China em alerta com surto de chikungunya: Medidas já recordam pandemia numa altura em que há mais de 7 mil infetados

Apesar de o ritmo de propagação ter diminuído ligeiramente nos últimos dias, as autoridades sanitárias confirmaram que, apenas na última semana, mais de 3.000 pessoas foram infetadas nas 12 principais cidades da região.

Pedro Gonçalves
Agosto 12, 2025
11:27

O maior surto de chikungunya alguma vez registado na China está a preocupar as autoridades de saúde, especialmente na província de Guangdong, no sul do país, onde já se confirmaram mais de 7.000 casos. A cidade de Foshan, um importante polo industrial a cerca de 170 quilómetros de Hong Kong, concentra a maioria das infeções.

Apesar de o ritmo de propagação ter diminuído ligeiramente nos últimos dias, as autoridades sanitárias confirmaram que, apenas na última semana, mais de 3.000 pessoas foram infetadas nas 12 principais cidades da região. Segundo as mesmas fontes, o surto terá tido origem num “caso importado” que “desencadeou a transmissão local”.



Perante a ameaça, o Governo chinês lançou uma operação sanitária de larga escala, semelhante às que foram implementadas durante o surto de SARS em 2003 e na pandemia de Covid-19. A estratégia inclui a instalação de redes, pulverização de inseticidas e a utilização de drones para dispersão aérea, numa tentativa de travar a expansão do vírus transmitido por mosquitos.

Um vírus dependente de vetores
O chikungunya é uma doença infeciosa transmitida por mosquitos infetados, principalmente das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus. Estes vetores, que também transmitem dengue e febre-amarela, têm diferentes áreas de incidência: o primeiro é mais comum em zonas tropicais, enquanto o segundo se encontra em regiões de clima temperado.

As condições meteorológicas recentes na província de Guangdong — com chuvas intensas, inundações e temperaturas anormalmente elevadas — criaram um ambiente favorável à proliferação de mosquitos, agravando o surto. Este ano, o vírus tem-se manifestado em locais pouco habituais, como Brasil, Bolívia, França e Itália. Os Estados Unidos emitiram mesmo um alerta para que os seus cidadãos evitem viajar para Guangdong.

Prevenção e sintomas
A prevenção passa sobretudo por eliminar focos de reprodução dos mosquitos, evitando o acúmulo de água em recipientes como vasos ou garrafas, cobrindo depósitos de água e garantindo a recolha adequada do lixo em sacos plásticos fechados.

Os sintomas mais comuns aparecem entre 4 e 8 dias após a picada, podendo variar entre 2 e 12 dias. Entre as manifestações mais frequentes estão febre súbita e dores articulares intensas, acompanhadas de dores musculares, dores de cabeça, náuseas, fadiga e erupções cutâneas. Embora complicações graves sejam raras, a doença pode ser fatal em pessoas com comorbilidades, idosos e crianças com menos de um ano. Em alguns casos, as dores articulares persistem durante meses ou até anos.

A utilização de repelentes, roupas compridas e produtos antimosquitos é altamente recomendada para reduzir o risco de picadas.

Períodos de maior risco e resposta das autoridades
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mosquito transmissor é mais ativo ao amanhecer e ao entardecer, embora as fêmeas — que necessitam de sangue para se reproduzir — possam picar a qualquer hora caso não tenham obtido alimento suficiente.

Na China, a resposta ao surto inclui a pulverização de repelentes diretamente sobre os residentes antes de entrarem em edifícios e inspeções porta a porta para eliminar água estagnada. As autoridades alertam que a falta de cooperação poderá resultar em multas ou acusações por obstrução às medidas de saúde pública.

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