi o de Robert Murat, britânico residente perto do Ocean Club, que foi constituído arguido depois de despertar suspeitas pela proximidade ao local e pela disponibilidade para colaborar.

A sua casa e o jardim foram alvo de buscas, as suas conversas foram analisadas e Murat foi interrogado, mas acabou por ser considerado inocente.

Christian Bruckner continua no centro das atenções

Ao longo dos últimos 19 anos, quatro pessoas foram formalmente investigadas como suspeitas.

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A mais recente é Christian Bruckner, cidadão alemão com antecedentes criminais e ligações ao Algarve.

Segundo o El País, entre os elementos que levantaram suspeitas estão a sua presença na região no dia do desaparecimento e declarações de conhecidos que afirmaram que Bruckner terá dito saber o que aconteceu a Madeleine.

O seu histórico criminal também pesou na investigação, mas até agora as autoridades alemãs não apresentaram uma prova definitiva que o ligue ao desaparecimento.

Bruckner saiu da prisão em 2025 depois de cumprir pena pela violação de uma mulher de 72 anos no Algarve.

Gonçalo Amaral rejeitou, contudo, esta linha de investigação e considerou Bruckner um bode expiatório.

Scotland Yard continua a investigar

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A investigação britânica mantém-se igualmente aberta.

A chamada Operação Grange, lançada pela Polícia Metropolitana de Londres há 15 anos, continua ativa.

Segundo informações recentes citadas pelo El País, a Scotland Yard estará também a analisar ficheiros digitais que poderão conter informação relevante sobre o eventual papel de Christian Bruckner.

A Polícia Judiciária portuguesa continua igualmente a trabalhar no caso.

Tentativas de assumir identidade de Madeleine chegaram a tribunal

O desaparecimento deu ainda origem a várias tentativas de pessoas se apresentarem como Madeleine McCann.

Um dos casos mais mediáticos envolveu Julia Wandelt, uma mulher polaca que durante cerca de dois anos afirmou ser a criança desaparecida.

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O caso chegou a tribunal no Reino Unido em 2025.

Wandelt foi condenada a seis meses de prisão por assediar os pais de Madeleine, incluindo através do envio de cartas dirigidas a Kate McCann nas quais a tratava por “mãe”.

Enquanto as investigações continuam, Kate e Gerry McCann mantêm ativa a fundação Find Madeleine e não desistiram da procura pela filha.

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