Estreito de Ormuz: Navios estão a recorrer a estas táticas (ilegais) para fugir ao bloqueio

O Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético global, está sob um inédito duplo bloqueio naval de Irão e Estados Unidos, elevando os riscos para a navegação e expondo novas táticas clandestinas no transporte de petróleo.

Patrícia Moura Pinto

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de hidrocarbonetos, tornou-se palco de um complexo jogo de estratégia naval. O duplo bloqueio imposto pelo Irão e pelos Estados Unidos está a forçar navios comerciais a recorrer a manobras irregulares para conseguir atravessar a região, aumentando os riscos e a tensão numa zona já altamente sensível.

De acordo com o El País, o bloqueio iraniano concentra-se na zona mais estreita do estreito, com cerca de 35 quilómetros de largura, enquanto os Estados Unidos controlam a entrada oriental, no Golfo de Omã, numa extensão muito mais ampla. Para reforçar a operação, Washington mobilizou uma forte presença militar, incluindo um porta-aviões e várias aeronaves.

Apesar da vigilância apertada, alguns navios continuam a tentar atravessar a área, explorando exceções e lacunas nas regras. Ainda assim, vários optaram por recuar para evitar incidentes que possam comprometer o frágil cessar-fogo em vigor.

Rotas desviadas e regressos inesperados
Segundo o El País, pelo menos 14 embarcações foram obrigadas a inverter a rota nos primeiros dias da operação norte-americana. Um dos casos mais emblemáticos foi o de um navio de origem chinesa, que chegou a atravessar o estreito, mas acabou por regressar e permanecer ancorado perto de território iraniano.

Analistas indicam que alguns navios continuam a circular próximos da costa iraniana, sugerindo que Teerão mantém um sistema próprio de controlo e autorização de passagem. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos parecem apostar numa estratégia de contenção, tentando limitar o acesso a portos iranianos sem encerrar completamente a via marítima.

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“Frota fantasma” e táticas de ocultação
Perante este cenário, têm-se multiplicado práticas ilegais para contornar o controlo. Uma das mais comuns é o desligamento dos transponders AIS, dispositivos obrigatórios que transmitem a localização e identidade dos navios. Esta prática permite ocultar rotas e destinos, dando origem à chamada “frota fantasma”.

Outra técnica cada vez mais utilizada é o “spoofing”, que consiste na falsificação dos dados transmitidos. Alguns navios alteram a sua posição, identidade ou histórico de navegação para enganar os sistemas de monitorização. Estas manipulações criam riscos sérios para a segurança marítima, sobretudo numa zona com tráfego intenso, aumentando a probabilidade de colisões.

O fenómeno dos “navios zombie”
Uma das variantes mais sofisticadas do spoofing é a utilização de identidades de embarcações já desativadas, conhecidas como “navios zombie”. Nestes casos, um navio ativo transmite os dados de outro que já não existe ou foi abatido, dificultando ainda mais o rastreamento.

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Há registos de petroleiros a utilizarem identidades falsas para simular escalas em portos de países vizinhos, ocultando operações reais relacionadas com cargas iranianas. Em alguns casos, estima-se que uma parte significativa das escalas declaradas em determinados portos seja fictícia.

Vigilância tecnológica limita manobras
Apesar da crescente sofisticação destas táticas, especialistas sublinham que elas não garantem invisibilidade total. Os meios militares destacam-se pelo uso de radar, reconhecimento aéreo e até interceção de comunicações, incluindo chamadas telefónicas feitas a bordo.

Este nível de vigilância reduz a eficácia das manobras de evasão e aumenta o risco de interceção. As autoridades norte-americanas já alertaram que embarcações suspeitas podem ser abordadas ou apreendidas, especialmente se estiverem ligadas a sanções ou transporte ilegal de hidrocarbonetos.

Um equilíbrio frágil no comércio global
O bloqueio no Estreito de Ormuz está a ter impacto direto no comércio marítimo internacional, obrigando armadores, seguradoras e operadores logísticos a lidar com maior incerteza e risco. A falta de clareza nas regras e o recurso a práticas ilegais tornam o cenário ainda mais complexo.

Com negociações diplomáticas em curso e um cessar-fogo instável, a situação permanece volátil. O estreito continua a ser um ponto crítico onde geopolítica, economia e segurança marítima se cruzam diariamente.

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