XLV BARÓMETRO: Empresários reforçam optimismo para 2026, mas apontam o peso do Estado como principal travão

Resultados do novo barómetro Executive Digest mostram um cenário de confiança reforçada no desempenho económico, assente numa aceleração do investimento e na aplicação integral da inteligência artificial.

Executive Digest
Março 2, 2026
11:39

Se, em Dezembro de 2025, o sentimento era de um «equilíbrio entre ambição e prudência», os dados do 46.º Barómetro Executive Digest mostram que as empresas estão prontas para passar à ofensiva, embora mantenham uma visão muito crítica sobre as fragilidades estruturais do país e a excessiva presença do Estado na economia.

ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO INVESTIMENTO



O optimismo sectorial, que já era de 80% no anterior Barómetro, sobe oito pontos (88%), com a grande maioria dos gestores (82%) a antecipar um crescimento moderado e 6% a preverem um crescimento forte na sua área. Este indicador é acompanhado por uma subida notável nas intenções de investimento: 56% das empresas contam aumentar o seu esforço financeiro este ano (uma subida de mais de 10% relativamente ao 45.º Barómetro), sinalizando que o receio de estagnação está a dar lugar a uma vontade de expansão.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DA ESTRATÉGIA À EXECUÇÃO

A Inteligência Artificial (IA) deixou, definitivamente, de ser um tema de “planeamento” para se tornar uma realidade de “execução”. Se, em Dezembro do ano passado, 53% planeavam aumentar o investimento nesta área, os dados do 46.º Barómetro indicam que 70% dos gestores vão investir mais ou continuar a investir fortemente em IA este ano. Com apenas 2% das empresas a admitirem que ainda não utilizam esta tecnologia, confirma-se a tendência de que a IA é o motor central da produtividade e um factor de diferenciação estratégica no mercado nacional.

O «PARADOXO DO ESTADO»: APOIO ÀS REFORMAS VS. PESO EXCESSIVO

Um dos destaques deste Barómetro é a relação ambivalente com o sector público. Por um lado, existe um apoio claro à direcção política: 72% dos inquiridos avaliam positivamente as reformas do Estado propostas pelo actual Governo. Por outro lado, o diagnóstico sobre a realidade actual é severo: 78% dos gestores consideram o peso do Estado na economia como Elevado (50%) ou Excessivo (28%).

ECONOMIA AZUL: UMA NOVA FRONTEIRA E OPORTUNIDADE ESTRATÉGICA

Como novidade, o 46.º Barómetro introduziu o tema do Mar e de que forma é que este pode ser encarado como um pilar de competitividade futura. Para 58% das empresas, a Economia Azul é já um tema com influência crescente ou essencial. A urgência é também política: 64% dos líderes empresariais consideram que o Plano Estratégico para o Mar 2030 exige uma acção imediata ou planeamento urgente, reforçando a ideia de que Portugal não pode perder esta janela de oportunidade.

PRIORIDADES PARA A PRÓXIMA DÉCADA E CAMINHOS PARA UM PORTUGAL EXTRAORDINÁRIO

Como forma de lançamento da próxima Conferência Executive Digest, que irá ter lugar no próximo dia 15 de Abril, foi lançado o desafio de serem identificadas quais devem ser as prioridades para a próxima década e de que forma é que Portugal está preparado para as implementar. Assim, o tema «Estado e Confiança Pública» (simplificação, digitalização e eficiência) surge como a prioridade n.º 1 para 74% dos gestores, superando áreas críticas como a Educação (64%) e a Saúde (46%). Apesar destas prioridades claras, a confiança na capacidade de execução do país é contida. 62% dos gestores classificam o nível de preparação de Portugal como “moderado”, justificando que, embora existam avanços relevantes, o país ainda padece de “fragilidades estruturais”. Para além disso, 28% consideram a preparação insuficiente ou muito insuficiente, apontando para a falta de estratégias claras e dispersão de iniciativas.

CONCLUSÃO

O 46.º Barómetro Executive Digest mostra-nos que o tecido empresarial português está a fazer o seu papel: investe, moderniza-se (através da IA) e identifica novas áreas de crescimento, como o Mar. No entanto, a mensagem para o poder político permanece a mesma do Barómetro anterior: para que 2026 não seja apenas um ano de “crescimento moderado”, o Estado tem de deixar de ser um fardo burocrático e tornar-se, efectivamente, um facilitador da confiança e competitividade.

 

 

Este Barómetro conta também com a análise dos especialistas:

– Vítor Ribeirinho, CEO / Senior Partner da KPMG Portugal

– Luís Ribeiro, Administrador do novobanco

– Raul Neto, CEO da Randstad Portugal

– Pedro Brito, CEO & Associate Dean da Nova SBE Executive Education

– Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

– Pedro Moreira, Presidente da EGEAC, Lisboa Cultura

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 239 de Fevereiro de 2026

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