Para a maioria das pessoas, um superiate de 106 metros é um símbolo de riqueza extrema. Para Abbas Sajwani, porém, é sobretudo um escritório. Aos 27 anos, o empresário do Dubai gere parte do seu império imobiliário a bordo do ‘Amadea’, um dos iates mais luxuosos do mundo, equipado com elevador revestido a ouro, piscina infinita, spa, cinema, heliporto e até um campo improvisado de pickleball.
A história do ‘Amadea’ parece saída de um filme. Construído em 2017 pelo estaleiro alemão Lürssen, o superiate foi apreendido em 2022 pelas autoridades dos Estados Unidos nas ilhas Fiji, na sequência das sanções impostas ao alegado proprietário, o oligarca russo Suleiman Kerimov, após a invasão da Ucrânia. Depois de vários anos sob custódia das autoridades, acabou por ser leiloado em segredo no ano passado.
Foi aí que entrou Abbas Sajwani. O jovem empresário, filho do magnata imobiliário Hussain Sajwani, venceu o leilão por um valor nunca revelado, apenas um milhão de dólares acima da segunda melhor proposta. Um verdadeiro negócio, tendo em conta que o iate estava avaliado em cerca de 300 milhões de dólares quando foi apreendido e vale atualmente cerca de 250 milhões de dólares (aproximadamente 216 milhões de euros).
O novo proprietário garante que quase não alterou o interior porque já considerava o projeto praticamente perfeito. Entre os elementos que mais aprecia estão as paredes em madeira de teca trabalhada à mão, um bar esculpido em mármore grego e um piano de cauda pintado à mão por um histórico fabricante francês.
Mas o luxo vai muito além da decoração. O ‘Amadea’ dispõe de seis conveses, um jardim de inverno envidraçado, piscina infinita com bar integrado, spa completo com sauna, banho turco e salas de massagens, ginásio, cinema privado e heliponto. Durante a visita da ‘Forbes’, este último tinha sido transformado num campo de pickleball, uma solução que, segundo Sajwani, outros proprietários de iates acabaram por copiar.
Apesar do cenário digno de férias permanentes, o empresário insiste que a rotina pouco muda quando está a bordo. Durante a semana, passa os dias em reuniões, chamadas por videoconferência e decisões de investimento, aproveitando apenas os fins de semana para desfrutar das comodidades do navio. “É mais uma casa do que uma casa de férias”, resume.
O crescimento da fortuna de Abbas Sajwani também tem contornos invulgares. Depois de investir na bolsa ainda adolescente e experimentar pequenos negócios, apostou durante a pandemia em ações de empresas dos Estados Unidos ligadas ao imobiliário e ao luxo. Segundo o próprio, transformou um investimento de cinco milhões de dólares em cerca de 25 milhões, capital que utilizou para entrar no mercado imobiliário de luxo do Dubai.
A partir daí, fundou a AHS Properties, especializada em empreendimentos de elevado padrão, e rapidamente acumulou uma fortuna estimada em 1,9 mil milhões de dólares. Entre os investimentos mais recentes está a compra do hotel Shangri-La Dubai por cerca de 300 milhões de dólares e o desenvolvimento de um gigantesco complexo urbano previsto para abrir em 2030.
Durante o verão, o ‘Amadea’ navega normalmente entre a Riviera Francesa e o Mónaco. No inverno, segue rumo às Caraíbas, onde o empresário continua a gerir os seus negócios a partir do mar. Afinal, para Abbas Sajwani, um superiate de centenas de milhões de euros não é apenas um luxo extremo: é simplesmente o local onde trabalha… e vive.














