A Cofina, dona do “Correio da Manhã” e da “CMTV”, já perdeu 10 milhões de euros com a compra da Media Capital, empresa proprietária da “TVI”. Este dinheiro tinha sido adiantado a título de caução para a empresa espanhola Prisa.
De acordo com o “Público”, a acrescer a este montante estão ainda os custos com assessorias. Já os accionistas que deram ordens de compra das novas acções da Cofina, que afinal não vão existir, não perderão o seu investimento.
A operação foi interrompida na madrugada de terça para quarta-feira, a menos de 24 horas do fim do prazo do decisivo aumento de capital de 85 milhões de euros que fechava o processo. A Cofina desistiu de comprar a “TVI” após falhar a operação de aumento de capital, comunicou esta terça-feira a dona do “Correio da Manhã”, “Record” e revista “Sábado” à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A operação de oferta pública que permitiria o aumento de capital da Cofina no montante de 85 milhões de euros para financiamento da compra da TVI terminava esta terça-feira. Contudo, face à «deterioração das condições de mercado» e «não tendo sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital, a oferta ficou sem efeito», pode ler-se no comunicado da Cofina. «Não se encontram reunidas as condições de que depende a conclusão do negócio de compra e venda das da Vertix (e indirectamente da Média Capital)», segundo a mesma informação divulgada pela CMVM.
A Prisa reagiu, ameaçando com um eventual recurso aos tribunais. «A sociedade iniciará a partir deste momento todas as acções contra a Cofina previstas no contrato de compra e venda», refere a Prisa em comunicado enviado ao regulador espanhol do mercado de capitais.
Segundo esclareceu a Cofina, às 00:22 de quarta-feira, face à «deterioração das condições de mercado» e «não tendo sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital, a oferta ficou sem efeito».
Já ao fim da manhã de quarta-feira, a Prisa acusou o grupo liderado por Paulo Fernandes de divulgar «informação privilegiada», sublinhando que a desistência foi feita «voluntariamente» e «sem aviso prévio à Prisa», e acrescentou que se tratou de «uma quebra do acordo de aquisição de acções» fechado em Setembro e alterado em Dezembro.
O empresário Mário Ferreira, parceiro da Cofina na compra da Media Capital, manifestou «grande surpresa» com a decisão, garantindo não ter «sido consultado» e ter subscrito «todo o montante do capital» acordado. «Da minha parte cumpri com aquilo a que me comprometi, subscrevi todo o montante do capital que me pediram e me facultaram para subscrever. De facto, foi para mim uma grande surpresa», afirmou em declarações à agência “Lusa”.
Recordando ter sido «convidado pelo engenheiro Paulo Fernandes [presidente executivo da Cofina] para participar no aumento do capital com vista à aquisição da Media Capital», o dono da Douro Azul garante ter sido «agora surpreendido pelo cancelamento desse aumento».
O grupo Cofina detém, além do “Correio da Manhã” e do “Record”, a “CMTV”, o “Jornal de Negócios”, a revista “Sábado”, entre outros títulos.
Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da “TVI”, canal generalista em sinal aberto, conta com a “TVI24”, “TVI Reality”, “TVI Ficção”, “TVI Internacional” e “TVI África”. Tem também rádios, nas quais se inclui a “Comercial”.
O Grupo Prisa, por sua vez, é a maior empresa de comunicação social espanhola e está presente em 22 países da Europa e da América, sendo dona, entre outros, de jornais como o “El País” ou o “Cinco Días”.











