A Embaixada de Israel em Portugal apelou ao cancelamento do concerto de Kanye West, marcado para esta sexta-feira no Algarve, acusando o artista de promover discurso de ódio, antissemitismo e referências de apoio a Adolf Hitler e ao nazismo.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, o embaixador Oren Rozenblat criticou duramente o rapper, também conhecido como Ye, recordando declarações em que este afirmou “gostar de Hitler” e ser “um nazi”.
Para o diplomata, estas posições ultrapassam a provocação e entram no domínio do discurso de ódio.
Embaixada pede intervenção da Câmara de Faro
A Embaixada de Israel em Portugal afirma ter pedido ao presidente da Câmara de Faro o cancelamento do espetáculo.
Oren Rozenblat defende que uma sociedade democrática não deve dar palco a alguém que, no seu entender, glorifica Hitler, promove o nazismo e sustenta posições antissemitas.
O diplomata apelou ainda aos cidadãos para não assistirem ao concerto, considerando que a sua realização representaria “uma vergonha para Portugal e para os portugueses”.
Rozenblat sublinha que a posição da embaixada não está relacionada com opiniões sobre Israel, mas com declarações dirigidas contra judeus.
O embaixador questiona ainda se o mesmo nível de tolerância seria aceite perante um artista que promovesse ódio contra pessoas negras, muçulmanas, cristãs ou LGBT.
Organização diz que cancelamento é “um não tema”
Torcato Jorge, CEO e cofundador da Raya Culture, promotora do evento, já tinha rejeitado a possibilidade de cancelamento do concerto.
Em declarações à Euronews, classificou o assunto como “um não tema” e atribuiu a polémica a desinformação.
Segundo o responsável, só existiria fundamento para impedir o espetáculo se os serviços de segurança considerassem o artista uma ameaça à ordem pública.
Torcato Jorge afirmou que o SIS não identificou Kanye West como uma ameaça nacional ou terrorista e garantiu que a organização cumpriu a legislação desde o início.
O promotor admite, ainda assim, que o caso se está a transformar numa questão política.
Na sua perspetiva, cada país é livre de decidir sobre a entrada de um cidadão no respetivo território, mas, dentro da União Europeia, nenhum Estado terá proibido formalmente a entrada de Kanye West.
Concerto surge depois de várias polémicas
Nos últimos anos, Kanye West tem sido alvo de críticas internacionais devido a declarações consideradas antissemitas e a outros comportamentos polémicos.
Entre os episódios que alimentaram a controvérsia estão também atitudes consideradas sexistas, incluindo o caso envolvendo a mulher, Bianca Censori, durante os Grammys.
Apesar de ter pedido desculpa por algumas declarações, a digressão europeia do rapper tem enfrentado vários obstáculos.
Atuações canceladas em vários países
No Reino Unido, três concertos previstos para julho no festival Wireless foram cancelados depois de o país revogar a autorização de entrada do artista.
Em França, Kanye West adiou um concerto em Marselha após críticas das autoridades locais.
Na Polónia, um espetáculo marcado para junho foi cancelado por motivos legais e formais, depois de críticas da ministra da Cultura às declarações do rapper.
Na Suíça, o FC Basel decidiu não avançar com um concerto previsto no seu estádio, justificando que não pretendia dar uma plataforma ao artista.
Também em Itália foi cancelado um espetáculo que deveria realizar-se em julho, em Reggio Emilia. As autoridades locais apontaram preocupações com segurança e ordem pública, incluindo o risco de protestos e distúrbios.
O concerto previsto para esta sexta-feira no Algarve mantém-se, para já, no centro da polémica entre a organização e a Embaixada de Israel em Portugal.
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