A receita da sul-africana Shoprite cresceu 7,1% no segundo semestre de 2025, para 138,9 mil milhões de rands (7,25 mil milhões de euros), mas o grupo de retalho admite “condições adversas” em Moçambique.
No mais recente relatório financeiro do grupo, divulgado na terça-feira, refere-se que as vendas no segmento de supermercados da Shoprite, fora da África do Sul, cresceram neste período 12,1%, valor que cai para 9,5% a um câmbio estável.
“Do ponto de vista da rentabilidade, o desempenho deste segmento permanece desafiador, notadamente impactado neste período pelas condições adversas em Moçambique”, lê-se no relatório financeiro do grupo, que já anteriormente admitiu estar a rever a posição no país.
As receitas do grupo Shoprite somam-se aos 129,7 mil milhões de rands (6,77 mil milhões de euros) no primeiro semestre de 2025, segundo o relatório, enquanto as vendas globais de julho a dezembro chegaram a 136,8 mil milhões de rands (7,14 mil milhões de euros).
O grupo refere ainda que inaugurou, em África, 273 novas lojas em todo o ano de 2025 e criou 1.711 novos empregos diretos nos últimos seis meses. No negócio do mobiliário, a Shoprite refere ter “descontinuado” as operações em Angola e Moçambique.
“Mantemos uma abordagem disciplinada na alocação de capital, bem como no foco do portfólio, e, após a recente classificação de nossas operações em Gana e Maláui como operações descontinuadas, o nosso escopo de operações no continente agora abrange sete países, todos situados relativamente próximos à nossa sede na África do Sul”, refere o relatório.
A cadeia de supermercados Shoprite avançou em setembro à Lusa que estava a analisar a permanência em Moçambique, onde opera 26 espaços, no âmbito do processo de consolidação nos mercados do continente.
“O grupo consolidou as suas operações africanas nos últimos anos e continuamos monitorizando de perto a situação em Moçambique”, disse fonte oficial da Shoprite, acrescentando que o país “está numa lista de observação”, sobre a continuidade da operação, “devido aos desafios atuais no ambiente operacional”.
“Nenhuma decisão final foi tomada em relação às nossas operações no país. Caso isso mude, comunicaremos quaisquer novidades ao mercado”, acrescentou a fonte.
Em novembro de 2024, a cadeia sul-africana de supermercados chegou a encerrar temporariamente espaços comerciais que opera em Maputo e “outras áreas de alto risco”, devido às manifestações pós-eleitorais, que levaram ao saque e vandalização de lojas na capital.
De acordo com dados do relatório e contas de 2024, a Shoprite — que está presente, além da África do Sul, em nove países africanos – empregava no final do ano 1.234 trabalhadores em Moçambique.
Em 2024 reduziu para 26 as lojas no país, face às 27 com que operava em 2024, segundo o mesmo documento.






