Quer ir viver para Itália? Esta pequena cidade tem 400 mil euros para lhe pagar casa ou ajudar com a renda

A pequena cidade de Radicondoli, situada nas colinas a oeste de Siena, tornou-se recentemente no mais recente exemplo de município italiano a lançar medidas para combater a desertificação rural e atrair novos moradores.

Pedro Gonçalves
Dezembro 11, 2025
15:44

A pequena cidade de Radicondoli, situada nas colinas a oeste de Siena, tornou-se recentemente no mais recente exemplo de município italiano a lançar medidas para combater a desertificação rural e atrair novos moradores. A iniciativa oferece incentivos para quem pretenda arrendar ou comprar casa, numa estratégia que visa reforçar a população e revitalizar a vida local, embora não se trate de um esquema de casas por um euro.

Com mais de mil anos de história, Radicondoli mantém um património medieval notável, com ruas de calçada, telhados em terracota e vestígios de antigas muralhas defensivas. A cidade ergue-se acima dos campos da região de Siena, oferecendo vistas sobre olivais, florestas e quintas agrícolas. Apesar de estar a cerca de uma hora de carro de Florença e de Siena, a área é rodeada por castelos históricos e vinhas, permitindo aos novos residentes desfrutar de um copo de Chianti na sua própria residência italiana.



O presidente da câmara, Francesco Guarguaglini, estabeleceu um fundo de mais de 400.000 euros para 2025, destinado a atrair novos moradores. Segundo informações divulgadas pela CNN Travel, o programa contempla apoios para aquisição de habitação, subsídios para estudantes e incentivos para quem utilize energias verdes.

Apoios para arrendamento e compromisso de permanência
O pacote de incentivos inclui a cobertura de metade da renda dos primeiros dois anos para os novos arrendatários que se inscrevam até dezembro de 2025 e mudem-se no início de 2026. Para os compradores de imóveis, é exigido um compromisso de permanência mínima de 10 anos, enquanto os arrendatários devem manter-se na cidade durante pelo menos quatro anos.

Desde que estas medidas foram introduzidas em 2023, Radicondoli recebeu cerca de 60 novos residentes, um aumento significativo para uma cidade cuja população diminuiu de 3.000 para apenas 966 habitantes ao longo do último século. Atualmente, cerca de 100 das aproximadamente 450 habitações da cidade encontram-se desocupadas.

Ao contrário de outras localidades que oferecem imóveis simbólicos em ruínas, Radicondoli mantém o valor de mercado das propriedades. “Muitas já estão habitadas ou bem conservadas, pelo que os novos moradores não começam com grandes obras”, explicou Guarguaglini à CNN.

Incentivos semelhantes em outras regiões de Itália
A situação de Radicondoli insere-se num contexto mais amplo em Itália, onde existem cerca de 8,5 milhões de casas desocupadas, incluindo residências secundárias, habitações sem serviços essenciais e imóveis não registados fiscalmente, de acordo com a Federação Nacional da Propriedade Imobiliária.

Outras cidades e vilas italianas adotaram medidas semelhantes. Na Toscana, as autoridades regionais oferecem entre 10.000 e 30.000 euros para quem compre imóveis em aldeias com menos de 5.000 habitantes. Na Sicília, locais como Sambuca e Mussomeli disponibilizam habitações desocupadas a preços simbólicos, com a condição de renovação dentro de prazos estipulados. Programas similares surgem também na Sardenha, nos Apeninos e noutras regiões.

Uma oportunidade para equilibrar custos e qualidade de vida
Muitos candidatos a estas medidas destacam que a principal motivação é o custo acessível. Com o aumento exponencial dos preços das casas nas grandes cidades, possuir uma habitação tornou-se quase inalcançável para muitas famílias. Além disso, há quem valorize o espaço e a oportunidade de criar uma casa dos sonhos num cenário natural e culturalmente rico.

Para quem pondera mudar-se para o interior de Itália, seja por questões financeiras ou pela busca de uma vida mais equilibrada, Radicondoli oferece uma opção prática e realista, unindo charme histórico, incentivos económicos e um forte compromisso com a revitalização da comunidade.

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