A plataforma online para pedidos de apoio financeiro até 10 mil euros destinada às populações afetadas pela depressão Kristin deverá ficar disponível esta quinta-feira, permitindo às vítimas iniciar o processo de candidatura já a partir de quinta-feira. A informação foi avançada por Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, durante uma visita oficial a Pombal, no distrito de Leiria, ao lado do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Segundo a ‘RTP’, o objetivo é garantir uma resposta rápida às famílias que sofreram prejuízos significativos nas suas habitações devido ao mau tempo, através de um processo descrito pelo responsável como “super simplificado”. Os pedidos serão submetidos numa plataforma desenvolvida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Processo simplificado e pagamentos em poucas semanas
De acordo com Paulo Fernandes, as candidaturas exigem apenas uma descrição sucinta dos danos sofridos, sem burocracia excessiva, sendo expectável que os primeiros pagamentos possam chegar às populações no prazo de uma a duas semanas após a inscrição. “As pessoas, a partir de amanhã [hoje], podem começar a preencher a plataforma”, afirmou o coordenador à ‘Antena 1’, sublinhando que os municípios e juntas de freguesia estão a ser mobilizados para apoiar quem tenha dificuldades no acesso digital.
Questionado sobre as limitações de rede móvel em algumas zonas afetadas, Paulo Fernandes garantiu que haverá uma articulação estreita com o poder local, permitindo que as inscrições sejam feitas presencialmente, por exemplo, nas juntas de freguesia. Esta rede de apoio pretende assegurar que ninguém fica excluído do acesso aos apoios por falta de meios tecnológicos.
Apoios para resposta imediata e reconstrução inicial
O coordenador da estrutura de missão explicou que o montante máximo de 10 mil euros destina-se a assegurar uma primeira intervenção nas habitações danificadas, nomeadamente reparações urgentes em telhados, estruturas e infiltrações, lembrando que os seguros poderão complementar estes apoios numa fase posterior.
Em paralelo, estão a ser criadas equipas especializadas para apoiar a população mais vulnerável na colocação de telhas e lonas, com recurso a equipamento adequado. Essas equipas irão integrar trabalhadores de grandes empresas de construção, reforçando a capacidade de resposta no terreno. “Estamos a fazê-lo a contrarrelógio”, afirmou Paulo Fernandes.
Reforço no terreno e prioridade aos concelhos mais afetados
A partir da próxima semana, mais de uma centena de profissionais, entre engenheiros, arquitetos e orçamentistas, deverá estar no terreno para apoiar o processo de reconstrução. As primeiras equipas de emergência começaram já a atuar, com prioridade para os municípios mais afetados, como Pombal, Leiria e Marinha Grande, sendo o objetivo alargar a intervenção a cerca de uma dezena de concelhos.
Desde a semana passada, o mau tempo provocou dez mortos, cinco dos quais diretamente associados à passagem da depressão Kristin, segundo dados da Proteção Civil. Registaram-se ainda centenas de feridos e desalojados, além de destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, cortes de estradas, interrupções ferroviárias, encerramento de escolas e falhas nos serviços de energia, água e comunicações.
Leiria, Coimbra e Santarém concentram a maioria dos estragos. Face à dimensão da crise, o Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo em 69 concelhos e anunciou um pacote global de medidas de apoio que pode ascender a 2,5 mil milhões de euros.














