Greve por aumentos salariais 6.ª feira na Dan Cake, que critica “falsos motivos”

Os trabalhadores da Dan Cake na Póvoa de Santa Iria estarão em greve na sexta-feira para reivindicar melhores salários e condições de trabalho, anunciou hoje fonte sindical, mas a empresa considera a paralisação “intempestiva” e “fundamentada em falsos motivos”.

Executive Digest com Lusa

Os trabalhadores da Dan Cake na Póvoa de Santa Iria estarão em greve na sexta-feira para reivindicar melhores salários e condições de trabalho, anunciou hoje fonte sindical, mas a empresa considera a paralisação “intempestiva” e “fundamentada em falsos motivos”.

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Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab) refere que o protesto “resulta de vários plenários realizados ao longo do primeiro semestre de 2026, onde foi expresso um profundo descontentamento com os atuais salários, as condições de trabalho e a postura da administração”.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Biscuit International Portugal, dona da Dan Cake, considera que a greve “é manifestamente intempestiva e fundamentada em falsos motivos”.

Segundo o Sintab, as principais reivindicações dos trabalhadores são a valorização dos salários em 2026, já que os 10 euros já processados “são claramente insuficientes”, a “correta marcação de férias em conformidade com as [suas] necessidades” e a melhoria das condições de trabalho, “nomeadamente o combate às altas temperaturas e a disponibilização de água potável”.

Reclamam ainda o respeito pelos direitos relativos às faltas justificadas e às idas ao médico, a revisão do sistema de avaliação, o pagamento do subsídio de turno, o cumprimento do Contrato Coletivo de Trabalho no apoio a situações de doença e a disponibilização de equipamento de trabalho adequado às elevadas temperaturas existentes na unidade.

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A administração da Dan Cake argumenta que “a revisão salarial e das demais condições remuneratórias já foi concluída para 2026 há muito tempo, não tendo o sindicato, de forma minimamente construtiva, querido participar nesse processo”.

A empresa acusa ainda o Sintab de insistir na aplicação de um Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) “que, conforme reconhecido pelas entidades oficiais, já caducou, por caso exclusivamente imputável ao sindicato”.

Finalmente, garante que “a Dan Cake está continuamente a investir na melhoria das condições de trabalho dos seus trabalhadores, nomeadamente no que respeita à melhoria das condições dos postos de trabalho e das suas unidades”.

O Sintab argumenta, contudo, que “a empresa recusou dar respostas concretas às reivindicações” dos trabalhadores, apesar das “diversas tentativas de diálogo” promovidas pelo sindicato, “incluindo pedidos de reunião e da apresentação dos problemas sentidos pelos trabalhadores”.

Denuncia ainda o que considera ser uma “atitude de desrespeito” por parte dos representantes da Dan Cake nas reuniões realizadas e condena o silêncio perante um novo pedido de reunião feito no final de julho.

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Já a Biscuit International Portugal critica que o Sintab tenha avançado para esta greve “num período de férias, sem qualquer oportunidade de prévio e efetivo diálogo com a empresa”, que – assegura – “preza e respeita o papel das estruturas representativas dos trabalhadores, mas lamenta esta greve e não se revê nesta forma de sindicalismo”.

Em contraponto, o sindicato salienta que, “com esta greve, os trabalhadores exigem que a administração da Dan Cake abandone a postura de indiferença perante os problemas existentes e abra um processo de negociação sério que permita encontrar soluções para melhorar os salários, as condições de trabalho e o respeito pelos direitos de quem diariamente contribui para a atividade da empresa”.

Segundo o Sintab, foi enviada uma carta de denúncia desta situação à Biscuit International, em França, acionista da Dan Cake.

O protesto de sexta-feira segue-se a várias outras greves realizadas pelos trabalhadores da Dan Cake no ano passado.

Fundada em 1978 e de origem familiar, a Dan Cake tem operações industriais na Póvoa de Santa Iria e em Coimbra, onde produz vários produtos de pastelaria de marca própria. Em 2021 foi comprada pela Biscuit International, uma das principais empresas de pastelaria industrial no mercado europeu.

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