A União Europeia prepara-se para endurecer ainda mais as regras de visto para cidadãos russos, acabando efetivamente com a emissão de autorizações Schengen de múltiplas entradas na maioria dos casos, indicou esta quinta-feira o jornal ‘POLITICO’.
A medida, que representa mais um passo nos esforços do bloco para punir Moscovo pela guerra em curso na Ucrânia, significará que os russos, em geral, receberão apenas vistos de entrada única, com algumas exceções por razões humanitárias ou para indivíduos que também possuam cidadania da UE.
Bruxelas já havia dificultado e encarecido a obtenção de vistos para os russos, suspendendo o seu acordo de facilitação de vistos com Moscovo no final de 2022, após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Alguns países membros, como os Estados bálticos, foram ainda mais longe, proibindo ou restringindo severamente a entrada de russos nos seus territórios.
No entanto, a emissão de vistos continua a ser uma competência nacional, o que significa que, embora a Comissão Europeia possa dificultar o processo, não pode impor uma proibição total e abrangente aos visitantes russos.
Em 2024, mais de meio milhão de russos receberam vistos Schengen, segundo dados da Comissão Europeia — um aumento significativo em relação a 2023, embora ainda muito abaixo dos níveis pré-guerra, com mais de 4 milhões de vistos emitidos em 2019. Hungria, França, Espanha e Itália continuam a conceder vistos de turista a cidadãos russos com facilidade.
As novas regras, mais rigorosas e parte de um pacote de medidas destinadas a reduzir o número de russos que entram no bloco, deverão ser formalmente adotadas e implementadas esta semana.
Em separado, e como parte do seu 19º pacote de sanções, a UE planeia restringir a circulação de diplomatas russos, exigindo que informem os Estados com antecedência caso viajem pela Área Schengen, como forma de contrariar as “atividades de informações cada vez mais hostis” do Kremlin.
A Comissão também deverá divulgar no próximo mês sua nova estratégia de vistos para todo o bloco, que estabelecerá recomendações comuns, incluindo o incentivo aos países membros para que utilizem melhor as suas políticas de vistos contra países hostis e implementem critérios mais rigorosos para russos e outras nacionalidades.













