“A capacidade do país para atrair investidores é muito influenciada pela existência de mão de obra qualificada”, diz Diretor-Geral da ATEC

Em entrevista à Executive Digest, João Carlos Costa, Diretor-Geral da ATEC, explicou a valor da qualificação e requalificação dos profissionais, o papel das empresas e do Governo neste processo, e também a importância da dignificação dos trabalhadores.

André Manuel Mendes

A formação contínua dos colaboradores é essencial para o crescimento e o sucesso das empresas, pois capacita as equipas, estimula a inovação, e fortalece a competitividade num ambiente de negócios em constante evolução.

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Em entrevista à Executive Digest, João Carlos Costa, Diretor-Geral da ATEC, explicou a valor da qualificação e requalificação dos profissionais, o papel das empresas e do Governo neste processo, e também a importância da dignificação dos trabalhadores.

 

Como é que uma formação profissional adequada pode contribuir para o crescimento das empresas portuguesas?

A par da agressividade da concorrência, da evolução tecnológica e dos desafios que lhe são inerentes, a desadequação das competências dos trabalhadores às novas ferramentas e aos processos digitais levam a que as empresas repensem a sua estratégia e encarem a formação como essencial para a sua sobrevivência e crescimento.

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Investir na (re)qualificação das equipas permite que estas adquiram conhecimentos e competências relevantes para o desempenho das suas funções. Os resultados são claros: por um lado, o trabalho torna-se mais eficiente e produtivo, por outro, dá-se um claro aumento da satisfação, da realização profissional e do compromisso dos funcionários para com a empresa. A questão do compromisso é particularmente pertinente numa altura em que a escassez de recursos qualificados é uma realidade. Investir no desenvolvimento de um colaborador valoriza-o e amplifica o seu grau de retenção na empresa. A retenção de talentos é fundamental para o crescimento sustentável das empresas.

Mais, estamos numa época de acelerado crescimento tecnológico, de surgimento de novos perfis profissionais, de transição energética e de escassez de matérias-primas, um cenário que exige criatividade, capacidade de adaptação e resolução. Empresas que não apostem na requalificação e na reconversão das suas equipas dificilmente conseguirão adaptar-se aos avanços tecnológicos e não se manterão competitivas.

Inicial ou contínua, a formação capacita os colaboradores, melhora a qualidade do trabalho, impulsiona a inovação, retém talentos e fortalece a imagem da empresa. Quando combinados, estes fatores contribuem significativamente para o crescimento das empresas, permitindo-lhes ser mais competitivas e bem-sucedidas no mercado nacional e global.

 

Quais são os benefícios de investir em programas de formação e capacitação para os funcionários de uma empresa?

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Do ponto de vista estratégico, o investimento em programas de formação e capacitação é fundamental para melhorar o desempenho e o crescimento da empresa. A criação de uma cultura de aprendizagem contínua, de reconversão e requalificação, fomenta o compromisso e a reforça as competências das equipas ao mesmo tempo que impacta no aumento da produtividade e da qualidade do trabalho. Paralelamente, a capacitação dos trabalhadores com novas competências e a oportunidade de experimentarem novas tarefas também estimulam a sua criatividade e a inovação.

Para a empresa, a aposta em programas de formação significa também a redução de custos operacionais na medida em que capacitar um trabalhador com as competências adequadas à sua função estará preparado para contribuir para a otimização de processos e produtos. Por outro lado, fomenta a capacidade de adaptação à mudança.

Num ambiente em constante evolução tecnológica não basta investir em equipamentos novos ou em novas formas de produção. É necessário ter colaboradores preparados para trabalhar com estes novos equipamentos e tecnologias de forma a conseguir maximizar o investimento realizado. Os programas de requalificação e reconversão assumem-se como cruciais na adaptação das empresas a novas tecnologias, tendências e alterações no mercado. Empresas com equipas bem formadas e capacitadas estão mais preparadas para enfrentar desafios emergentes e acompanhar as transformações do setor.

Finalmente, destacamos os programas de formação focados nas lideranças internas de níveis hierárquicos intermédios, a primeira linha de contacto com as equipas. Fortalecer estes líderes intermédios com competências de gestão de equipas e de negócio é crucial para implementar os planos estratégicos das empresas e fortalecer o clima organizacional.

 

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Como a formação profissional pode impactar a produtividade e a eficiência empresarial?

De carácter inicial ou contínuo, os programas de formação, requalificação ou reconversão impactam a produtividade e eficiência empresarial, uma vez que capacitar colaboradores com competências técnicas, comportamentais e organizacionais, os torna mais eficientes e produtivos.

A aquisição e a atualização de competências levam a uma aplicação mais eficiente de recursos, evitando desperdícios e minimizando custos desnecessários. Prepara igualmente os colaboradores para lidarem com alterações no ambiente de trabalho e no mercado em geral, dotando-os com novas competências que lhes permitem enfrentar desafios e adaptar-se rapidamente a novas situações. A agilidade e a capacidade de adaptação são elementos-chave para a eficiência das empresas.

Por outro lado, colaboradores com sólidas competências interpessoais, como por exemplo, comunicação eficaz, trabalho em equipa, liderança e resolução de conflitos, entre outras, contribuem para a eficiência dos processos e aperfeiçoam a colaboração entre equipas. A formação contribui também para a autonomia e flexibilidade destes grupos. Colaboradores com competências adequadas à sua função têm mais confiança e são capazes de contribuir de forma mais significativa para os objetivos da empresa.

 

Quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas ao procurar formação profissional para os seus colaboradores?

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Da nossa experiência, e enquanto entidade formadora, podemos avançar que, com alguma frequência, as empresas não conseguem levar a cabo programas de formação por múltiplos fatores como a falta de um plano estratégico para capacitação das equipas, pelos custos associados, pela falta de disponibilidade para a formação ou até mesmo por resistência por parte dos colaboradores.

As empresas enfrentam ainda outros desafios ao nível da formação das suas equipas, nomeadamente a definição da formação a promover e a avaliação posterior do seu impacto e eficácia. Antes de implementar um programa de formação, as empresas precisam de identificar adequadamente as necessidades de desenvolvimento dos seus colaboradores – este é talvez o maior desafio. A ATEC desenvolveu uma ferramenta de Assessment Técnico exatamente para ajudar as empresas nesta questão. Através de um conjunto de provas teóricas e práticas, a ferramenta avalia cuidadosamente as competências e lacunas de conhecimento de um trabalhador para uma determinada função. Daí resulta um programa de formação completamente adequado às suas necessidades reais. A avaliação da eficácia é crucial e está incluída no pós programa de formação.

Outra das questões que nos parece relevante, é a ausência ou inadequação de perfis profissionais. Se as empresas não tiverem perfis profissionais definidos, estruturados e atualizados para as suas atuais necessidades, dificilmente conseguirão encontrar soluções formativas que satisfaçam tanto o colaborador como o objetivo da empresa.

 

E do lado das empresas de formação, quais os principais desafios que o mercado português apresenta?

Atualmente, as empresas de formação lidam com o desafio da constante necessidade de atualização de conteúdo, de ferramentas e de recursos. Num mundo em constante mudança, os conteúdos dos programas de formação precisam de ser atualizados regularmente para acompanhar as tendências do mercado, o que também implica manter formadores e demais equipas qualificadas e atualizadas, a par das últimas tendências e práticas de formação.

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Para além dos conteúdos é também fundamental que as metodologias adotadas sejam adaptadas não só à evolução geracional, mas também às novas formas de organização do trabalho. O teletrabalho e a dispersão geográfica das equipas é hoje um desafio que nem sempre encontra resposta em soluções como eLearning. A diferença entre gerações é mais significativa do que nunca e questões como a literacia digital são aspetos a considerar na oferta de soluções de formação.

Temos, também, obrigação de oferecer às empresas soluções de (re)qualificação e reconversão curtas, incisivas e eficazes que vão de encontro às suas necessidades. Os clientes esperam programas de formação personalizados, adaptados à sua realidade específica. É essencial que ofereçamos flexibilidade para customizar os programas e ir de encontro ao cliente.

Outro dos desafios no competitivo mercado português da formação é atrair e reter formadores altamente qualificados.

 

Qual é o papel do governo na promoção da formação profissional e como é que isso afeta o crescimento das empresas?

O governo desempenha um papel fundamental na promoção da formação, seja de cariz inicial e qualificante para jovens, seja de requalificação ou reconversão para profissionais no ativo, ou no apoio à formação contínua dos colaboradores das empresas a operar em solo nacional. A capacidade do país para atrair investidores é hoje muito influenciada pela existência de mão de obra qualificada. O investimento em educação e formação profissional aumenta a disponibilidade de profissionais qualificados no mercado de trabalho, o que contribui significativamente para uma maior competitividade do país.

Ao nível de políticas, podem ser desenvolvidas políticas e programas de apoio que incentivem a formação profissional, sobretudo da população com menos recursos económicos e das micro e pequenas empresas. Os níveis de qualificação serão cada vez mais um fator de exclusão social.

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Por outro lado, o governo tem um papel crucial na regulamentação e na certificação dos cursos de formação profissional e das próprias entidades formadoras, com processos ágeis e flexíveis, não comprometendo os índices de qualidade e exigência dos programas e das empresas de formação existentes no mercado português.

 

Quais são os impactos positivos da dignificação dos trabalhadores para o crescimento e a reputação das empresas?

A dignificação dos trabalhadores tem impacto positivo na satisfação e no bem-estar equipas, o que por seu turno também impacta positivamente o crescimento, o sucesso e a reputação geral da empresa. Colaboradores valorizados tendem a ser mais motivados e comprometidos e são mais propensos a contribuir com soluções criativas e inovadoras, o que leva a um claro aumento da sua produtividade.

Temos, ainda, a tão falada retenção de talento. Colaboradores satisfeitos são mais propensos a permanecer na empresa a longo prazo, reduzindo a rotatividade e os custos associados à contratação e formação inicial de novos colaboradores. A melhoria do clima organizacional é outro dos impactos positivos. Colaboradores valorizados e felizes contribuem para um ambiente organizacional mais colaborativo, com melhores índices de comunicação e trabalho em equipa e menor índice de conflitos.

As empresas que se preocupam com o bem-estar e crescimento das suas equipas tendem igualmente a desenvolver uma reputação positiva no mercado. Direta ou indiretamente, esta questão pode atrair clientes, investidores e parceiros que valorizem empresas com práticas éticas e responsáveis.

Quando se fala de sustentabilidade não é apenas a ambiental e económica, mas também social. A valorização da formação profissional contribuirá para a melhoria do estatuto social dos profissionais que por ela passarem.

Destaque, também, para o impacto na satisfação do cliente. Um trabalhador motivado e comprometido com a empresa fornecerá um melhor serviço ao cliente.

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Quais são as melhores práticas que as empresas podem adotar para valorizar e dignificar seus funcionários?

Cada empresa avaliará as melhores práticas a adotar tendo em conta o seu contexto e possibilidades. Valorizar e dignificar os funcionários requer um compromisso consistente da empresa em promover uma cultura organizacional positiva e centrada nas pessoas. Estas centralidade nas pessoas é um dos aspetos que caracteriza a Indústria 5.0, a par da sustentabilidade e resiliência.

Podemos referir algumas práticas como sejam uma remuneração justa e benefícios competitivos, oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional, flexibilidade e equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, participação nas decisões que afetam as suas atividades e o ambiente laboral, promoção de um ambiente saudável através de uma comunicação aberta e transparente e, muito importante, reconhecimento e valorização do trabalho. Todos estes exemplos são fundamentais para a motivação e o compromisso dos colaboradores, práticas que contribuem para os valorizar e dignificar e que criam as condições para uma cultura empresarial positiva, essencial para o sucesso da empresa a longo prazo.

 

 

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