Galp: Da estrada para a rede

A mobilidade eléctrica está a transformar mais do que a forma como nos deslocamos. para a Galp, é também uma oportunidade para repensar a forma como as cidades produzem, armazenam e gerem energia

Executive Digest

Por todas as latitudes, cidades, empresas e cidadãos procuram soluções que permitam reduzir emissões, melhorar a qualidade de vida urbana e reforçar a competitividade económica. Neste contexto, a electrificação dos transportes assume um papel central, mas o seu verdadeiro impacto vai muito além da substituição de motores de combustão por baterias.

Estamos perante uma transformação estrutural da forma como produzimos, distribuímos e consumimos energia. E é precisamente nessa convergência entre mobilidade, energia e tecnologia que se encontra uma das maiores oportunidades da próxima década.

A evolução da mobilidade eléctrica em Portugal demonstra que esta mudança está em curso. Na Galp, temos assistido a um crescimento muito expressivo da procura, acompanhando a aceleração da adopção dos veículos eléctricos.

Desde 2020, duplicámos anualmente o número de tomadas da nossa rede e, em 2025, atingimos um novo máximo de 2,1 milhões de sessões de carregamento. Hoje, disponibilizamos mais de 9300 tomadas na Península Ibérica, resultado de um investimento acumulado de cerca de 60 milhões de euros realizado desde 2020. Este crescimento antecipa a mudança nos hábitos de mobilidade.

Observamos uma crescente relevância do carregamento em casa e nos locais de trabalho, complementada por uma rede pública robusta que assegura confiança, conveniência e cobertura territorial. Ao mesmo tempo, o carregamento integra- -se cada vez mais nos destinos do quotidiano – centros comerciais, escritórios, espaços de serviços e locais de lazer – tornando a experiência mais simples e natural para os utilizadores.

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Nas viagens de longa distância, a disponibilidade de carregamento ultra-rápido é igualmente determinante para reduzir a “ansiedade de autonomia” dos veículos eléctricos. Foi com esse objectivo que concluímos recentemente a infra-estrutura de carregamento da A1 e da A2, criando um corredor eléctrico que liga o Norte ao Sul do país, através de oito hubs ultra-rápidos localizados em Pombal, Aveiras, Alcácer do Sal e Aljustrel. Com 96 tomadas distribuídas ao longo de mais de 500 quilómetros, este investimento de seis milhões de euros representa um passo importante para eliminar as barreiras associadas à autonomia e reforçar a confiança dos condutores.

Da mobilidade ao sistema energético

O desafio da electrificação, porém, não se limita à expansão da infra-estrutura. À medida que o número de veículos eléctricos cresce, torna-se essencial garantir uma integração eficiente com o sistema eléctrico.

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A resposta passa por soluções inteligentes de gestão da energia. Tecnologias de smart charging permitem ajustar automaticamente o carregamento aos períodos de menor procura da rede, aos momentos em que existe maior disponibilidade de energia renovável ou às horas em que a electricidade apresenta preços mais competitivos. Esta f lexibilidade beneficia simultaneamente consumidores, operadores de rede e o sistema energético, reduzindo custos, evitando investimentos adicionais em infra-estrutura e facilitando a integração de fontes renováveis.

Num horizonte mais avançado, os veículos eléctricos poderão assumir um papel ainda mais relevante através de soluções bidireccionais. Tecnologias como Vehicle-to- -Building (V2B) ou Vehicle-to-Grid (V2G) permitirão utilizar a bateria do automóvel não apenas para mobilidade, mas também como recurso energético. Um veículo poderá armazenar energia solar durante o dia e disponibilizá-la posteriormente a uma habitação, edifício ou mesmo à rede eléctrica quando necessário.

Esta evolução transforma o veículo eléctrico numa peça importante do sistema energético do futuro. Deixa de ser apenas um meio de transporte para se tornar um activo de armazenamento, capaz de aumentar a eficiência, a flexibilidade e a resiliência das cidades.

O mesmo princípio aplica-se à crescente descentralização da produção energética. À medida que mais consumidores instalam painéis solares e participam em comunidades de energia, cresce também a necessidade de maximizar o aproveitamento local da electricidade produzida. Os veículos eléctricos poderão desempenhar aqui um papel fundamental, funcionando como uma extensão natural destes ecossistemas energéticos e contribuindo para aumentar o autoconsumo e reduzir custos.

Construir as cidades energéticas do futuro

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É por isso que a visão da Galp para a mobilidade eléctrica não se esgota na instalação de carregadores. O nosso posicionamento é o de um operador integrado da transição energética, combinando mobilidade eléctrica, produção renovável, armazenamento, soluções de gestão inteligente de energia e serviços digitais.

A digitalização é um dos principais aceleradores desta transformação. Ao contrário do modelo tradicional dos combustíveis líquidos, a mobilidade eléctrica nasceu num ambiente totalmente conectado. A capacidade de recolher e analisar dados em tempo real permite oferecer uma experiência mais personalizada, desenvolver tarifários dinâmicos, optimizar rotas e antecipar necessidades de carregamento.

Na Galp, reforçámos esta capacidade através da Daloop, a nossa software house especializada em mobilidade eléctrica. Esta aposta permite-nos desenvolver internamente soluções digitais que colocam o cliente no centro da experiência e garantem uma evolução contínua dos serviços prestados.

A colaboração entre empresas energéticas, municípios e sector privado será igualmente decisiva para acelerar esta transformação. A simplificação dos processos de licenciamento continua a ser um dos desafios mais relevantes para a expansão das infra-estruturas de carregamento. Existe hoje um consenso alargado sobre a necessidade de descarbonizar os transportes, mas a concretização dessa ambição exige maior agilidade regulatória e uma coordenação mais eficiente entre entidades públicas e privadas.

Ao mesmo tempo, importa reconhecer que a electrificação, embora fundamental, não será a única resposta para todos os segmentos da mobilidade. A posição da Galp é clara: tudo o que puder ser electrificado deve ser electrificado. No entanto, sectores como a aviação, o transporte marítimo ou determinadas operações de transporte pesado continuarão a necessitar de moléculas.

Os combustíveis renováveis e hidrogénio de origem renovável terão um papel importante na descarbonização dos segmentos mais difíceis de electrificar. Mais do que uma competição entre tecnologias, a transição energética exigirá uma combinação de soluções capazes de responder às diferentes necessidades de cada sector.

Quando olhamos para 2030, é possível antecipar cidades mais inteligentes, edifícios energeticamente mais autónomos, redes eléctricas mais digitais e veículos totalmente integrados no sistema energético. A tecnologia será um facilitador essencial, mas o verdadeiro objectivo permanece simples: garantir que cidadãos e empresas têm acesso à energia de que necessitam, quando necessitam, de forma conveniente, competitiva e sustentável.

É nesse futuro que a Galp pretende continuar a desempenhar um papel de liderança. Não apenas como fornecedora de energia, mas como integradora de soluções que ligam produção renovável, armazenamento, mobilidade eléctrica, combustíveis de baixo carbono e serviços digitais. Uma proposta de valor única para pessoas, empresas e cidades.

Porque a mobilidade do futuro não depende apenas de veículos mais eficientes. Depende da capacidade de construir um sistema energético mais inteligente, mais integrado e mais sustentável.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Mobilidade urbana/ smart cities”, publicado na edição de Julho (n.º 244) da Executive Digest.

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