Tokenização acabaria com a fragmentação na zona do euro, indica BCE

A tokenização, que consiste em converter, por exemplo, um título ou outro ativo em unidades digitais chamadas ‘tokens’, poderia ajudar a superar a fragmentação financeira europeia, afirmou hoje Isabel Schnabel, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE).

Executive Digest com Lusa

A tokenização, que consiste em converter, por exemplo, um título ou outro ativo em unidades digitais chamadas ‘tokens’, poderia ajudar a superar a fragmentação financeira europeia, afirmou hoje Isabel Schnabel, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE).

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Durante a sua intervenção no simpósio anual realizado pelo Federal Reserve Bank de Kansas City em Jackson Hole, Schnabel salientou que os benefícios da tokenização podem ser “particularmente acentuados na zona euro”.

A tokenização poderia não apenas melhorar a eficiência do mercado, mas também “ajudar a superar a fragmentação histórica das infraestruturas financeiras europeias”, afirmou.

“A infraestrutura financeira da Europa permanece fragmentada ao longo de linhas nacionais, o que cria atritos que limitam a escala, a concorrência e os fluxos de capital transfronteiriços”, disse Schnabel.

A responsável citou como exemplo o facto de que “investir em títulos soberanos na zona euro frequentemente exige acesso a múltiplas depositárias centrais de valores, o que aumenta a complexidade operacional e favorece os grandes participantes do mercado, capazes de absorver os custos associados”.

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Por isso, a tokenização oferece um caminho para um sistema integrado, em vez de um sistema fragmentado entre as diversas jurisdições nacionais, acrescentou ela.

Schnabel acrescentou que, “para que a tokenização avance, é indispensável contar com um ativo de liquidação seguro e escalável, e o ideal é que seja fornecido pelos próprios bancos centrais”.

Esse ativo não pode ser constituído por ‘stablecoins’, pois carecem das características adequadas, sendo que um ativo de liquidação deve ser seguro, e sua oferta deve poder ser expandida automaticamente caso a procura por liquidez aumente.

“As ‘stablecoins’ não podem substituir o dinheiro dos bancos centrais nas liquidações”, afirmou Schnabel, mas devem ser entendidas como “complementos ao dinheiro dos bancos centrais, e não como substitutos”.

Podem ampliar os instrumentos de pagamento disponíveis para famílias e empresas, além de impulsionar novas formas de atividade económica digital, desde que sejam adequadamente projetadas e regulamentadas, acrescentou.

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Em março, o BCE começou a aceitar ativos negociáveis emitidos através de depositários centrais de valores que utilizam a tecnologia de registo distribuído como garantia em operações de empréstimo.

Schnabel sugeriu que os bancos centrais adotem a tecnologia de registo distribuído e se conectem diretamente à ‘blockchain’.

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