Uma investigação divulgada pela CNN Portugal e pelo Nascer do Sol revela que madeiras provenientes do desmantelamento de antigas linhas ferroviárias terão sido utilizadas na construção de uma mesa e bancos numa propriedade de Luís Neves, antigo diretor nacional da Polícia Judiciária. Segundo o canal, a alegada oferta ocorreu em 2025, durante um almoço realizado na sede da PJ, em Lisboa, que assinalava uma homenagem à então REFER (Rede Ferroviária Nacional) pela colaboração prestada numa operação conduzida pela Judiciária.
De acordo com a investigação, durante esse encontro, um responsável da empresa pública terá referido que decorria o desmantelamento de uma linha ferroviária, momento em que Luís Neves terá manifestado interesse nas antigas travessas de madeira, afirmando: “Gostava muito de ter umas sulipas dessas para fazer uma mesa e uns bancos corridos para uma quinta minha.” Ainda segundo os relatos citados, o representante da empresa respondeu que teria “muito gosto em oferecê-las”, seguindo-se uma conversa sobre a forma de transportar o material pesado até uma propriedade situada em Odemira.
A reportagem refere que Luís Neves indicou ter “um homem” para tratar da logística, tarefa que acabou por ser assegurada pelo empreiteiro João Carvalho, de Barcelos. Em declarações ao Nascer do Sol, o empresário confirmou ter transportado as travessas e construído uma mesa e dois bancos corridos, trabalho que, segundo afirmou, concluiu há cerca de dois meses. “Fiz a mesa e os bancos para aí há dois meses. Juntei-lhe quatro traves. Uma pegada à outra. Está muito na moda”, declarou, descrevendo a obra que, segundo a investigação, é visível em imagens aéreas divulgadas esta semana pela TVI.
Questionado sobre o caso, o Ministério da Administração Interna não respondeu às perguntas enviadas pelos jornalistas. Já o gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou que o governante “não tem conhecimento” da situação, remetendo os esclarecimentos para a Infraestruturas de Portugal (IP).
Em resposta à investigação, a Infraestruturas de Portugal garantiu que “não existem quaisquer registos na IP relativamente a alienação dos referidos materiais ou cedência a título gracioso”, afastando assim a existência de documentação que comprove uma eventual entrega das madeiras. A reportagem não refere qualquer reação pública de Luís Neves às alegações.














