Uma publicação da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, nas redes sociais, destinada a demonstrar a sua dedicação ao cargo, acabou por desencadear uma onda de críticas e reacendeu a polémica em torno do seu Governo.
Segundo o ‘El País’, Takaichi escreveu na rede social X que tem dormido “entre zero e três horas por dia” desde o início de julho, explicando que passa os dias a analisar documentos oficiais e as poucas horas livres a tratar das tarefas domésticas, como lavar roupa, limpar a casa, coser roupa e lavar a loiça.
7月に入ってからの土日は、公邸で『骨太方針』『日本成長戦略』『地域未来戦略』に関する分厚い資料を早朝から深夜まで読み続け、2週目は与党審査で加筆修正された部分を熟読検討するなど、高市内閣が初めて骨太方針や概算要求段階から関われる令和9年度予算や本格的に取り組める中長期の成長戦略に向…
— 高市早苗 (@takaichi_sanae) July 20, 2026
A mensagem, publicada no passado dia 20, acumulou dezenas de milhares de reações e milhares de comentários, muitos deles críticos da imagem de dedicação extrema que a líder japonesa procurou transmitir.
Vários utilizadores acusaram Takaichi de glorificar uma cultura de excesso de trabalho que há décadas é alvo de críticas no Japão, onde fenómenos como o karoshi — morte por excesso de trabalho — continuam a preocupar especialistas e autoridades.
Outros consideraram que a publicação procura desviar atenções da queda da popularidade do Governo e das polémicas que têm marcado os últimos meses.
Uma das respostas mais partilhadas foi a de uma trabalhadora com deficiência, utilizadora de cadeira de rodas, que descreveu a sua própria rotina exaustiva e afirmou que continua, silenciosamente, a pagar os impostos que sustentam o Estado. “Quando vejo publicações como a sua, não consigo deixar de pensar: não é isso o óbvio?”, escreveu.
Outros utilizadores sugeriram que a primeira-ministra deveria delegar parte das tarefas domésticas e concentrar-se na resolução dos problemas que mais preocupam os japoneses, como a desvalorização do iene e o aumento do custo de vida.
A controvérsia surge numa altura em que a popularidade de Takaichi continua a cair. Depois de ter iniciado o mandato com uma taxa de aprovação próxima dos 70%, uma sondagem recente do Mainichi Shimbun indica que esse valor desceu para 41%.
Segundo o ‘El País’, a pressão política aumentou ainda mais devido às acusações de que um assessor próximo da primeira-ministra terá recorrido a vídeos gerados por inteligência artificial para desacreditar adversários internos durante a disputa pela liderança do Partido Liberal Democrático, em 2025.
Takaichi nega qualquer envolvimento. Esta semana apresentou um documento assinado pelo assessor Takeshi Kinoshita, no qual este rejeita ter criado ou distribuído os alegados vídeos difamatórios.
A oposição, porém, considera insuficiente essa explicação e continua a exigir que Kinoshita seja ouvido no Parlamento para esclarecer o caso.
Enquanto isso, uma simples publicação sobre noites mal dormidas acabou por transformar-se num símbolo das dificuldades políticas da primeira-ministra, alimentando o debate sobre liderança, cultura de trabalho e transparência no Governo japonês.














