Companhia aérea obrigada a cancelar voo depois de criança se recusar a sentar e apertar o cinto

Avião da Porter Airlines já tinha deixado o terminal do aeroporto de Victoria, na Colúmbia Britânica, e seguia em direção à pista na noite de quinta-feira, com destino a Toronto, quando a tripulação percebeu que não poderia prosseguir em segurança

Francisco Laranjeira

Um voo doméstico no Canadá acabou cancelado e os passageiros tiveram de passar mais uma noite em terra por uma razão pouco habitual: uma criança não conseguia permanecer sentada com o cinto de segurança apertado.

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O avião da Porter Airlines já tinha deixado o terminal do aeroporto de Victoria, na Colúmbia Britânica, e seguia em direção à pista na noite de quinta-feira, com destino a Toronto, quando a tripulação percebeu que não poderia prosseguir em segurança.

Segundo o ‘The Independent’, a criança encontrava-se de pé sobre o banco e, apesar das sucessivas tentativas do progenitor e dos tripulantes de cabine, não foi possível mantê-la sentada e presa pelo cinto.

A tripulação decidiu então fazer regressar o avião ao terminal.

O problema é que aquilo que poderia parecer um atraso relativamente curto desencadeou uma sucessão de procedimentos que acabou por inviabilizar completamente o voo.

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Criança “escondia-se” debaixo do banco

Um dos passageiros contou posteriormente que a criança não parecia estar simplesmente a portar-se mal. Estaria assustada.

“Continuava a esconder-se debaixo do banco”, relatou Aryeh Kozuch à CBC, citado pelo ‘The Independent’.

Segundo o passageiro, quando tentavam colocar-lhe o cinto, a criança acabava por escorregar novamente por baixo do banco.

Perante a impossibilidade de garantir que permanecia devidamente sentada e presa, a tripulação não podia iniciar a descolagem.

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As normas da aviação canadiana exigem que os passageiros estejam sentados e com o cinto de segurança colocado durante a circulação do avião no solo, a descolagem e a aterragem. As crianças pequenas também têm de estar devidamente seguras, seja através de um sistema de retenção adequado ou, quando aplicável, ao colo de um adulto.

Regresso ao terminal demorou demasiado

Depois de tomada a decisão de regressar, foi necessário encontrar uma porta disponível, retirar do avião o adulto e a criança, recuperar a respetiva bagagem e voltar a tratar da documentação necessária para o voo.

Todo o processo demorou tanto tempo que surgiu um novo problema.

A pista do aeroporto tinha encerramento previsto para as 00h30 e já não havia margem suficiente para completar todos os procedimentos e fazer o avião descolar antes desse limite.

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A companhia ficou, assim, sem possibilidade de realizar o voo naquela noite.

Os restantes passageiros, que nada tinham a ver com o incidente, receberam ordem para abandonar também a aeronave.

“Demorou uma eternidade”

Hillary Hertzberg, outra passageira, contou à CBC que o processo se prolongou muito mais do que esperava.

“Demorou uma eternidade”, afirmou, explicando que a criança só saiu do avião por volta das 23h30.

Nessa altura, segundo a passageira, todos estavam dentro da aeronave há quase uma hora.

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O cancelamento deixou os restantes viajantes à procura de soluções para passar a noite e obrigou-os a reorganizar a viagem para Toronto.

O voo acabou por partir apenas na tarde de sexta-feira.

Companhia pede desculpa

A Porter Airlines confirmou que o avião não podia descolar enquanto a criança não estivesse devidamente segura.

“Pedimos desculpa pelo impacto que isto teve nos outros passageiros, que puderam partir num voo no dia seguinte”, afirmou Brad Cicero, porta-voz da companhia aérea, citado pelo ‘The Independent’.

Uma das passageiras defendeu que a transportadora deveria assumir as despesas adicionais provocadas pelo cancelamento.

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A Porter Airlines não esclareceu ao jornal se os passageiros seriam indemnizados pelos custos resultantes da noite inesperada em terra.

O episódio começou, assim, com uma criança que não conseguia permanecer sentada com o cinto colocado. Mas entre o regresso ao terminal, a retirada da bagagem e a documentação necessária, o relógio acabou por decidir o destino de todos os outros passageiros: quando os procedimentos ficaram concluídos, já era demasiado tarde para o avião partir.

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