Sindicato alerta para falta de magistrados do MP na comarca de Bragança

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público alertou hoje para a falta destes profissionais na comarca de Bragança e para as poucas condições de trabalho nos vários tribunais do distrito.

Executive Digest com Lusa

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público alertou hoje para a falta destes profissionais na comarca de Bragança e para as poucas condições de trabalho nos vários tribunais do distrito.

O sindicato reuniu hoje com os magistrados do Ministério Público (MP) da comarca de Bragança, a quinta maior do país em termos de área, para ouvir as principais preocupações dos profissionais.

“A maior conclusão desta reunião tem a ver com o facto de os quadros dos magistrados do MP estarem completamente desajustados à realidade. São quadros pensados para uma realidade de 2014, já lá vai, longa e distante, e além disso ainda está abaixo do limite legal, só têm 12 magistrados e o quadro é de 13 a 15”, explicou Rosário Barbosa, presidente da direção regional do Porto, em declarações à Lusa.

Segundo a responsável, o número de magistrados do MP deveria ser o mesmo dos magistrados judiciais, ou seja, para cada juiz, um procurador.

Este défice, ainda de acordo com o sindicato, leva a que estes profissionais trabalhem “fora de horas”. “Das 9:00 às 17:00 estão a assegurar as diligências com os juízes, e depois após as 17:00 e aos fins de semana estão a assegurar processos do Ministério Público”, apontou, fazendo ainda referência a um sistema informático “lento” que atrasa os processos.

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Rosário Barbosa revelou que faltam 200 magistrados do MP no país, resultado do “desinvestimento nos últimos anos”, por parte do Governo, e que vai “originar um colapso” do serviço.

“Desde 2010, que foi quando deixou de haver cursos todos os anos, passaram a abrir ano sim, ano não, e em vez de terem 120 vagas, tinham 40”, lamentou.

A solução passa pelo “curso especial” só para magistrados do Ministério Público, mas para isso, o sindicato entende que é preciso verba e orçamento.

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“Muitas destas comarcas são de primeira nomeação, vêm nos primeiros anos de carreira e depois não podem dar continuidade ao trabalho (…) não permite a fixação dos magistrados, está previsto apenas um ano e depois vão embora”, referiu a presidente da direção regional do Porto.

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apontou ainda outro problema, a falta de condições de trabalho, dando como exemplo problemas de aquecimento e chuva dentro das infraestruturas.

“Bragança é uma comarca esquecida, porque se esquecem das dificuldades que os colegas enfrentam”, vincou Rosário Barbosa.

O sindicato reunirá ainda hoje com a comarca de Vila Real, prevendo visitar até abril as 23 comarcas e apresentar um caderno reivindicativo à Procuradoria-Geral da República e à ministra da Justiça para mostrar a realidade e alertar para “as fracas” condições de trabalho.

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