“Executar”

Opinião de Ricardo Florêncio, CEO do Multipublicações Media Group

Executive Digest

Portugal sabe discutir tudo, menos o que interessa. Discutimos declarações avulsas, episódios menores, polémicas que nascem e morrem na mesma semana. Gastamos energia colectiva em ruído. E, enquanto isso, os problemas sérios, os que exigem decisão, investimento ou coragem, continuam à espera. São adiados, mais uma vez. É verdade que a economia continua a funcionar. A até crescemos no segundo trimestre de 2026. Podíamos comemorar. Mas, a pergunta que devia incomo- dar-nos não é: Crescemos? É: Quanto mais poderíamos ter crescido, se não estivéssemos constantemente a adiar decisões? Porque é isso que fazemos. Adiamos. E adiar tornou-se, sem que ninguém o tenha decidido formalmente, a nossa estratégia nacional.

Há um clima de suspeição que paralisa. Decidir passou a ser um risco maior do que não decidir. E há uma frase que já ouvimos tantas vezes que quase deixou de nos chocar: nunca ninguém foi verdadeiramente colocado em causa por não decidir nada. O imobilismo protege. A ousadia expõe. Mas basta alguém tomar uma decisão que mexa com os pequenos poderes instalados, locais, sectoriais, corporativos, para que o caos se instale. Surgem os interesses feridos, as vozes indignadas, os processos que se arrastam. E o decisor aprende, da pior forma, que em Portugal é mais seguro não fazer nada. Não podemos continuar assim. Não, quando o Mundo à nossa volta decide, executa, corrige, e volta a decidir, a uma velocidade que não espera pelos nossos consensos.

Portugal não precisa de mais diagnósticos, nem mesmo de planos. Já sabemos quais são os problemas que vale a pena resolver. O que falta é a coragem colectiva para os enfrentar sem medo do pequeno poder que se sente ameaçado. Chega de discutir o que não importa. Chega de recompensar quem não decide. É tempo de decidir. É tempo de executar.

Editorial publicado na revista Executive Digest n.º 244 de Julho de 2026

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