Ainda não acabou: Guerra no Médio Oriente pode desencadear novos conflitos globais, alerta responsável da ONU

O impacto da guerra no Médio Oriente pode estender-se muito além da região e criar condições para novos conflitos internacionais, alertou o responsável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexander De Croo.

Pedro Zagacho Gonçalves

O impacto da guerra no Médio Oriente pode estender-se muito além da região e criar condições para novos conflitos internacionais, alertou o responsável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexander De Croo, numa entrevista à Euronews. O dirigente sublinhou que, mesmo que o conflito terminasse de imediato, os seus efeitos económicos e sociais continuariam a fazer-se sentir a nível global.

De acordo com o responsável do PNUD, o primeiro passo essencial passa por travar a guerra ou, pelo menos, normalizar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. “A primeira medida é parar a guerra ou, pelo menos, alcançar algum tipo de normalização das rotas marítimas”, afirmou.

Ainda assim, alertou que o fim das hostilidades, por si só, não será suficiente. Sem medidas económicas adequadas, existe o risco de países inteiros e milhões de pessoas serem empurrados novamente para a pobreza estrutural. Um relatório recente do PNUD estima que mais de 30 milhões de pessoas possam cair na pobreza devido à escalada militar em curso.

Necessidade de intervenção internacional urgente
Para evitar um agravamento da crise, Alexander De Croo defendeu a implementação de medidas macroeconómicas coordenadas por instituições financeiras internacionais. Entre as soluções apontadas estão apoios financeiros temporários direcionados às populações mais afetadas, bem como o acesso gratuito a combustíveis e gás de cozinha.

“Se não forem implementadas estas intervenções macroeconómicas, direcionadas e atempadas, haverá muito mais efeitos em cadeia”, avisou, acrescentando que os impactos da pobreza e da insegurança alimentar podem gerar novas crises.

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Risco de migração e extremismo em crescimento

O responsável da ONU destacou ainda que o agravamento das condições de vida pode levar ao aumento dos fluxos migratórios e ao surgimento de novas formas de extremismo. “Ainda nem falámos dos efeitos em cadeia da pobreza e da insegurança alimentar. Isso pode levar a conflitos adicionais, a mais deslocações e fluxos migratórios, que por sua vez podem originar outros tipos de extremismo”, alertou.

Embora os efeitos sejam mais visíveis nos países diretamente afetados pelo conflito e nos que dependem de energia importada, há sinais de impacto duradouro em regiões mais vulneráveis.

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África e ilhas do Pacífico já sentem consequências
Segundo o responsável, regiões como a África Subsariana estão a ser fortemente afetadas pela crise energética e económica resultante do conflito. Pequenos Estados insulares no Pacífico enfrentam já dificuldades no abastecimento de combustível.

“O impacto vai muito além da região”, afirmou, sublinhando que o bloqueio e a guerra têm consequências profundas em economias frágeis. Para De Croo, este cenário confirma que “a guerra é o desenvolvimento ao contrário”, explicando que “são necessárias décadas para retirar pessoas da pobreza, mas bastam seis semanas para as fazer regressar a essa situação”.

Cessar-fogo no Líbano traz esperança, mas dúvidas persistem
As declarações surgem num momento em que um cessar-fogo de 10 dias entre Líbano e Israel entrou em vigor, alimentando expectativas de negociações para um acordo mais duradouro. O conflito já provocou cerca de 1,2 milhões de deslocados no território libanês, na sequência de bombardeamentos israelitas após o envolvimento do Hezbollah na guerra regional.

Apesar da trégua, o responsável do PNUD mostrou cautela, afirmando esperar que esta represente um verdadeiro cessar das hostilidades e não apenas uma redução temporária da violência, como aconteceu noutras situações.

Paralelamente, surgem indicações de uma possível retoma das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, com o Presidente Donald Trump a afirmar que ambas as partes estão “muito próximas” de um acordo. As conversações poderão decorrer em Islamabad já este fim de semana.

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Questionado sobre a possibilidade de uma solução diplomática, De Croo foi prudente: “Estou confiante? Não tenho uma bola de cristal. Estou esperançoso? Sim.”

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