Os Estados Unidos manifestaram-se contra a decisão de vários países de reconhecer oficialmente a Palestina como Estado, considerando a iniciativa uma “encenação” e defendendo que a resolução do conflito no Médio Oriente exige “diplomacia séria” em vez de “gestos performativos”.
Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, que falou sob anonimato, afirmou ao Times of Israel: “O nosso foco continua a ser a diplomacia séria, não gestos performativos. As nossas prioridades são claras: a libertação dos reféns, a segurança de Israel e a paz e prosperidade para toda a região, o que só é possível sem o Hamas”.
A posição de Washington surge num momento em que França e vários outros países se preparam para anunciar, esta segunda-feira, o reconhecimento oficial da Palestina no arranque da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. A questão do conflito em Gaza será um dos principais pontos da sessão. A iniciativa insere-se num processo diplomático liderado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e que culmina com uma cimeira organizada por França e pela Arábia Saudita sobre a viabilidade de uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina a viverem lado a lado em segurança.
Na véspera da Assembleia-Geral da ONU, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal formalizaram também o reconhecimento do Estado palestiniano, juntando-se a um conjunto cada vez maior de nações. De acordo com a Agência France-Presse, a Palestina já é reconhecida por 145 dos 193 Estados-membros das Nações Unidas.
Apesar da relevância simbólica, a decisão gerou forte contestação por parte dos EUA, que são aliados históricos de Israel. O Departamento de Estado insiste que qualquer avanço na paz regional só poderá ser alcançado com a eliminação da influência do Hamas.
O tema também foi abordado pelo presidente Donald Trump, que classificou a situação em Gaza como “uma grande confusão”. Em declarações a jornalistas na Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano afirmou: “Estamos a estudar Gaza e a lidar com Gaza de forma muito firme. É uma verdadeira confusão, mas esperamos conseguir avançar para alguma solução”.














