Cientistas criam material inspirado no Wolverine que se regenera sozinho e pode durar séculos

Nova tecnologia desenvolvida por engenheiros permite reparar danos internos de forma repetida, aumentando significativamente a durabilidade de componentes usados em aviões, carros e turbinas eólicas.

Patrícia Moura Pinto

Uma equipa de engenheiros desenvolveu um material inovador capaz de se autorreparar mais de mil vezes, abrindo caminho para uma nova geração de componentes mais duráveis e sustentáveis. A descoberta poderá ter impacto direto em setores como a aviação, a indústria automóvel e as energias renováveis.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

De acordo com o El Economista, investigadores da Universidade Estatal da Carolina do Norte e da Universidade de Houston criaram um compósito de fibra com uma capacidade inédita de regeneração. Este material foi concebido para responder a um dos maiores desafios da engenharia moderna: o desgaste e a “fadiga” estrutural ao longo do tempo.

Atualmente, muitos componentes industriais são fabricados com polímeros reforçados com fibras, conhecidos pela sua leveza e resistência. No entanto, apresentam uma limitação significativa: a fragilidade interna. Sob pressão constante ou impactos, as fibras podem separar-se da matriz, comprometendo a integridade da estrutura.

Como funciona o material autorreparador

A inovação baseia-se numa abordagem dupla. Por um lado, os engenheiros introduziram uma camada flexível, produzida através de impressão 3D, no interior da estrutura rígida. Esta camada melhora a resistência inicial do material.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Por outro lado, o compósito incorpora finas camadas de aquecedores de carbono. Quando o sistema deteta fissuras internas, ou quando é ativado para manutenção,  é aplicada uma corrente elétrica que gera calor. Esse calor derrete a camada flexível, permitindo selar as fissuras. Após o arrefecimento, o material solidifica novamente, recuperando a sua integridade estrutural.

Embora já existam materiais com capacidade de autorreparação, a grande diferença desta tecnologia está na sua durabilidade. Até agora, estes sistemas perdiam eficácia após poucos ciclos de utilização. Neste caso, os testes demonstraram que o material consegue suportar mais de 1.000 ciclos consecutivos de dano e reparação.

Aplicações e impacto futuro

Os investigadores estimam que este material poderá manter-se funcional entre 125 e 500 anos, o que representa um salto significativo face às soluções atuais. Esta longevidade poderá reduzir custos de manutenção e substituição, além de diminuir o impacto ambiental associado à produção de novos componentes.

A aplicação desta tecnologia em hélices de turbinas eólicas, peças de aeronaves ou componentes automóveis poderá transformar a forma como se projetam e mantêm infraestruturas críticas, tornando-as mais eficientes e sustentáveis a longo prazo.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.