Elevador de ouro, piscina infinita e spa de luxo: o escritório flutuante de um multimilionário de apenas 27 anos

Construído em 2017 pelo estaleiro alemão Lürssen, o superiate foi apreendido em 2022 pelas autoridades dos Estados Unidos nas ilhas Fiji, na sequência das sanções impostas ao alegado proprietário, o oligarca russo Suleiman Kerimov

Francisco Laranjeira

Para a maioria das pessoas, um superiate de 106 metros é um símbolo de riqueza extrema. Para Abbas Sajwani, porém, é sobretudo um escritório. Aos 27 anos, o empresário do Dubai gere parte do seu império imobiliário a bordo do ‘Amadea’, um dos iates mais luxuosos do mundo, equipado com elevador revestido a ouro, piscina infinita, spa, cinema, heliporto e até um campo improvisado de pickleball.

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A história do ‘Amadea’ parece saída de um filme. Construído em 2017 pelo estaleiro alemão Lürssen, o superiate foi apreendido em 2022 pelas autoridades dos Estados Unidos nas ilhas Fiji, na sequência das sanções impostas ao alegado proprietário, o oligarca russo Suleiman Kerimov, após a invasão da Ucrânia. Depois de vários anos sob custódia das autoridades, acabou por ser leiloado em segredo no ano passado.

Foi aí que entrou Abbas Sajwani. O jovem empresário, filho do magnata imobiliário Hussain Sajwani, venceu o leilão por um valor nunca revelado, apenas um milhão de dólares acima da segunda melhor proposta. Um verdadeiro negócio, tendo em conta que o iate estava avaliado em cerca de 300 milhões de dólares quando foi apreendido e vale atualmente cerca de 250 milhões de dólares (aproximadamente 216 milhões de euros).

O novo proprietário garante que quase não alterou o interior porque já considerava o projeto praticamente perfeito. Entre os elementos que mais aprecia estão as paredes em madeira de teca trabalhada à mão, um bar esculpido em mármore grego e um piano de cauda pintado à mão por um histórico fabricante francês.

Mas o luxo vai muito além da decoração. O ‘Amadea’ dispõe de seis conveses, um jardim de inverno envidraçado, piscina infinita com bar integrado, spa completo com sauna, banho turco e salas de massagens, ginásio, cinema privado e heliponto. Durante a visita da ‘Forbes’, este último tinha sido transformado num campo de pickleball, uma solução que, segundo Sajwani, outros proprietários de iates acabaram por copiar.

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Apesar do cenário digno de férias permanentes, o empresário insiste que a rotina pouco muda quando está a bordo. Durante a semana, passa os dias em reuniões, chamadas por videoconferência e decisões de investimento, aproveitando apenas os fins de semana para desfrutar das comodidades do navio. “É mais uma casa do que uma casa de férias”, resume.

O crescimento da fortuna de Abbas Sajwani também tem contornos invulgares. Depois de investir na bolsa ainda adolescente e experimentar pequenos negócios, apostou durante a pandemia em ações de empresas dos Estados Unidos ligadas ao imobiliário e ao luxo. Segundo o próprio, transformou um investimento de cinco milhões de dólares em cerca de 25 milhões, capital que utilizou para entrar no mercado imobiliário de luxo do Dubai.

A partir daí, fundou a AHS Properties, especializada em empreendimentos de elevado padrão, e rapidamente acumulou uma fortuna estimada em 1,9 mil milhões de dólares. Entre os investimentos mais recentes está a compra do hotel Shangri-La Dubai por cerca de 300 milhões de dólares e o desenvolvimento de um gigantesco complexo urbano previsto para abrir em 2030.

Durante o verão, o ‘Amadea’ navega normalmente entre a Riviera Francesa e o Mónaco. No inverno, segue rumo às Caraíbas, onde o empresário continua a gerir os seus negócios a partir do mar. Afinal, para Abbas Sajwani, um superiate de centenas de milhões de euros não é apenas um luxo extremo: é simplesmente o local onde trabalha… e vive.

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