Alemanha, EUA, Rússia: extrema-direita portuguesa recebe financiamento estrangeiro para acelerar violência e guerra racial

Mário Machado encontra-se atualmente a cumprir uma pena de quatro anos de prisão no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, na sequência de duas condenações por discriminação e incitamento ao ódio e à violência

Revista de Imprensa

A Polícia Judiciária considera “certo” que o Grupo 1143 recebeu financiamento de movimentos de extrema-direita estrangeiros com o objetivo de acelerar, em 2026, um plano destinado a provocar o caos social e uma alegada “guerra racial”. De acordo com uma fonte da PJ próxima da investigação da Operação Irmandade, o dinheiro terá origem em grupos neonazis da Alemanha, da Rússia e dos Estados Unidos.

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Segundo a revista ‘Sábado‘, a investigação que levou ao desmantelamento do movimento liderado por Mário Machado aponta para uma estrutura internacional de apoio financeiro a organizações radicais portuguesas. Mário Machado encontra-se atualmente a cumprir uma pena de quatro anos de prisão no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, na sequência de duas condenações por discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

Ligações internacionais e redes comuns da extrema-direita europeia

A escalada de violência do Grupo 1143 terá tido início no último 25 de abril, data em que Mário Machado foi um dos detidos. A mesma fonte da PJ sublinha que o dirigente neonazi mantém há vários anos ligações conhecidas a organizações estrangeiras, recordando que fundou, em 2018, o grupo Red & Gold, afiliado ao clube motard internacional Los Bandidos.

De acordo com a investigação, a presença de convidados estrangeiros em reuniões do capítulo português dos Los Bandidos era habitual, mantendo-se ainda hoje essas relações pessoais e ideológicas. Para a PJ, existe um conjunto de elementos comuns a vários grupos radicais europeus, sustentados por um projeto que une a extrema-direita contra alvos considerados comuns, como imigrantes não europeus, ciganos, homossexuais, feministas, militantes de esquerda ou jornalistas.

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Investigação ultrapassa fronteiras nacionais

A dimensão alcançada pelo Grupo 1143, nomeadamente o número de participantes nos seus eventos, terá permitido a integração do movimento português numa alegada tabela internacional de pagamentos destinada a organizações extremistas. Contactada pela revista semanal, a coordenadora da Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ, Patrícia Silveira, não confirma a existência de financiamento externo, mas admite que as investigações a estes grupos ultrapassam atualmente o território nacional.

Segundo Patrícia Silveira, a cooperação internacional é hoje uma regra nas investigações da PJ, em articulação com congéneres europeias, sublinhando que praticamente não existe investigação nesta área sem uma componente internacional.

Dez movimentos de extrema-direita considerados ativos em Portugal

As autoridades portuguesas classificam atualmente como ativos dez movimentos de extrema-direita em Portugal, cuja atividade é acompanhada pela PJ e pelo Serviço de Informações de Segurança. Nos últimos meses, as operações Desarme 3D e Irmandade levaram à detenção das cúpulas do Movimento Armilar Lusitano e do Grupo 1143, considerados financeiramente e logisticamente preparados para avançar para a ação.

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Quatro elementos do MAL e cinco do Grupo 1143 ficaram em prisão preventiva, depois de, segundo a investigação, os seus militantes mais extremistas terem manifestado nas redes sociais a intenção de agir de forma violenta.

Outros grupos sob vigilância das autoridades

Entre os movimentos acompanhados pelas autoridades está também o Reconquista, liderado por Afonso Gonçalves. De acordo com uma fonte da PJ, o grupo está a ser levado a sério devido a atos de provocação contra cidadãos hindustânicos, que já levaram à detenção do seu líder em pelo menos duas ocasiões. Patrícia Silveira não confirma casos concretos, mas garante que a PJ está atenta a todos os movimentos que possam pôr em causa a segurança nacional.

A lista inclui ainda as associações Habeas Corpus, liderada pelo ex-juiz Rui Fonseca e Castro, e Portugueses Primeiro, associada ao neonazi João Martins, condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995. A presença em Portugal dos movimentos internacionais Hammerskins e Blood Honour continua igualmente assinalada, bem como de grupos mais recentes e exclusivamente masculinos, como o Escudo Identitário, o Clube Étnico Portuguez e o Active Clube Portugal.

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