Mais de três mil especialistas e líderes empresariais lançam alerta global sobre o impacto da IA

O manifesto parte da possibilidade de a inteligência artificial se tornar muito mais poderosa durante a próxima década.

Revista de Imprensa

Mais de três mil economistas, académicos, gestores, engenheiros e especialistas em inteligência artificial subscreveram um manifesto internacional que pede uma resposta urgente aos efeitos económicos e sociais da tecnologia.

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A declaração alerta para o risco de destruição de emprego em larga escala, mas reconhece também que a inteligência artificial poderá melhorar os padrões de vida, aumentar a produtividade e criar novas oportunidades económicas.

De acordo com o Diário de Notícias, o documento, intitulado “Temos de agir agora: uma declaração sobre a transformação da economia pela IA”, foi divulgado em julho de 2026 e começou por reunir cerca de 200 economistas e personalidades de elevado perfil, incluindo vários vencedores do Prémio Nobel.

IA pode transformar a economia mais depressa do que a Revolução Industrial

O manifesto parte da possibilidade de a inteligência artificial se tornar muito mais poderosa durante a próxima década. Os subscritores consideram que a transformação económica poderá ultrapassar a provocada pela Revolução Industrial, mas acontecer num período muito mais curto.

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Entre os principais riscos está o desaparecimento de postos de trabalho em grande escala. Um estudo da Goldman Sachs, desenvolvido em parceria com a Universidade de Yale e divulgado em março, estima que cerca de 300 milhões de empregos em todo o mundo possam ficar expostos à automação por inteligência artificial ao longo de dez anos.

Ainda assim, a expansão da tecnologia também deverá criar novas funções, sobretudo na construção das infraestruturas necessárias para suportar centros de dados e sistemas de elevada capacidade computacional.

O mesmo trabalho antecipa a criação líquida de cerca de meio milhão de empregos, sobretudo entre trabalhadores da construção civil, engenheiros, eletricistas e profissionais ligados às redes de transmissão de energia.

Nobel da Economia e empresas tecnológicas entre os signatários

Segundo o Diário de Notícias, quase 700 signatários pertencem ao meio académico. A lista inclui laureados com o Prémio Nobel como Daron Acemoglu, Joseph Stiglitz, Philippe Aghion, Oliver Hart, Bengt Holmström, Alvin Roth, Paul Krugman, Ben Bernanke e Robert Shiller.

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Stanford é uma das instituições mais representadas, seguindo-se Harvard, a Harvard Business School, o MIT e a Universidade de Toronto. Universidades como Oxford, Chicago e Columbia também contam com vários investigadores entre os subscritores.

A iniciativa foi organizada pelo Stanford Digital Economy Lab e contou desde o início com a participação de profissionais ligados à OpenAI e à Anthropic. Também há representantes de empresas como Google, Microsoft, Meta, NVIDIA, IBM, Amazon, Cisco e Lenovo, além de consultoras e instituições financeiras internacionais.

Portugueses também assinam o manifesto

A lista inclui mais de uma dezena de investigadores portugueses ou ligados a instituições de ensino superior em Portugal.

Entre os nomes referidos encontram-se Luís Barreto Xavier, Manuel Gomes Samuel, José Valente de Oliveira, João Claro, José Fontes, Marco Fernandes e Carlos J. Costa.

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No total, o manifesto conta ainda com mais de 300 signatários associados ao setor empresarial, incluindo profissionais de empresas tecnológicas, consultoras e grupos financeiros.

Apelo à criação de salvaguardas e novas instituições

Os subscritores defendem que economistas, decisores políticos e líderes tecnológicos devem agir desde já para compreender melhor os efeitos da inteligência artificial na economia.

O objetivo passa por criar incentivos, salvaguardas e instituições capazes de orientar a tecnologia para complementar o trabalho humano e distribuir de forma mais ampla os benefícios económicos e sociais.

O manifesto não apresenta um modelo regulatório concreto, mas chama a atenção para a necessidade de preparar respostas nacionais e internacionais num momento em que a inteligência artificial exige investimentos elevados em financiamento, semicondutores, energia, centros de dados, matérias-primas e água para arrefecimento dos servidores.

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