VASP manifesta preocupação com proposta do Governo sobre distribuição de imprensa

A VASP manifestou hoje a sua preocupação com a proposta do Governo sobre a distribuição de imprensa, considerando que esta tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos, ao fragmentar um sistema logístico nacional.

Executive Digest com Lusa

A VASP manifestou hoje a sua preocupação com a proposta do Governo sobre a distribuição de imprensa, considerando que esta tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos, ao fragmentar um sistema logístico nacional.

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Em comunicado, a VASP – Distribuição e Logística, a única distribuidora nacional de imprensa em Portugal, sublinha que “é uma empresa privada que tem assumido e garantido, com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita e ao bem público fundamental que é a informação”.

A empresa, do grupo Bel, refere ainda que continua com “esta missão não obstante os custos que, com total transparência, tem dado a conhecer às entidades públicas e governamentais com intervenção e responsabilidades nesta área, que no passado reputaram esta prestação como serviço público”.

Por isso, “com surpresa”, a VASP “observa que este esforço é retratado num documento oficial que levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações que prestou num espírito de transparência e boa-fé”.

A VASP, acrescenta, “opera sob um conjunto de condições e obrigações no âmbito da sua atividade regulada pela Autoridade da Concorrência, e através da supervisão de um mandatário de monitorização, tendo sempre pautado a sua atuação por princípios de rigor, transparência e colaboração institucional”.

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Nesse sentido, “a análise técnica efetuada pela VASP ao documento revela ainda fragilidades no diagnóstico apresentado e um preocupante desconhecimento da realidade operacional da distribuição de imprensa”, critica.

“Trata-se de um sistema logístico complexo que funciona diariamente, 365 dias por ano, envolvendo recolha nas gráficas, reparte, expedição, transporte noturno, distribuição capilar no território, recolha e controlo de sobras e gestão, faturação e cobrança de milhares de pontos de venda, bem como pagamento a editores”, aponta.

Para a VASP, “o modelo proposto pelo Governo tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos, ao fragmentar um sistema logístico nacional que hoje funciona de forma integrada”.

Na sua ótica, “isto leva a um aumento dos custos de distribuição (um risco ainda mais relevante considerando o contexto geopolítico atual) e ao agravamento da situação económica de editores, gráficas, distribuidores e pontos de venda, com impacto direto na sustentabilidade da imprensa diária em banca”, considera.

Segundo a VASP, “qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição”, sendo que, “caso contrário, o modelo proposto poderá, inadvertidamente, contribuir para agravar a situação económica dos diferentes intervenientes do setor e acelerar a degradação da rede de distribuição de imprensa em banca no país”.

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“Como já proposto pelo Conselho de Administração da VASP uma solução de continuidade, através de um apoio do Governo, enquanto garante de um serviço público, com a implementação de uma política de incentivos a entidades (autarquias, escolas e universidades) para aquisição de imprensa, e a atribuição de apoios a pontos de venda e editores, asseguraria a sustentabilidade da distribuição em Portugal”, reforça.

Nesse sentido, “a VASP reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com o Governo e com todas as entidades do setor, prestando todos os esclarecimentos necessários e contribuindo para a construção de uma solução pública realista, informada e sustentável”.

O Governo propõe um modelo de apoio à distribuição e venda de imprensa com dois pilares, duração de três anos e financiamento total de 3,5 milhões de euros.

No pilar I, que diz respeito ao apoio à distribuição, este será atribuído através de um concurso público internacional, dividido em dois lotes territoriais: o lote 1 respeita Norte e Centro e o lote 2 a Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve.

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