Uma em cada três mortes de cancro devem-se a fatores de risco evitáveis

Tabaco (responsável por até 33% dos tumores em todo o mundo e até 22% das mortes), obesidade, álcool, estilo de vida sedentário e dietas inadequadas

Francisco Laranjeira

Excluindo o possível efeito da Covid-19, houve um ligeiro aumento de novos casos de cancro em Espanha em 2022 em relação ao ano anterior, estimando um total de 280.101 novos casos (160.066 em homens e 120.035 em mulheres), um número superior quando comparado a 2021 (276.239 casos), de acordo com o relatório “Números do cancro em Espanha 2022″, editado pela Sociedade Espanhola de Oncologia Médica.

Os cancros mais diagnosticados em Espanha são o cancro colorretal e o cancro da mama, pulmão, próstata e bexiga urinária. Mas o aviso dos especialistas apontou que, apesar da taxa de sobrevivência ao cancro ter dobrado nos últimos 40 anos, um terço das mortes de cancro na Europa deve-se a fatores de risco evitáveis: tabaco, infeções, álcool, sedentarismo e alimentação inadequada.

Quando o consumo de álcool é combinado com o tabaco, o risco de desenvolver carcinomas orais, orofaríngeos ou esofágicos é multiplicado por 30 vezes. A obesidade é outro fator de risco, estando associada a 9 tipos de cancro, com incidência total de cerca de 450 mil casos de cancro por ano.

Nas últimas décadas, o número absoluto de cancros diagnosticados em Espanha aumentou devido ao crescimento populacional, envelhecimento, exposição a fatores de risco – tabaco, álcool, poluição, obesidade e sedentarismo, entre outros – e, em alguns tipos de cancros devido ao aumento da deteção precoce, apontou esta sexta-feira o jornal espanhol ‘La Vanguardia’.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, um terço das mortes de cancro deve-se a cinco fatores de risco evitáveis – o tabaco (responsável por até 33% dos tumores em todo o mundo e até 22% das mortes), obesidade, álcool, estilo de vida sedentário e dietas inadequadas (ou seja, uma quantidade insuficiente de frutas e vegetais).

Continue a ler após a publicidade

De referir que de acordo com o relatório da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), publicado em 2020, o álcool é responsável por mais de três milhões de mortes anualmente na Europa – cerca de 180 mil casos de cancro e 92 mil mortes por cancro foram devidos ao álcool em 2018. O álcool está relacionado ao desenvolvimento de carcinomas de boca, orofaringe, esófago, fígado, laringe e colorretal em ambos os sexos.

“Não existe nível seguro de consumo de álcool, pois aumenta o risco de cancro mesmo com baixo consumo de álcool. Estima-se que até 4.600 casos de cancro da mama por ano na Europa são devidos ao consumo de álcool de um copo de vinho por dia, e estes números estão a aumentar significativamente devido ao maior consumo de álcool”, apontou Enriqueta Felip, especialista, em declarações ao jornal espanhol.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.