Ex-ministro de Orbán ‘acelera’ para fora da política e junta-se à chinesa BYD

O anúncio foi feito pelo próprio Szijjártó através da rede social Facebook, onde revelou ter aceite “uma proposta altamente prestigiada” da construtora automóvel chinesa.

Pedro Zagacho Gonçalves

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, anunciou esta quarta-feira que abandonou o Parlamento húngaro para assumir um cargo de direção na fabricante chinesa de veículos elétricos BYD, uma decisão que desencadeou críticas imediatas do atual primeiro-ministro, Péter Magyar, e reacendeu o debate sobre a influência de Pequim na economia e na política europeias.

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O anúncio foi feito pelo próprio Szijjártó através da rede social Facebook, onde revelou ter aceite “uma proposta altamente prestigiada” da construtora automóvel chinesa. O antigo governante explicou que passará a desempenhar funções como responsável executivo pelas relações externas do grupo e pelo desenvolvimento de novas áreas de negócio da empresa.

A mudança representa uma nova etapa na carreira de um dos mais influentes aliados do antigo primeiro-ministro Viktor Orbán, depois de mais de uma década à frente da diplomacia húngara e de vários anos como uma das principais figuras do partido Fidesz.

Segundo explicou Péter Szijjártó, as novas funções na BYD incluem a supervisão das relações institucionais da empresa e a criação de novas oportunidades de negócio, numa altura em que o fabricante chinês acelera a sua expansão na Europa.

A BYD tornou-se um dos principais protagonistas da estratégia industrial chinesa para o mercado europeu dos veículos elétricos e prepara-se para iniciar ainda este ano a produção automóvel na sua nova fábrica na Hungria, considerada pela empresa como o seu principal centro de produção em território europeu.

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A instalação industrial representa um dos maiores investimentos chineses no setor automóvel europeu e constitui um dos projetos estratégicos para a expansão da marca no continente.

Atual primeiro-ministro acusa ex-ministro de conflito de interesses
A decisão de Szijjártó foi imediatamente utilizada pelo atual primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, como argumento político contra o antigo responsável governamental.

Magyar acusou o ex-ministro de ter representado durante anos “interesses estrangeiros” enquanto integrava o Governo de Viktor Orbán e de ter feito pressão para garantir elevados subsídios públicos húngaros destinados à BYD antes de passar para a empresa.

Numa publicação, o chefe do Governo afirmou que “a única diferença em relação ao passado é que, a partir de agora, Péter Szijjártó deixará de ser pago pelos contribuintes húngaros para fazer exatamente o mesmo trabalho e passará a ser remunerado pelo seu verdadeiro empregador”.

As declarações surgem poucos meses depois de Péter Magyar ter derrotado Viktor Orbán nas eleições legislativas realizadas em abril, encerrando um longo ciclo político liderado pelo Fidesz.

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Um dos mais próximos colaboradores de Viktor Orbán
Péter Szijjártó foi uma das figuras mais próximas de Viktor Orbán durante grande parte da sua carreira política.

Militante fiel do Fidesz desde o final da década de 1990, começou por desempenhar funções como porta-voz de Orbán antes de ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros em 2014.

Permaneceu nesse cargo até ao início deste ano, tornando-se um dos rostos da política externa húngara e um dos principais defensores da aproximação de Budapeste tanto à China como à Rússia.

Durante o exercício das suas funções, destacou-se pela defesa de uma política externa mais independente das posições dominantes na União Europeia, apostando no reforço das relações económicas e diplomáticas com Pequim e Moscovo.

Em março deste ano, o próprio Szijjártó reconheceu ter mantido contactos com altos responsáveis russos numa altura em que os governos da União Europeia discutiam um novo pacote de sanções contra o Kremlin.

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A aposta da BYD na Europa passa pela Hungria
A contratação do antigo ministro acontece numa fase particularmente importante para a estratégia europeia da BYD.

A fabricante chinesa dos veículos elétricos escolheu a Hungria para instalar o seu principal polo industrial na Europa, onde prevê iniciar a montagem de automóveis ainda durante este ano.

O investimento integra o plano de expansão internacional da empresa, que procura reforçar a produção local para responder ao crescimento da procura europeia por veículos elétricos e reduzir o impacto das barreiras comerciais aplicadas aos automóveis produzidos na China.

A Hungria tem assumido um papel central nesta estratégia, tornando-se um dos principais destinos de investimento chinês na indústria automóvel europeia.

Fenómeno não é exclusivo da Hungria
O caso de Péter Szijjártó não é isolado entre antigos responsáveis políticos europeus que transitam para o setor automóvel.

Também o antigo ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, prepara uma mudança semelhante após abandonar a política na sequência da derrota eleitoral do seu partido.

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Segundo foi anunciado anteriormente, Lindner deverá assumir, em 2027, o cargo de presidente executivo da Autoland AG, considerada a maior rede de concessionários automóveis da Alemanha.

A sucessão destes casos volta a colocar em discussão a passagem de antigos responsáveis políticos para empresas privadas ligadas a setores que acompanharam de perto durante o exercício de funções governativas, sobretudo quando essas empresas desempenham um papel estratégico nas relações económicas entre a Europa e potências como a China.

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