Jovens vestidos de negro aguardam com expectativa concerto de Kanye West (Ye) no Algarve

Um público maioritariamente jovem, com o tom negro a dominar as indumentárias, aguardava hoje com expectativa pela abertura de portas do Estádio Algarve para o concerto do ‘rapper’ Kanye West, que regressa a Portugal após 15 anos.

Executive Digest com Lusa

*** Marta Duarte (texto) e Luís Forra (fotos), da agência Lusa ***

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Loulé, Faro, 07 ago 2026 (Lusa) — Um público maioritariamente jovem, com o tom negro a dominar as indumentárias, aguardava hoje com expectativa pela abertura de portas do Estádio Algarve para o concerto do ‘rapper’ Kanye West, que regressa a Portugal após 15 anos.

Raparigas de calções ou minissaias, óculos escuros futuristas, e rapazes com falsos coletes à prova de bala, calças ‘cargo’ e botas de combate, “vestiam” de negro a árida paisagem que envolve o estádio em Loulé que hoje recebe o norte-americano que se apresenta agora como Ye.

Fábio, de 29 anos, está exatamente assim vestido e explica à Lusa que a sua indumentária é inspirada na estética do álbum “Donda”. Para o brasileiro, a genialidade de Kanye West é estar constantemente a criar novos géneros musicais e a inspirar gerações de artistas.

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“Eu acho que os maiores nomes do ‘hip hop’ hoje em dia, do rap, se a gente pensar em Kendrick [Lamar], Drake, Travis Scott, todos eles tiveram uma inspiração em algum álbum do Ye, porque o som dele muda de álbum para álbum. E a cada álbum é uma invenção nova, é um género novo que ele, entre aspas, inventou naquela altura”, considera.

Relativamente às polémicas que têm marcado a carreira do ‘rapper’, nomeadamente devido à difusão de mensagens antissemitas, por sugerir que a escravidão era uma escolha e ser contra a vacina da covid-19, Fábio sublinha que já o “perdoou” e consegue separar a obra do artista em si.

“Eu tenho de acreditar no que ele disse. O que ele disse foi que teve um diagnóstico bipolar, autista, e pediu desculpas. Está fazendo o possível para se retratar com os povos com que ele foi ofensivo. Ele tem feito o que consegue para se retratar. E desde essa retratação não houve, até agora, um momento que mostre que não seja legítima essa mudança de perspetiva”, reconheceu.

Também Ana, de 20 anos, que veio do Porto para ver o concerto, diz conseguir separar a música de Kanye, que diz ser “icónica”, da sua personalidade polémica e desculpabiliza-o por momentos menos felizes, pois considera que “os artistas mais revolucionários são os que mais sofrem mentalmente”.

“Claro que reconheço que há coisas que ele diz que não são propriamente corretas de se dizer e podem ofender bastantes pessoas, mas também reconheço e tenho empatia pelo facto de ele ter doenças mentais que lhe possam ter feito dizer essas coisas. De certa forma, desculpabiliza”, refere.

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Sergio, de 19 anos, percorreu, com o amigo Roman, de 18, mais de 700 quilómetros para ver Kanye West atuar no Algarve, apenas uma semana depois de o terem visto na capital espanhola: “Kanye West é o meu artista favorito de sempre. Primeiro é o Michael Jackson, e depois, Kanye West”, diz Sergio com convicção.

Os jovens espanhóis, naturais de Madrid, estão vestidos a rigor, neste caso de negro, são igualmente condescendentes: “Eu não acho que ele seja antissemita, por exemplo. Simplesmente, às vezes ‘passa-se’, por causa da pressão que ele tem sobre ele. Não há nenhum artista do seu nível que não esteja louco, é impossível”, diz, ainda, Sergio.

Na zona onde se aguarda pela entrada de portas vê-se pouca população acima dos 30 anos, mas aqueles que se veem, na sua maioria, vieram com os filhos, como é o caso dos britânicos Andrew e Lynn, na casa dos 60 anos, que estão no Algarve de férias e foram ao concerto para comemorar o 18.º aniversário do filho.

O pai diz que não conhecer bem a música de Kanye, mas as polémicas, sim. Questionado sobre o que pensa da questão que envolveu a divulgação de mensagens antissemitas, responde: “Eu apoio a Palestina, então eu acho que muitas pessoas são silenciadas quando criticam Israel ou qualquer coisa que tenha a ver com Israel. Qualquer pessoa que mostre qualquer tipo de retórica anti-Israel é silenciada e criticada”, defende.

Em abril, o governo britânico proibiu a entrada do músico no país, devido a declarações antissemitas, algo de que Lynn diz discordar “absolutamente”, pois considera que a liberdade de expressão é muito importante e que as pessoas devem ser livres de dizer do que gostam, ou não.

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“Eu não acho que a música não deveria ser afetada pela política. Eu não concordo com isso. Assim como acho que o desporto não deveria ser afetado pela política. E eu também acredito que, se deixarmos de ter maus políticos, então isso desaparece. Temos de deixar as pessoas dizerem o que pensam serem responsáveis pelas suas palavras”, frisou.

Kannye West atua hoje no Estádio do Algarve, em Loulé, no âmbito de uma nova digressão internacional com o álbum “Bully”.

Este será o terceiro concerto do ‘rapper’ norte-americano em Portugal, depois de se ter estreado em 2006, no Cool Jazz Fest (Oeiras), e de ter regressado em 2011, ao festival Sudoeste (Zambujeira do Mar).

O artista proferiu, ao longo dos últimos anos, várias afirmações de teor antissemita, teorias da conspiração sobre a comunidade judaica e declarações de apologia ao nazismo.

Estas afirmações resultaram na suspensão das suas redes sociais, no cancelamento de contratos com marcas globais como a Adidas e até na proibição de entrar em determinados países.

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