Trump revela planos para a sua biblioteca: muito ouro, uma estátua gigante de si próprio, um museu de aviões… e nenhum livro

O mais recente projeto de Donald Trump promete dar que falar: uma biblioteca presidencial onde não há livros, mas há ouro e uma estátua gigante do próprio.

Patrícia Moura Pinto

Donald Trump revelou recentemente os planos para a sua futura biblioteca presidencial, um projeto que está já a gerar controvérsia tanto pelo seu conceito como pela sua localização. O edifício será marcado por um estilo luxuoso, com abundância de elementos dourados, uma estátua gigante do próprio Trump e até um museu dedicado a aeronaves – mas sem espaços tradicionais de leitura ou livros.

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Um projeto grandioso e fora do convencional

O projeto, apresentado através de um vídeo divulgado na rede social Truth Social, mostra uma torre de vidro imponente a erguer-se no centro de Miami. O edifício contará com 47 andares, numa referência direta ao facto de Donald Trump ser o 47.º presidente dos Estados Unidos.

No interior, destaca-se um vasto átrio onde estará exposto um Air Force One, alegadamente oferecido pelo Emir do Qatar e avaliado em cerca de 400 milhões de dólares. Uma escadaria rolante dourada dará acesso aos pisos superiores, reforçando a estética de opulência associada ao projeto.

De acordo com o El Espanol, as imagens divulgadas não mostram qualquer sala de leitura ou biblioteca tradicional. Em vez disso, o espaço inclui um auditório dominado por uma enorme estátua dourada de Trump e várias referências a locais emblemáticos da sua presidência, como o Salão Oval ou o salão de baile da Ala Leste da Casa Branca.

Financiamento milionário e liderança familiar

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A iniciativa está a ser liderada por Eric Trump, filho do ex-presidente, que dirige a fundação responsável pelo projeto em conjunto com Michael Boulos, marido de Tiffany Trump. O objetivo é angariar cerca de mil milhões de dólares para a construção.

O financiamento deverá vir, em parte, de doações privadas. Trump terá também manifestado intenção de contribuir com fundos provenientes de processos judiciais em curso contra várias empresas de media e tecnologia.

O terreno escolhido para a construção, avaliado em cerca de 60 milhões de euros, foi transferido para a fundação com o apoio do governador da Florida, Ron DeSantis, apesar de contestação pública e de um processo judicial que acabou por não travar a decisão.

Polémica com a comunidade cubana

A localização da futura biblioteca é um dos principais pontos de discórdia. O edifício será construído ao lado da Freedom Tower, um símbolo histórico para a comunidade cubana de Miami, que ali encontrou refúgio nas décadas de 1960 após fugir do regime de Fidel Castro.

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Muitos residentes receiam que a nova torre venha a ofuscar a importância histórica da Freedom Tower, gerando tensão numa cidade onde vivem cerca de 700 mil cubanos.

O conceito de biblioteca presidencial em causa

Nos Estados Unidos, as bibliotecas presidenciais são tradicionalmente espaços dedicados à preservação de arquivos, documentos e materiais relacionados com o mandato dos presidentes. Esta tradição remonta a Franklin D. Roosevelt e é atualmente gerida pela Administração Nacional de Arquivos e Registos.

Normalmente, estes espaços incluem bibliotecas, arquivos e museus acessíveis ao público. Exemplos conhecidos incluem as bibliotecas de John F. Kennedy, em Boston, e de Ronald Reagan, na Califórnia, esta última famosa por exibir um avião presidencial Boeing 707.

No entanto, o projeto de Trump parece afastar-se deste modelo tradicional, apostando mais numa abordagem museológica e simbólica do que documental.

Um projeto à imagem de Trump

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A nova biblioteca presidencial reflete claramente a marca pessoal de Donald Trump: grandiosidade, luxo e uma forte componente visual. A inclusão de elementos como ouro, uma estátua monumental e referências à sua carreira política e empresarial reforça essa identidade.

Ainda assim, a ausência de livros e de espaços de leitura levanta questões sobre o verdadeiro propósito do edifício, num conceito que desafia a tradição das bibliotecas presidenciais nos Estados Unidos.

À medida que o projeto avança, continua a dividir opiniões entre apoiantes e críticos, prometendo manter-se no centro do debate público nos próximos tempos.

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