Com uma procura externa (ainda) em crescimento, um segmento premium resiliente e todo um novo conceito de luxo centrado no bem-estar e na sustentabilidade, a Engel & Völkers reforçou em 2025 a sua posição em Portugal.
Que balanço faz de 2025 relativamente aos resultados obtidos nas regiões que dirige e, particularmente, em Portugal?
Em 2025, a Engel & Völkers mostrou, mais uma vez, um claro aumento nas suas operações em Portugal em comparação com o ano anterior. Neste sentido, acredito que este aumento reflecte a robustez da marca em Portugal e a capacidade da equipa para responder às necessidades de clientes cada vez mais exigentes e de um mercado cada vez mais sofisticado e competitivo.
Quais foram os principais motores de crescimento, assim como os maiores obstáculos, para a operação portuguesa no ano passado?
Relativamente aos principais motores de crescimento diria que a forte procura e a atracção do país internacionalmente foram os aspectos que mais contribuíram para o crescimento da operação portuguesa.
No que diz respeito aos maiores obstáculos, destaco sobretudo a escassez de produto, uma vez que a procura se mantém muito superior à oferta disponível, e o custo de construção.
A marca actua no segmento premium há mais de 40 anos. Como reagiu este sector em Portugal às diferentes mudanças – económicas, legislativas e outras – ocorridas no último ano?
O ano de 2025 ficou marcado por ajustes a nível económico e legislativo, mas também pela incerteza internacional. No entanto, esta conjuntura mostrou, mais uma vez, uma forte resiliência e uma excelente capacidade de adaptação do sector.
A nível económico, assistimos a uma estabilização das taxas de juro ao longo do ano, que trouxe de volta uma maior previsibilidade às decisões de investimento. Além disso, no segmento premium, foi possível verificar que a procura se manteve, sustentada sobretudo por clientes com uma maior capacidade financeira e que têm uma perspectiva do imobiliário como activo seguro.
Em termos legislativos, é importante sublinhar que o foco da maioria das medidas adoptadas esteve na habitação acessível e no equilíbrio do mercado residencial, e essas mudanças têm um impacto limitado no segmento premium. Ainda assim, o fim de alguns incentivos fiscais, contribuiu para uma evolução do perfil do comprador que, agora, opta por se focar mais na qualidade de vida, na estabilidade e no valor patrimonial do investimento. Ao mesmo tempo, assistimos a uma transformação do próprio conceito de luxo, com maior procura por imóveis sustentáveis, tecnologicamente avançados e orientados para o bem-estar.
Resumindo, 2025 foi um ano de consolidação para o mercado imobiliário premium em Portugal e reforçou o seu posicionamento como mercado maduro, atractivo e alinhado com diversas tendências internacionais.
«2025 FOI UM ANO DE CONSOLIDAÇÃO PARA O MERCADO IMOBILIÁRIO PREMIUM EM PORTUGAL, REFORÇANDO O SEU POSICIONAMENTO COMO UM MERCADO MADURO, ATRACTIVO E ALINHADO COM AS TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS»
O Shop system é uma imagem de marca desde 1996; qual o balanço da expansão de lojas físicas em Portugal o ano passado?
Em 2025, a Engel & Völkers continuou a consolidar a sua presença no mercado português de forma estratégica, mantendo as suas operações e adaptando-se às dinâmicas locais. Foi inaugurada uma segunda loja em Tavira, reforçando a aposta em localizações que combinam atractividade turística e relevância para os clientes. Além disso, estamos a trabalhar em novas inaugurações para 2026.
Como avalia o impacto da Academia Engel & Völkers na qualidade do serviço prestado pelos consultores em Portugal?
A Academia é uma plataforma de formação interna para toda a rede Engel & Völkers onde disponibilizamos diversas ferramentas que consideramos indispensáveis ao nosso trabalho e cursos para garantir a formação contínua dos colaboradores e onde transmitimos os principais valores e as melhores práticas da marca.
Acredito que é uma ferramenta indispensável, seja em que mercado for, precisamente pela partilha de conhecimento, que é tão importante na nossa profissão.
Quais os objectivos estratégicos prioritários para a Engel & Völkers Portugal em 2026?
Este ano, o nosso foco é, acima de tudo, dar resposta à crescente exigência e sofisticação do sector onde nos inserimos. Acredito que, em 2026, a procura manterá a sua tendência de crescimento sobretudo em zonas de referência e marcadamente costeiras e impulsionada, sobretudo, por investidores internacionais que valorizam a qualidade de vida, a segurança e o património.
Além disso, pretendemos continuar a investir na melhoria da experiência do cliente, combinando inovação digital com a proximidade e o factor humano que distinguem a Engel & Völkers.
O CEO do grupo, Jawed Barna, fala muito na inovação digital; que ferramentas tecnológicas inovadoras podemos esperar ver implementadas em Portugal este ano?
A inovação é um pilar estratégico para a Engel & Völkers, e Portugal acompanha essa visão. Neste caso, o nosso foco passa por utilizar a tecnologia como uma ferramenta que melhora não só a experiência do cliente como capacita os consultores. Ao longo de 2026, pretendemos continuar a reforçar as soluções que tornam os processos mais eficientes, transparentes e personalizados.
Sublinho ainda que a tecnologia não substitui o factor humano, muito menos numa profissão como a nossa, onde o contacto humano é tão fundamental. Posto isto, tendemos a focar a sua utilização para libertar tempo, para aumentar o rigor da informação e para elevar o nível de serviço que prestamos.
Existe algum plano de expansão para novas localizações ou distritos em Portugal onde a marca ainda não tenha uma presença forte?
Neste momento, a prioridade da Engel & Völkers passa, acima de tudo, por acompanhar de perto a evolução do mercado e da procura.
Em Portugal, temos assistido a uma maior valorização de projectos com uma boa localização e com características diferenciadoras, o que leva a marca a olhar o crescimento de forma criteriosa, rigorosa e faseada.
Qualquer decisão futura será sempre tomada com base na solidez do mercado, na qualidade das localizações e no potencial de longo prazo, mais do que numa lógica de expansão rápida.
«PORTUGAL É DOS PAÍSES MAIS PROCURADOS POR INVESTIDORES ESTRANGEIROS. O ESTILO DE VIDA, O CLIMA, A PROXIMIDADE DO MAR E A SEGURANÇA SÃO FACTORES DETERMINANTES NAS DECISÕES DE INVESTIMENTO»
Como pretende a Engel & Völkers reforçar a sua posição enquanto «plataforma-líder» para consultores imobiliários, já este ano?
Queremos fortalecer a nossa posição através do investimento contínuo em formação, do aprimoramento da utilização das ferramentas digitais nas nossas operações e num modelo de suporte que permita aos consultores continuar a dar prioridade ao que é mais importante para nós: garantir o acompanhamento e aconselhamento de excelência de todos os nossos clientes.
De que forma a integração da gestão entre a Península Ibérica e a América do Sul poderá criar sinergias para o mercado português este ano?
Esta integração permite tanto a partilha de conhecimento, como a partilha de melhores práticas. Além disso, permite também o acesso a uma rede internacional mais ampla, que reforça a captação de clientes e investidores internacionais para Portugal.
Quais são actualmente os segmentos mais procurados?
O segmento residencial premium ainda é o segmento de maior peso, em particular em zonas urbanas de referência e em zonas marcadamente costeiras.
Quais as previsões para a evolução dos preços nos próximos dois a cinco anos em Portugal?
Na Engel & Völkers acreditamos que os preços das habitações tenham uma valorização moderada e sustentada. Além disso, diria que esta valorização será mais intensa, sobretudo em localizações com oferta mais limitada e elevada procura.
De que forma a economia, as taxas de juro e a demografia podem alterar o mercado imobiliário português no curto e médio prazo?
Acredito que estes factores terão impacto, acima de tudo, em termos da selectividade e da exigência do mercado imobiliário português. Além disso, a estabilização das taxas de juro e a atracção de residentes e investidores internacionais deverão continuar a sustentar a procura, mas com decisões mais ponderadas e menos especulativas.
A Engel & Völkers está presente em mais de 35 geografias; como é que Portugal se posiciona no radar dos investidores internacionais da rede?
Portugal é um dos países mais procurados por investidores estrangeiros, isso é um facto. Entre as geografias onde estamos presentes, diria que é um dos primeiros a ser referido aquando da procura internacional.
O estilo de vida, o clima, a proximidade do mar e a segurança que Portugal oferece continuam a ser factores que pesam muito nas decisões dos investidores.
Como está a evoluir o investimento estrangeiro no imobiliário português e que efeitos tem no mercado interno?
Na nossa óptica, o investimento estrangeiro continua e vai continuar a desempenhar um papel muito relevante no imobiliário português, mesmo com um perfil cada vez mais selectivo e informado. A presença dos investidores estrangeiros tem contribuído não só para a valorização do mercado, mas também para a reabilitação urbana e para a qualificação da oferta, embora exija também um bom equilíbrio para garantir a sustentabilidade do mercado interno.

Sente que a «exclusividade», um dos vossos valores centrais, continua a ser o factor principal para atrair o cliente estrangeiro para o mercado português?
Sem dúvida. Actualmente, os clientes dão cada vez mais importância à personalização e à exclusividade. Procuramos transmitir aos consultores, desde o primeiro dia, que a exclusividade e o luxo podem ser características dos imóveis mas, acima de tudo, são qualidades que têm de estar presentes no atendimento que prestamos aos nossos clientes e isso faz toda a diferença.
Quais as grandes tendências que observa no imobiliário de luxo internacional e que chegarão a Portugal em breve?
As grandes tendências internacionais já se começam a sentir e a impactar o mercado nacional, nomeadamente o foco, cada vez maior, no bem-estar e na experiência que o imóvel oferece. Além disso, internacionalmente, verifica-se igualmente uma procura cada vez mais acentuada por imóveis que conciliam localização prime com sustentabilidade, tecnologia e flexibilidade de utilização.
Outra tendência que encontramos noutros países e que se começa a consolidar em Portugal é alteração do paradigma no conceito de luxo. Este deixou de ser apenas um sinónimo de «exclusividade» e de depender apenas do valor do imóvel, e passa a integrar factores como eficiência energética, integração com a natureza, privacidade e qualidade de vida.
Diz que o principal activo de uma empresa é o capital humano; como é que aplica esta filosofia na gestão das equipas que dirige em Portugal e na América do Sul?
Sempre acreditei, e acreditarei, que o sucesso de uma organização depende directamente das pessoas que a integram e que a constroem todos os dias. Por isso, para mim, torna-se fundamental garantir um forte investimento em formação contínua, no desenvolvimento de competências de liderança e na criação de ambientes de trabalho baseados na confiança, autonomia e responsabilidade. Seja em Portugal, Espanha ou na América do Sul, procuro acima de tudo garantir o bem-estar dos colaboradores, promover uma gestão próxima que valorize o talento, incentive o crescimento profissional e permita que cada pessoa se sinta parte activa da estratégia e dos resultados da empresa.
Afirma que o seu objectivo é conseguir resultados com «pessoas felizes»; como é que se consegue garantir que a rede de pessoas que dirige mantém essa cultura?
Como referi, anteriormente, acredito que bons resultados e resultados consistentes só são possíveis quando existe um equilíbrio perfeito entre desempenho, bem-estar e propósito, e acredito que na Engel & Völkers temos conseguido priorizar estes pilares através de uma comunicação clara e transparente, do reconhecimento do mérito, da promoção do equilíbrio entre vida profissional e pessoal e do sentimento de pertença. É por isso que me alegra imenso que a Engel & Völkers seja reconhecida novamente pela Best Workplaces como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal.
Sendo uma pessoa que se considera «inquieta» e com a «cabeça a dois mil», como é que o desporto (ciclismo) o ajuda na tomada de decisões estratégicas?
O desporto ajuda-me a ganhar distância. Na empresa, tal como no ciclismo, há momentos de máxima intensidade e outros em que é melhor controlar, observar e pensar a longo prazo. Muitas decisões estratégicas não são tomadas numa reunião, mas sim quando a cabeça está organizada. E, para mim, esse espaço é proporcionado pelo desporto.
Disse que é preciso viver cada minuto com intensidade. Qual foi o momento mais intenso e desafiante da sua carrei-ra na Engel & Völkers desde que entrou em 2012?
Quando me juntei à empresa, a Engel & Völkers tinha um enorme potencial na Península Ibérica, mas o verdadeiro desafio era profissionalizar e crescer de forma sustentada num contexto económico complexo. Houve decisões difíceis, mudanças estruturais e momentos de muita pressão. Olhando em retrospectiva, foi também o período que mais nos fez crescer como equipa e como empresa.
Como é que a sua experiência anterior na banca (com passagens pelo CaixaBank, BBVA e Citibank) impacta a forma como gere, hoje, o negócio imobiliário?
A minha passagem pelo sector bancário proporcionou-me uma base muito sólida no domínio da análise financeira, da gestão de risco e da visão global. Actualmente, o sector imobiliário já não é apenas um produto; é estratégia, financiamento, confiança e antecipação. Essa mentalidade ajuda-me a compreender o negócio de forma integral e a tomar decisões mais responsáveis e sustentáveis.
Como pai, como equilibra a gestão em dois continentes (Ibéria e América do Sul) com a vida familiar?
Gerir a Ibéria e a América do Sul implica viajar e muita dedicação, mas também uma grande disciplina pessoal. Tento ser muito consciente do tempo e, quando estou com a minha família, estar realmente presente. Eles são o meu principal pilar e também a minha maior fonte de energia. Sem esse apoio, nada teria sentido.
Se pudesse dar um único conselho de liderança aos novos directores de loja em Portugal, baseado na sua «Bíblia Engel & Völkers», qual seria?
Que entendam que liderança não é mandar, mas sim dar o exemplo e servir, o que gosto de chamar de «liderança servidora». A excelência começa sempre pela coerência. Se conseguirem equipas comprometidas, formadas e orgulhosas da marca, o resultado virá por si só.

PERFIL
Juan-Galo Macià nasceu em Madrid em 1975. O seu percurso académico compreende uma licenciatura em Gestão, Marketing e Relações Públicas, e mestrados nas áreas de Gestão, Negócios e Consultoria Imobiliária, pela IESE Business School, ESIC e UB. Com mais de 30 anos de experiência em gestão empresarial e estratégia, começou a sua carreira na banca e ingressou na Engel & Völkers em 2012. Sob a sua liderança, a empresa duplicou o volume de negócios anual, implementou o primeiro Market Center do mundo e expandiu a sua presença em mais de 20 mercados, como Madrid, Barcelona e Lisboa, tendo concluído 13.500 operações em 2024. Defensor de um modelo de liderança colaborativa e da formação contínua, é frequentemente convidado para participar em conferências e fóruns com o objectivo de promover o desenvolvimento de novos talentos no sector imobiliário.














