EUA com stock de armas em baixo estão a adiar entregas aos aliados na Europa

A decisão dos Estados Unidos de atrasar o envio de armas está a gerar forte indignação entre aliados europeus e a levantar dúvidas sobre a segurança no continente.

Patrícia Moura Pinto

A administração norte-americana começou a adiar a entrega de armamento a vários aliados europeus, numa altura em que os seus próprios stocks militares estão sob forte pressão devido ao conflito em curso com o Irão.

De acordo com o Kyiv Post, responsáveis da administração de Donald Trump informaram discretamente vários parceiros europeus de que as entregas previamente contratadas poderão sofrer atrasos à medida que a guerra continua a consumir recursos militares dos Estados Unidos. Estas comunicações não foram tornadas públicas, tendo sido confirmadas por várias fontes sob anonimato.

Europa afetada por atrasos nas entregas

Os adiamentos deverão afetar vários países europeus, incluindo na região do Báltico e na Escandinávia. Parte do equipamento em causa foi adquirido através do programa Foreign Military Sales, mas ainda não chegou aos destinos previstos.

A Casa Branca e o Departamento de Estado remeteram esclarecimentos para o Pentágono, que não respondeu aos pedidos de comentário.

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Guerra com o Irão pressiona reservas militares

A situação evidencia o impacto significativo do conflito com o Irão nas reservas estratégicas dos Estados Unidos. A guerra teve início após ataques aéreos conjuntos entre os EUA e Israel a 28 de fevereiro, e desde então tem exigido um elevado volume de recursos militares.

Os stocks norte-americanos já vinham a ser reduzidos nos últimos anos, primeiro com o apoio militar à Ucrânia após a invasão russa em 2022, depois com o fornecimento de armamento a Israel nas operações em Gaza desde o final de 2023, e mais recentemente com o confronto direto com Teerão.

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Escassez de sistemas de defesa aérea

Uma das áreas mais críticas é a defesa aérea. O Irão lançou centenas de mísseis e drones contra países do Golfo, levando os Estados Unidos a utilizar grandes quantidades de interceptores Patriot PAC-3.

Estes sistemas são considerados essenciais não só para a defesa da Ucrânia contra ataques balísticos russos, mas também para a segurança de vários países europeus que procuram reforçar a sua capacidade de dissuasão face à Rússia.

Frustração crescente na Europa

Os atrasos estão a gerar crescente insatisfação entre governos europeus, que consideram a situação preocupante. Alguns responsáveis defendem já uma mudança estratégica, apostando mais na produção de armamento europeu para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

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Durante anos, Washington incentivou os aliados da NATO a adquirirem equipamento militar norte-americano. No entanto, face às atuais dificuldades, vários países questionam agora a fiabilidade dessas parcerias.

Tensões políticas e críticas dos EUA

Ao mesmo tempo, responsáveis da Casa Branca têm criticado a Europa por alegadamente não prestar apoio suficiente no Médio Oriente. Argumentam que os recursos militares são necessários na região, sobretudo após o Irão ter encerrado o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.

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