Entre as cinco manifestações de interesse na compra da Dielmar que passaram pela Câmara de Castelo Branco, três “têm pernas para andas” e uma delas parte do investidor estrangeiro, confirmaram várias fontes próximas do processo, ao Expresso.
Na segunda semana de agosto, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, José Alves, garantiu à Renascença “que já recebeu contactos de duas empresas interessadas em adquirir a Dielmar” e houve também “uma manifestação de interesse” de outra entidade para “adquirir todo o material que a empresa tem, neste momento, confecionado”.
“São dois mais um, vamos chamar-lhes assim”, clarificou o autarca. José Alves assegurou ainda que as propostas que chegaram à sua secretária, já têm uma cópia em cima da mesa do Executivo de António Costa e do administrador de insolvência João Francisco Baptista de Maurício.
Contactado pela rádio, sediada na Quinta do Bom Pastor, Carlos Almeida, vereador do PSD em Castelo Branco, assegurou que no fim de julho também recebeu um contacto de um potencial investidor. “Estamos a falar de uma pessoa, que é um investidor consistente, que não está aqui apenas a criar algum mediatismo ou tentar algum protagonismo, porque ele não se revela”, afirmou.
Trabalhadores salvaguardados, pelo menos para já
Os trabalhadores da empresa de confeções Dielmar têm salvaguardado o salário do mês de agosto e o respetivo vínculo de trabalho, enquanto o Ministério da Economia e o administrador da insolvência trabalham o processo.
“Foram dadas todas as informações que recolhemos [sindicato] ao longo desta semana nas reuniões que tivemos [com o ministro da Economia e com o administrador da insolvência] e foi transmitido aos trabalhadores que, efetivamente, vão ser salvaguardados os salários do mês de agosto e enquanto decorrer o processo”, afirmou aos jornalistas, Marisa Tavares, do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa.
A sindicalista falava após uma reunião com os trabalhadores da Dielmar, junto às instalações da empresa, em Alcains, no concelho de Castelo Branco.
“Foi essa a informação que demos aos trabalhadores. Está tudo, neste momento, a ser trabalhado por parte do Ministério [da Economia] em conjunto com o administrador [da insolvência]. Queremos acreditar que é garantido, como é óbvio, mas sempre com alguma cautela”, sublinhou a presidente do Sindicato.
Marisa Tavares afirmou que os trabalhadores não se vão apresentar na empresa no dia 18 de agosto, data em que terminavam o período de férias, como inicialmente estava previsto acontecer, caso não houvesse uma solução.
A dirigente sindical espera que a resolução de todo o processo da Dielmar “seja rápido” e que “tenha um bom desfecho”.
“Os trabalhadores têm que estar disponíveis para, em qualquer momento que sejam chamadas, virem a trabalhar”, concluiu.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa tinha manifestado a sua satisfação, na quarta-feira, após a garantia deixada pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, em salvaguardar os postos de trabalho na Dielmar.
Fundada em 1965, em Alcains, por quatro alfaiates que uniram os seus conhecimentos, a Dielmar, que empregava atualmente mais de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribuiu aos efeitos da pandemia de covid-19.
A Dielmar pediu a insolvência no passado dia 2 de agosto, tendo o Juízo de Comércio do Fundão da Comarca de Castelo Branco declarado a insolvência da empresa no dia seguinte.














