Uma depressão atmosférica complexa poderá condicionar o estado do tempo em Portugal durante vários dias, entre 18 e 22 de março, afetando primeiro os Açores e, posteriormente, a Madeira e o território continental. O sistema, que poderá vir a receber o nome “Therese”, apresenta características meteorológicas particularmente complexas devido à presença de vários núcleos depressionários, o que torna as previsões mais incertas e difíceis de definir com precisão.
As previsões são do portal especializado LusoMeteo, que indica que esta perturbação ciclónica poderá provocar vários episódios de mau tempo nas diferentes regiões do país, embora com impactos distintos entre arquipélagos e continente.
Segundo a análise meteorológica, os primeiros efeitos deverão sentir-se nos Açores entre os dias 18 e 19 de março, num episódio marcado não apenas por vento e agitação marítima, mas também por frio invulgar para o arquipélago.
Sistema meteorológico complexo e difícil de prever
De acordo com os especialistas, esta depressão apresenta uma estrutura particularmente complexa, com vários núcleos de baixa pressão, o que aumenta a incerteza das previsões.
Pequenas alterações na posição desses núcleos podem provocar mudanças significativas no impacto final do sistema meteorológico. Inicialmente, os modelos indicavam um cenário de menor instabilidade no território continental, mas as atualizações mais recentes têm apontado para uma intensificação da precipitação em algumas regiões.
Um dos modelos meteorológicos mais fiáveis, o modelo europeu ECMWF, passou a indicar maior probabilidade de chuva no Centro e Sul do país, sobretudo no litoral e no Algarve.
Esta alteração resulta de uma mudança na circulação atmosférica associada à depressão. Em vez de um fluxo mais seco proveniente do interior da Península Ibérica, o sistema poderá transportar ar marítimo húmido do Atlântico, aumentando o potencial de precipitação e instabilidade.
Incerteza ainda significativa nas previsões
Apesar das tendências já identificadas, os meteorologistas sublinham que o grau de incerteza continua elevado.
Nos Açores, por exemplo, os diferentes modelos meteorológicos apresentam cenários bastante distintos no que diz respeito à intensidade do vento. O modelo americano GFS prevê rajadas máximas na ordem dos 100 km/h, enquanto o modelo ICON aponta para valores que podem atingir 130 km/h.
Situação semelhante verifica-se na Madeira, onde as projeções variam entre 70 a 80 km/h e cerca de 110 km/h.
No caso do continente, as divergências são ainda mais evidentes. Alguns modelos indicam pouca precipitação, enquanto outros apontam para chuva significativa em várias regiões, o que demonstra a dificuldade em prever com precisão a evolução final do sistema.
Origem do possível nome “Therese”
Inicialmente, esperava-se que esta depressão pudesse receber o nome “Samuel”. No entanto, essa designação acabou por ser atribuída por outro serviço meteorológico europeu.
De acordo com a análise divulgada, o serviço meteorológico de Andorra acabou por nomear uma depressão com esse nome devido aos impactos previstos no Mediterrâneo. Assim, caso o sistema que afetará Portugal venha a ser oficialmente nomeado, o próximo nome da lista será “Therese”.
Açores podem enfrentar frio invulgar e vento forte
Os Açores deverão ser a primeira região a sentir os efeitos da depressão.
Embora o arquipélago esteja habituado a episódios de vento e agitação marítima, esta situação poderá ter uma característica menos comum: temperaturas mais baixas do que o habitual.
Normalmente, episódios de vento forte nos Açores são acompanhados por tempo relativamente ameno. Desta vez, porém, a situação poderá ser diferente.
Modelos meteorológicos indicam a possibilidade de queda de neve a cerca de 500 metros de altitude, segundo as projeções do modelo europeu ECMWF, cenário que também é admitido pelo modelo GFS.
Mesmo nas zonas mais baixas, as temperaturas poderão ser relativamente baixas para os padrões locais, com valores entre 5ºC e 7ºC, acompanhados por vento forte.
Sensação térmica negativa devido ao vento
A combinação de vento forte e temperaturas baixas poderá provocar uma sensação térmica bastante inferior aos valores registados nos termómetros.
Em alguns locais, o chamado efeito “windchill” poderá fazer com que a sensação térmica desça abaixo dos 0ºC, uma situação pouco habitual no arquipélago.
Segundo as previsões, o vento poderá soprar de forma persistente durante vários dias, com rajadas entre 70 e 90 km/h, iniciando-se na segunda-feira à tarde e prolongando-se possivelmente até sexta-feira.
O agravamento mais significativo do estado do tempo deverá ocorrer entre a madrugada de quarta e quinta-feira, quando se prevê o pico da depressão.
Nessa fase, as rajadas poderão atingir 130 km/h nas zonas mais expostas das ilhas centrais e orientais, o que poderá justificar a emissão de avisos meteorológicos de nível laranja.
Ondas até 14 metros no Atlântico
Outro dos riscos associados a este sistema meteorológico é a agitação marítima significativa. As previsões apontam para ondas que poderão atingir entre 10 e 14 metros de altura máxima, especialmente durante o período de maior intensidade da depressão.
Este cenário poderá representar um risco elevado para atividades marítimas e zonas costeiras.
Após afetar os Açores, a depressão deverá deslocar-se para leste, aproximando-se do arquipélago da Madeira a partir de quinta-feira.
Numa primeira fase, são esperados aguaceiros fortes, seguidos de um aumento significativo do vento.
Algumas simulações meteorológicas indicam rajadas que poderão ultrapassar 100 km/h em determinados locais.
O modelo ICON sugere que a depressão poderá deslocar-se em cavamento de nordeste para sudoeste, aproximando-se da Madeira entre quinta e sexta-feira.
Caso este cenário se confirme, o período de maior intensidade do vento poderá ocorrer durante a madrugada de sexta-feira.
Outros modelos, como o ECMWF, admitem que as rajadas possam atingir até 130 km/h, embora este cenário ainda careça de confirmação.
Também na Madeira é esperada agitação marítima significativa, com ondas superiores a 10 metros.
Continente poderá registar chuva intensa e trovoadas
Em Portugal continental, os efeitos da depressão deverão ser indiretos, mas ainda assim potencialmente relevantes.
As previsões indicam a possibilidade de chuva, trovoadas e rajadas de vento associadas a aguaceiros mais intensos.
Em situações convectivas mais fortes, poderão ocorrer rajadas convectivas, associadas a células de tempestade.
Existe também risco de queda de granizo, especialmente nas regiões onde se formarem trovoadas mais intensas.
Possível risco de cheias no Centro e Sul
Caso os cenários mais chuvosos se confirmem, poderá haver risco de cheias em algumas bacias hidrográficas do Centro e Sul, nomeadamente nas regiões associadas aos rios Tejo e Sado.
Os modelos indicam que a maior parte da precipitação poderá concentrar-se nessas zonas, enquanto o Norte do país poderá registar menos chuva.
Essa diferença resulta da posição do anticiclone a norte da Península Ibérica e da trajetória da depressão, que deverá evoluir mais a sul.
Instabilidade semelhante à depressão “Claudia”
Apesar do potencial para períodos de precipitação intensa, os meteorologistas consideram que esta depressão não deverá atingir a intensidade de outros sistemas recentes.
O cenário previsto poderá ser mais semelhante ao da depressão “Claudia”, que afetou a região em novembro, caracterizada por linhas de precipitação intensa durante algumas horas, acompanhadas de trovoadas.
Os períodos de maior instabilidade deverão ocorrer entre quarta-feira e o fim de semana, embora a evolução concreta ainda esteja dependente das próximas atualizações dos modelos meteorológicos.
Primavera com sinais de instabilidade
Este episódio de instabilidade surge numa altura em que a primavera climatológica já começou e a primavera astronómica está prestes a iniciar-se.
Nesta fase do ano, é relativamente comum a ocorrência de trovoadas e episódios de instabilidade atmosférica, muitas vezes associados a massas de ar mais quentes.
No entanto, a formação de depressões nomeadas nesta altura do ano é menos frequente.
De acordo com a análise meteorológica, restam apenas três nomes na lista oficial de tempestades da temporada, ou dois caso “Therese” venha a ser oficialmente nomeada, um cenário considerado pouco comum.














